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“Só faltou Emanuel”: prefeito Abílio diz que reunião sobre ISS virou ato político da oposição em Cuiabá e acusa uso de instituições para promoção pessoal , VEJA O VÍDEO

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JB News

por Ana Paula Figueiredo

A crise política envolvendo a revisão da alíquota do Imposto Sobre Serviços (ISS) em Cuiabá ganhou novos contornos na manhã deste sábado (10), após o prefeito Abílio Brunini se manifestar publicamente sobre a reunião realizada na última quinta-feira com empresários da capital. O encontro, que tinha como objetivo discutir o reajuste do imposto de 3% para 5%, acabou se transformando em um episódio de tensão política, com troca de acusações, clima de confronto e forte embate entre o chefe do Executivo municipal e lideranças empresariais ligadas a grupos de oposição.

Segundo o prefeito, o ambiente da reunião deixou rapidamente o campo técnico e administrativo para assumir um viés claramente político. Em sua avaliação, praticamente todos os participantes mais vocalizados no debate tinham histórico de oposição à sua gestão, incluindo ex-candidatos a prefeito, representantes de grupos políticos derrotados nas urnas e figuras que, segundo ele, utilizam entidades de classe como plataforma de projeção pessoal e eleitoral. “Foi uma grande reunião de oposição. Só faltou o Emanuel Pinheiro naquela mesa”, ironizou, em referência ao ex-prefeito Emanuel Pinheiro, símbolo do grupo político derrotado nas últimas eleições municipais.

Abílio citou nominalmente ausências e presenças estratégicas para sustentar sua tese de articulação política. Lembrou que Lúdio Cabral, derrotado por ele no último pleito, não esteve presente, mas que outros nomes ligados ao mesmo campo ideológico compareceram e conduziram o debate de forma, segundo o prefeito, coordenada. Para ele, a reunião acabou funcionando como um espaço de “cochicho político” travestido de discussão técnica sobre tributos.

Um dos focos centrais das críticas do prefeito foi direcionado à atuação do presidente do CRECI-MT — citado por Abílio como “Contreira”. O prefeito acusou o dirigente de distorcer informações, propagar dados falsos sobre um suposto aumento de impostos para patamares irreais e usar as redes sociais de uma entidade pública para autopromoção política. “Não pode usar um órgão público para fazer campanha pessoal. Isso é ilegal e antiético”, afirmou, acrescentando que o conselho participou formalmente de todas as reuniões sobre o tema, com assinaturas em atas e presença de representantes, o que, segundo ele, desmonta a narrativa de exclusão propagada após o encontro.

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Abílio também rebateu críticas de que a mudança no ISS prejudicaria pequenos corretores e profissionais liberais. De acordo com o prefeito, a política de isenção anterior beneficiava majoritariamente grandes empresas, enquanto profissionais enquadrados no Simples Nacional — com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões — permanecem fora da alíquota máxima de 5%. “Não existe aumento generalizado para o pequeno. O que existe é o fim de privilégios concentrados”, declarou. Para o gestor, a revisão da política tributária busca maior equilíbrio fiscal e justiça na arrecadação municipal, rompendo com práticas adotadas por gestões anteriores, que, segundo ele, tinham motivação eleitoral.

O clima da reunião, conforme relatado pelo prefeito, foi de confronto direto. Houve interrupções, acusações cruzadas e tentativas de transformar o debate técnico em discurso político. Abílio afirmou ter feito “repreensões claras” durante o encontro, sobretudo quando percebeu o uso de informações falsas para inflamar o ambiente e gerar insegurança entre empresários. “Dizer que o imposto iria a 40% é mentira. Dizer que entidades não participaram das discussões é mentira. Isso foi feito para criar pânico e engajamento em rede social”, afirmou.

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A fala do prefeito também expôs uma leitura mais ampla do cenário político local. Para ele, a discussão sobre o ISS revelou a reorganização de forças derrotadas nas urnas, que agora tentam se reagrupar em torno de pautas sensíveis à economia para desgastar a atual gestão. Ao citar nomes de ex-candidatos, parlamentares e lideranças empresariais, Abílio reforçou a ideia de que o embate vai além da política tributária e se insere em um contexto de antecipação do debate eleitoral futuro.

A ex-senadora Margareth Buzetti também foi lembrada pelo prefeito como uma das vozes críticas presentes no ambiente político que se formou em torno do tema, ainda que o debate tenha extrapolado os limites institucionais da reunião. Para Abílio, o episódio evidencia a dificuldade de separar interesses econômicos legítimos de estratégias políticas organizadas.

Ao final, o prefeito afirmou que continuará aberto ao diálogo com o setor produtivo, mas deixou claro que não aceitará o uso de desinformação nem de estruturas públicas para disputas eleitorais antecipadas. “Debate é democrático. Mentira não. O que aconteceu ali não foi só uma discussão de imposto, foi uma reunião política de oposição”, concluiu.

O episódio reforça o atual grau de polarização em Cuiabá e antecipa que a agenda fiscal da capital seguirá sendo um dos principais campos de batalha política nos próximos meses, com reflexos diretos na relação entre a Prefeitura, o empresariado e os grupos que disputam espaço no tabuleiro do poder local

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Câmara de Cuiabá tem quatro pedidos de CPI em tramitação e uma comissão constituída

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Camile Souza | SECOM Câmara Municipal de Cuiabá 
Quatro pedidos de instauração de comissão parlamentar de inquérito (CPI) tramitam atualmente na Câmara Municipal de Cuiabá. As proposições estão previstas para serem lidas durante a sessão ordinária desta terça-feira (10), em conformidade com o Regimento Interno da Casa, e têm como finalidade a apuração de fatos relacionados à administração pública municipal.
Um dos requerimentos trata da investigação sobre a contratação e execução sistemática de despesas sem o prévio e indispensável empenho junto à Prefeitura de Cuiabá, no período compreendido entre os anos de 2019 a 2024. A proposta foi protocolada pelo vereador Demilson Nogueira (Progressistas) e busca apurar possíveis irregularidades na gestão orçamentária do município.
Outro pedido de CPI, de autoria do vereador Ilde Taques (PSB), pretende investigar termos de ajustamento de conduta (TACs) firmados pela administração municipal, bem como operações de compra consideradas onerosas aos cofres públicos.
Também está em tramitação requerimento que propõe a instauração de CPI para apurar o possível descumprimento do artigo 212, da Constituição Federal, que determina a aplicação mínima de 25% da receita resultante de impostos no setor de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino (MDE). A investigação abrange os exercícios de 2023 e 2024 e inclui, ainda, a apuração de eventual uso indevido de recursos do Fundo Único Municipal de Educação de Cuiabá (Funed) para finalidades diversas das previstas em lei.
Há, ainda, pedido de CPI de autoria do vereador Dilemário Alencar (União Brasil), que propõe investigar a gestão, a aplicação de recursos e os critérios de concessão de crédito do programa Cuiabanco, iniciativa municipal voltada ao fomento da atividade econômica.
Além dos requerimentos que ainda tramitam na Casa, já foi constituída a Comissão Parlamentar de Inquérito responsável por investigar a empresa que administra o estacionamento rotativo de Cuiabá, a CS Mobi, após aprovação em plenário. A comissão é presidida pelo vereador Tenente-coronel Dias (Cidadania), e os trabalhos devem começar em breve.
Todos os pedidos protocolados na Câmara Municipal passarão por análise quanto ao atendimento dos requisitos legais e regimentais. Caso sejam considerados aptos, será publicada a respectiva resolução para constituição e instalação das comissões, conforme previsto no Regimento Interno da Casa.

Fonte: Câmara de Cuiabá – MT

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