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Prisões relacionadas ao crime organizado têm aumento de 184% e roubo de cargas ganha atenção especial nas investigações

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Nos seis primeiros seis meses de 2021 já foram realizadas 71 prisões em comparação a 25 do mesmo período do ano passado

Camila Molina | Polícia Civil-MT

– Foto por: Polícia Civil

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O enfrentamento a organizações criminosas realizado pela Polícia Civil de Mato Grosso ganhou um novo gás em 2021, com o aumento de mais de 184% no número de prisões relacionadas ao crime organizado.  A atuação da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) teve como foco investigações especiais ligadas a crimes de sequestro, roubos/furtos contra instituições financeiras, de defensivos agrícolas e de cargas, esta última, (atribuição mais recente).

De janeiro a junho deste ano foram efetuadas 71 prisões, entre flagrantes e cumprimentos de mandados, em comparação a 25 do mesmo período do ano passado. As ações englobaram ainda prisões de integrantes de organizações criminosas envolvidas em crimes de estelionato, tráfico de drogas e adoção à brasileira. O número de prisões do semestre também já é superior em 73% ao total do ano passado, quando foram feitas 43 prisões pela unidade nos 12 meses do ano.

As ações também resultaram na apreensão de três toneladas de explosivos e acessórios de detonação, aproximadamente R$ 3 milhões em defensivos agrícolas, uma carga de mais de 85 toneladas de soja. Foram também bloqueados R$ 12 milhões de contas bancárias e sequestro de diversos imóveis, valores em espécie e veículos pertencentes a criminosos, investigação realizada dentro da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco).

Em número de ações e apreensões a GCCO também já apresenta neste ano números superiores ao ano anterior. Nos seis primeiros meses de 2021, as apreensões totalizam 15 veículos (nove carros, três motocicletas, dois caminhões e um semirreboque), 17 armas de fogo, mais de R$ 64 mil em dinheiro, 358 munições de diferentes calibres.

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O delegado titular da GCCO, Vitor Hugo Bruzulato Teixeira, que assumiu a unidade em março deste ano, destaca que o resultado positivo é um somatório de investigações realizadas pela própria unidade e também fruto da proximidade com delegacias do interior e parcerias com outras instituições.

“Através dessa aproximação com as delegacias do interior de Mato Grosso e até mesmo de outros estados, em que é dado apoio as ações operacionais e de inteligência, é possível a troca de informações que possibilitam trabalhar de forma conjunta na organização de algumas ações, garantindo maior eficácia do trabalho investigativo”, explicou.

Existe também o planejamento de capacitação para todos os policiais no combate ao crime organizado, lavagem de dinheiro, sequestro, extorsão mediante sequestro, roubo a bancos. A GCCO também tem buscado a integração com outras forças de Segurança como Polícia Rodoviária Federal (PRF), Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Fico), unidades congêneres de outros estados, buscando o enfrentamento às organizações criminosas.

Defensivos Agrícolas

As ações de combate a roubos, furtos, desvios e adulteração de defensivos agrícolas foi um dos grandes focos de atuação da GCCO no primeiro semestre do ano. Em uma das ações, realizada no mês de abril, mais de seis mil litros de defensivos agrícolas roubados de uma fazenda em Sapezal foram recuperados em uma propriedade rural no município de Diamantino.

As diligências também resultaram na apreensão de nove armas de fogo e diversas munições, além de três pessoas presas em flagrante pelos crimes de receptação, posse irregular de arma de fogo de uso permitido e associação criminosa. A ação foi marcada com a primeira prisão do receptador do material (dono da fazenda e que adquiriu os defensivos).“Sabemos que quem fomenta o roubo/furto de cargas e defensivos são os receptadores e desta vez conseguimos chegar ao responsável por encomendar o crime”, disse o delegado.

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Três dias depois da ação, mais uma parte dos defensivos agrícolas de origem ilícita foi localizada pela equipe da GCCO. O material, avaliado em aproximadamente R$ 150 mil, foi encontrado escondido em uma região de mata, nas proximidades da mesma fazenda, no município de Diamantino.

Roubo e desvio de cargas

Passando a ser atribuição recente da GCCO, as investigações de roubos de cargas já apresentaram resultados positivos, com a apreensão de mais de 85 toneladas de soja e mais de três toneladas de explosivos que estavam escondidos em um carregamento de grãos.

A carga de explosivos e acessórios iniciadores foi apreendida após a GCCO receber informações sobre o transporte do material para a região norte do estado. O caminhão foi identificado e a abordagem realizada em Peixoto de Azevedo (691 km ao norte de Cuiabá). Os explosivos sem identificação ou documentação legal estavam sendo transportados em uma carreta bitrem, escondidos sob uma carga de soja. O motorista foi preso em flagrante, conforme o artigo 16, da Lei do Desarmamento.

As investigações apontaram indícios de que o material seria utilizado na prática de roubos a instituições financeiras e de transporte de valores, bem como em garimpos clandestinos das regiões centro e norte do país.

Em outra ação, realizada em parceria entre a GCCO e a Delegacia Especializada de Roubos e Furtos de Rondonópolis, foram apreendidas 85 toneladas de soja desviada, avaliada em R$ 300 mil. As diligências resultaram ainda na apreensão de um trator, uma motocicleta e uma caminhonete, utilizados na atividade ilícita e na prisão em flagrante de um integrante de associação criminosa envolvida em desvios de cargas no estado de Mato Grosso. O caminhão que transportava os grãos passou a ser monitorado após informações de que a carga seria levada para um galpão no distrito industrial de Rondonópolis, de onde seria desviada do seu destino.

Antissequestro

Dois casos de grande repercussão no estado em que as vítimas tiveram sua liberdade cerceada pelos criminosos contaram com apoio da GCCO nas investigações para prender os autores e chegar ao esclarecimento dos crimes.

Um dos casos foi o latrocínio que vitimou Nicomedes Francisco Pinto Lopes, de 69 anos, morador de Chapada dos Guimarães. O corpo do aposentado foi encontrado no dia 25 de março, quatro dias após o crime, às margens da Rodovia Arquiteto Helder Cândia, em Cuiabá com duas perfurações de arma de fogo.

Durante o inquérito policial para apurar os fatos, os quatro suspeitos tiveram o envolvimento identificado no roubo, sendo alvos de operação deflagrada da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Cuiabá e Delegacia de Chapada dos Guimarães. Dois casais envolvidos no crime foram identificados e presos pouco após a localização do corpo, em investigações coordenadas pela GCCO. Todos foram autuados em flagrante pelos crimes de receptação e associação criminosa.

Outra situação que a GCCO contribuiu para as investigações foi o roubo com cárcere privado cometido contra o filho de um empresário em Tangará da Serra. A vítima, um adolescente de 17 anos, foi abordada pelos criminosos no momento em que chegava da escola. Ele foi levado pelos suspeitos e encontrado horas mais tarde em uma região de mata na MT-358, no distrito de Progresso. As investigações apontaram quatro envolvidos no crime, sendo dois deles menores de idade, todos detidos.

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Investigações em Nova Bandeirantes

O primeiro semestre também foi marcado por um grande desafio nas investigações da GCCO no combate a roubos contra instituições financeiras, após alguns anos sem ocorrências de assaltos na modalidade Novo Cangaço. No dia 04 de junho, duas cooperativas de crédito de Nova Bandeirantes foram alvos de criminosos fortemente armados.

A GCCO assumiu as investigações e as buscas pelos criminosos são realizadas por uma força-tarefa montada pelas equipes de Segurança Pública do estado. No total, quatro envolvidos nos roubos foram presos e nove morreram em confrontos com equipes do Batalhão de Operações Policiais Especiais e Força Tática, sendo recuperados mais R$ 500 mil subtraídos das instituições financeiras.

O inquérito que apura os roubos às duas cooperativas de crédito está na fase final e deve ser concluído nas próximas semanas.

“Vamos continuar fazendo um trabalho de acompanhamento dessas organizações criminosas para impedir que os integrantes que vem praticando crimes em outras unidades da federação pratiquem novos crimes, buscando não só a integração como a interação com essas instituições para maior eficácia no combate ao crime organizado”, destacou o delegado. Durante as investigações, a equipe da GCCO descobriu o mandado de prisão em aberto contra um especialista em roubos contra instituições financeiras, que já encontrava-se preso na Penitenciária Central do Estado (PCE) por envolvimento em outros crimes. O suspeito de 37 anos é considerado de alta periculosidade, com várias passagens criminais, tanto em Mato Grosso quanto em outros estados da federação, sendo considerado um especialista em roubos a bancos, nas mais diversas modalidades.

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Segundo semestre

Vitor Hugo destaca que a estimativa para o segundo semestre é de que as ações sejam intensificadas, uma vez que as investigações nas diferentes áreas de atuação da GCCO têm evoluído, e a equipe está unida em busca das resoluções dos casos, conhecendo cada vez mais a realidade de cada situação investigada e tendo mais noção da atuação do crime organizado.

“O planejamento é deflagrar mais operações não só dentro das atribuições da unidade, como em apoio às delegacias do interior, dando continuidade ao trabalho feito no primeiro semestre no combate as organizações criminosas atuantes no estado”, destacou.

Já nos primeiros dias do mês de junho a GCCO em investigações realizadas em conjunto com a Delegacia de Paranatinga desarticulou uma organização criminosa atuante no furto e roubo de cargas de grãos em MT e SP.

Nas investigações, foram identificados desvios, furtos e roubos de cargas registrados em 40 boletins de ocorrência com a movimentação de R$ mais de 6 milhões pelo grupo criminoso. Os trabalhos deram cumprimento a 31 mandados de prisões e de buscas cumpridos em cidades dos estados de São Paulo e Paraná, totalizando a apreensão de 12 carretas.

O delegado agradeceu o empenho de toda equipe que não vêm medindo esforços no trabalho de repressão as organizações criminosas. “O comprometimento dos policiais tem sido essencial para os resultados que a GCCO vem alcançando e através que através dessa dedicação chegaremos a índices ainda maiores no combate ao crime organizado”, disse Vitor Hugo.

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Aeronave é apreendida com quase 300 kg de cocaína durante operação em Poconé

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Prejuízo total ao crime foi estimado em R$ 7 milhões, sendo a maior parte referente ao entorpecente

Nara Assis | Sesp-MT

Cocaína apreendida em aeronave, em Poconé – Foto por: Ciopaer

Uma aeronave foi apreendida com 278,51 kg de cloridrato de cocaína, na zona rural de Poconé (100 km ao Centro-Sul de Cuiabá), neste domingo (1º/08). A ação contou com a participação da Polícia Federal, Grupo Estadual de Segurança na Fronteira (Gefron), Polícia Militar (PM-MT) e Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer).

A aeronave de asa rotativa modelo Robson R44 foi encontrada durante uma operação deflagrada com o objetivo de combater organização criminosa envolvida com tráfico internacional de drogas realizado por via aérea. O esforço conjunto visa à repressão a voos ilícitos de pequenas aeronaves carregadas com drogas oriundas dos países produtores vizinhos.

Ao aproximar das coordenadas, a equipe do Ciopaer visualizou a aeronave R44 de matrícula PT-RMM, parcialmente destruída. Buscas nas proximidades foram feitas, em um raio de 10km, sem êxito na localização de suspeitos. Após pouso eventual e constatação de não haver vítima a bordo nem indícios de pessoas feridas, foi realizada apreensão de toda a substância.

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A ação contou ainda com apoio de policiais dos estados de Mato Grosso e Paraná. Diligências continuam para desarticulação de toda a organização criminosa. Os materiais foram encaminhados para a Polícia Federal de Cuiabá, para providências cabíveis.

O prejuízo total ao crime foi estimado em pouco mais de R$ 7 milhões (R$ 7.375.000,00), sendo R$ 6.950.000,00 referentes ao entorpecente e R$ 425 mil relacionado à aeronave.

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