OPINIÃO

SECITECI:  uma luz para o trabalho!

Por Stéphano do Carmo

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Trago um tema neste artigo relevante, que na minha opinião impacta diretamente na vida das pessoas e na sociedade como um todo: emprego, trabalho e  renda!

Mato Grosso, segundo os dados do CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), foi o estado que mais gerou empregos formais no acumulado do ano.  De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o estado teve o sétimo maior crescimento na participação industrial no país e  demostra uma década de amadurecimento e expansão. Além disso,  a consultoria de análise macroeconômica MB Associados, acrescenta que Mato Grosso deve apresentar um crescimento de 4,97% no PIB do ano.

Conforme estudos divulgados em março, é o agronegócio mato – grossense que surge como principal condutor desse crescimento. Mato Grosso é o principal produtor de grãos do Brasil, e deve ser o responsável por quase 30% da safra  nacional de 2021.

Somos o estado que mais cresce no país, somos o celeiro do mundo e o estado como indutor deste crescimento, por meio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e  Inovação tem a missão de preparar nossos trabalhadores para o mercado de trabalho      que está em amplo crescimento.

As previsões apontam para um apagão na mão de obra no país para os próximos anos, na casa de 300 mil vagas. Setores da indústria já sofrem com ausência de programador de unidade eletrônica, especialista em telemetria, robotização e eletroeletrônica. A construção civil e o agronegócio sofrem com a ausência de profissionais qualificados, bem como azulejistas, pintores, pedreiros, eletricistas, técnico em agricultura digital, operador de drones e cientista de dados agrícolas, técnico em manutenção de máquinas pesadas, entre outras especialidades.

Enquanto o setor produtivo em geral reclama de dificuldade para preencher vagas, inclusive de nível técnico operacional, um levantamento feito pela Fundação Getúlio Vargas aponta que o Brasil já atinge cerca de 27 milhões de pessoas que estão vivendo abaixo da linha da pobreza. Fato é que o país como um todo já bate na casa de 15 milhões de desempregados. É o desencontro entre o trabalho e quem o procura.

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Esses dados nos mostram que não basta apenas criar emprego ou frente de trabalho e sim que devemos nos preocupar com a qualificação do nosso trabalhador. E esta também passa pelas universidades, mas a maioria das vagas está na formação técnica que pode ser obtida por cursos preparatórios, principalmente na formação de técnicos, que pode ser resolvido já com o ensino médio profissionalizante.

Uma das visões mais tristes deste mundo é uma pessoa que não se encaixa em lugar  nenhum; ninguém o quer para trabalhar. Podemos até afirmar que o desemprego é responsável pelos maiores males da sociedade. Uma pessoa quando encontra um emprego, principalmente aquele trabalho que dá dignidade e prazer em executar, imediatamente ajusta em sua têmpora a alegria de viver, comunga junto aos seus e se harmoniza junto aos demais.

Nós, da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação, através do incentivo e esforço do Governador Mauro Mendes e do Secretário Nilton Borgato, estamos preparando Mato Grosso para esse enfrentamento. Um estado agro que necessita cada vez mais se industrializar e que tem uma atividade desenvolvimentista perene.

Estamos hoje com 71 cursos técnicos, com um planejamento de oferta para as nossas escolas em 2022 de 2.740 vagas em cursos técnicos, 325 vagas em cursos de qualificação de Formação Inicial e Continuada (FIC), 150 de aperfeiçoamento, 60 vagas de especialização técnica e 5.000 vagas em cursos EAD entre técnicos e FIC, preparando os mato-grossenses para o mercado de trabalho. Não contabilizando o atendimento aos muncípios fora de sede, com os Projetos que atenderão mais de 18.000 alunos no interior do estado.

Nestes dois anos e meio da gestão do secretário Nilton Borgato, nossas ações não pararam, iniciamos um amplo projeto de infraestrutura e retomamos as obras das escolas técnicas que estavam paralisadas. O governo do estado investiu, em 2019, um valor de R$ 4.730.000,00 para as obras das escolas técnicas de Cuiabá e Cáceres, e a previsão é de serem inauguradas ainda este ano. Em 2020, investimos R$ 2.500.000,00 para escola técnica de Água Boa e R$ 1.800.000,00 para escola técnica de Primavera do Leste, obras estas que estão em pleno vapor, já com os recursos assegurados para aquisição de móveis e equipamentos para essas escolas no valor de R$ 3.270.000,00, ou seja, escolas novas com tudo novo! Estamos em tratativa com o governador e já retomamos as obras nas escolas técnicas de Matupá com aporte de recursos no valor R$2.125.000,00 e para a escolas técnicas de Sorriso e Juara um valor de R$ 10.375.000,00.

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Já estamos com dinheiro na conta para executar as reformas nas Escolas Técnicas de Barra do Garças, Alta Floresta, Rondonópolis e Sinop, com investimento de R$ 4 milhões  por meio do programa do governo do estado, o MT Mais Reformas. São essas ações que o estado está executando e que ampliarão nossa oferta de cursos de qualificação em curto e médio prazo.

Investir na qualificação profissional é investir no futuro dos nossos jovens! É planejar o estado de Mato Grosso para ser cada vez mais o protagonista na geração de emprego, na distribuição de renda e no crescimento econômico e social.

Por tudo isso, nós da SECITECI estamos trabalhando para sermos a luz da oportunidade de emprego para os nossos trabalhadores, por meio da qualificação profissional e do ensino técnico, oportunizando às pessoas sonharem, mas sonhar com disciplina, sonhar com possibilidades reais, sonhar para o bem da vida, para o bem dos seus e de si mesmas, sendo inseridas no mercado de trabalho.

* Stéphano B. do Carmo é Secretário Adjunto de Ciências Tecnologia e Inovação

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OPINIÃO

Parece que foi ontem

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Por Antônio Joaquim

Parece que foi ontem. Dia 7 de abril de 2000. A lembrança da minha nomeação ao Tribunal de Contas de Mato Grosso ainda me vem com nitidez, como se o tempo não tivesse passado com a velocidade que, hoje percebo, ele realmente passou. São 26 anos de uma jornada que começou com expectativas, desafios e um profundo senso de responsabilidade pública. Ao revisitar essa trajetória, o sentimento que emerge é uma mistura de saudosismo e gratidão. Saudosismo pelas etapas vividas, pelas pessoas que caminharam ao meu lado e pelos momentos que ajudaram a construir quem sou hoje. E gratidão pela oportunidade de servir ao Estado de Mato Grosso e o Brasil em diferentes frentes ao longo da vida pública.

Antes mesmo de chegar ao Tribunal de Contas, tive a honra de atuar no Parlamento. Primeiro como um aguerrido deputado estadual, na trincheira da oposição, inclusive durante a Constituinte Estadual. Fui o “brizolinha pantaneiro”, em referência ao guerreiro Leonel Brizola, nosso líder no PDT. Tinha como marcas de atuação a determinação e a lealdade. Aprendi desde cedo que você pode ser firme, convicto, mas precisa sempre respeitar aliados e adversários. Depois, na Câmara dos Deputados, vivi momentos especiais como deputado federal, um dos mais votados de Mato Grosso. Foram experiências que moldaram minha compreensão sobre a importância das instituições e do compromisso com o bem comum.

No Governo Dante de Oliveira, pude contribuir com políticas públicas voltadas ao desenvolvimento do nosso Estado, em um período de grandes transformações estruturais em um Estado que estava quebrado, falido se o poder público pudesse falir. Fui secretário de Infraestrutura e Secretário de Estado de Educação, com letras maiúsculas. Disparado, a maior e mais inesquecível experiência, pelas marcas deixadas em minha trajetória pública. Vem desse período minha verdadeira paixão pela causa da educação pública. Eu acredito no poder transformador da educação. Transforma a si, transforma o próximo. Transforma e melhora a sociedade. Aproveito para homenagear todos aqueles que dedicam a vida ao ensino, a começar pela minha esposa Tânia, professora de carreira, minha educadora.

Mas foi no Tribunal de Contas que encontrei um espaço permanente de construção. Aqui, ao longo desses anos, fortaleceu-se em mim a convicção de que o controle externo vai muito além da fiscalização da gestão dos recursos públicos: ele é instrumento de cidadania. Por isso, sempre defendi o fortalecimento do controle social, como forma de aproximar a sociedade da gestão pública e, com a participação cidadã, retroalimentar o controle externo. O cidadão está sempre onipresente. Quando participa, fala, denuncia, cobra, transforma a vida social e impulsiona as instituições. Acredito que cidadãos bem-informados participam melhor, cobram melhor e ajudam a construir governos mais responsáveis. Impossível não lembrar de iniciativas como o projeto Consciência Cidadã, que nasceram dessa crença. Não fui pai desse projeto, mas fui padrinho, padrasto.

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Em nível nacional, tive a honra de contribuir para o desenvolvimento do sistema Tribunais de Contas. Na presidência da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil, trabalhei para mudar o foco da entidade, direcionando esforços para a melhoria concreta das nossas instituições de controle externo. A Atricon, quando assumi, era uma instituição corporativa, voltada praticamente para o interesse do associado. Como os Tribunais de Contas até hoje carecem de um conselho nacional que os organiza e fiscaliza, a exemplo do CNJ para o Poder Judiciário, e o CNMP, para o Ministério Público (órgãos de controle criados pela Emenda Constitucional 40), entendi que a Atricon tinha que organizar o sistema e lutar pela melhoria dos Tribunais de Contas brasileiros.

Parece um passado longínquo, mas em 2012, existiam tribunais de ponta e muitos abaixo da linha do aceitável. Minha gestão foi um marco transformador. Falo isso pelo sem-número de homenagens que recebo constantemente por ter sido esse líder naquele momento histórico. Foi um período de intensa dedicação, do qual resultaram iniciativas estruturantes, como o Marco de Medição de Desempenho dos Tribunais de Contas, o MMD-TC, iniciado com outro nome o QATC, programa que avaliava a qualidade e agilidade dos tribunais. Atualmente, todos os 33 Tribunais de Contas se submetem a essa avaliação. Com certeza, a evolução de todos passou por esse programa.

Para essa época da minha vida, homenageio a memória do saudoso conselheiro Salomão Ribas (TCE-SC). Ele que inventou minha candidatura, em um congresso da Atricon em Belém (PA), uma ideia que teve a adesão de outros dois ícones, Thiers Montebello (TCM/RJ) e Chico Neto (TCM-BA). Disse-me Salomão, secretamente: “eu não posso, mas você, novo e pouco desconhecido, pode nos provocar um terremoto necessário”. Como desafio pouco é bobagem, aceitei fui lançado aos leões. Não custa lembrar que, diferente do CNJ e CNMP, era e ainda é a mensalidade dos associados que banca o trabalho da Atricon de melhorar instituições públicas. Por isso, fui amado, odiado, mas felizmente hoje exaltado.

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Ver, anos depois, o avanço dessas e outras ações na Atricon e em todo o Sistema Tribunais de Contas, como o Programa Nacional de Transparência Pública – minha última contribuição nacional mesmo apenas como membro da entidade, proposta de 2021 – reforça a certeza de que cada esforço valeu e continua valendo a pena. Logicamente, são conquistas que não pertencem a uma pessoa, mas a todos que acreditam na força das instituições.

No Tribunal de Contas de Mato Grosso, para além da atividade obrigatória voltada à fiscalização e o julgamento de contas públicas, uma das causas que mais têm mobilizado minha atuação é a educação pública, agora presidindo a Comissão Permanente de Educação e Cultura.  Em especial, a atenção à primeira infância e a defesa da construção de creches como política essencial para o futuro, com ajuda do Gabinete de Articulação para a Efetividade da Política de Educação (GAEPE), uma iniciativa de governança colaborativa.

Cuidar das nossas crianças é, sem dúvida, o maior investimento que podemos fazer enquanto sociedade. Essa causa tem-me nutrido diariamente, em conjunto com a atuação como conselheiro ouvidor do TCE-MT. Nessa área, basta lembrar que em menos de cinco anos, como trabalho de mobilização, orientação, treinamento, conseguimos influenciar e fazer com que praticamente todos os órgãos públicos tenham criado sua Ouvidoria Pública.

Ao olhar para trás, é impossível não sentir saudade. Mas é uma saudade serena, acompanhada do orgulho pelas sementes plantadas e pelos resultados alcançados. O tempo passou — rápido, talvez até mais do que eu gostaria —, mas deixou marcas positivas, aprendizados e realizações. Se hoje parece que foi ontem, é porque cada momento vivido foi significativo. E é com esse mesmo espírito que sigo adiante, renovando o compromisso com o serviço público, com a ética e com a construção de um Estado cada vez melhor.

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