POLITICA
“Prisão de Bolsonaro será ‘página infeliz da história do Brasil’, diz secretário da Casa Civil Fábio Garcia sobre julgamento no STF
JB News
Por Nayara Cristina
Cuiabá (MT) – O julgamento do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, que começa nos próximos dias no Supremo Tribunal Federal (STF), continua gerando repercussões em todo o país e encontra eco forte em Mato Grosso, estado considerado um dos principais redutos bolsonaristas do Brasil. Durante coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (1º), no lançamento da concessão de rodovias no estado, o secretário-chefe da Casa Civil, Fábio Garcia, fez duras críticas ao processo e classificou a possível prisão do ex-mandatário como “uma página infeliz da história do Brasil”.
Segundo Garcia, as medidas de monitoramento propostas pela Polícia Federal, incluindo a sugestão de presença de agentes dentro da residência de Bolsonaro — posteriormente rejeitada pela Procuradoria-Geral da República — já demonstram que há um direcionamento que pode levar à condenação e à prisão do ex-presidente. “Pelo que está sendo tomado de decisão, em especial com esse pedido da Polícia Federal de monitoramento intenso, inclusive com policiais dentro da casa do presidente Bolsonaro, isso leva a indicar que o presidente Bolsonaro pode ter um julgamento que o leve à prisão, infelizmente. Eu digo isso infelizmente porque eu não acredito que tenha havido um golpe de Estado e, portanto, acredito que a gente vai ter uma página bastante infeliz da história do Brasil se o Bolsonaro for preso”, declarou o secretário.
O posicionamento do chefe da Casa Civil reflete a indignação de parte da classe política de Mato Grosso, que se mantém ao lado do ex-presidente mesmo após a derrota nas urnas em 2022 e diante das acusações de tentativa de golpe de Estado. “Não acredito que tenha havido um golpe. O que estamos vendo é um processo que gera insegurança jurídica, que coloca o país em um cenário de divisão e de instabilidade política”, completou Garcia, em tom de descontentamento com o Judiciário.
O julgamento que se inicia no STF reúne Bolsonaro e outros sete réus apontados pela Procuradoria-Geral da República como integrantes do núcleo central de uma trama golpista. Eles respondem por crimes como organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado democrático de direito e golpe de Estado — acusações que podem levar o ex-presidente a cumprir até 46 anos de prisão. As sessões foram marcadas para ocorrer entre os dias 2 e 12 de setembro, sob a condução do ministro Cristiano Zanin, na Primeira Turma do Supremo.
A repercussão em Mato Grosso é intensa. O estado é governado por Mauro Mendes, que, junto de Fábio Garcia e outras lideranças locais, sempre manteve interlocução próxima com Bolsonaro. Para Garcia, o tratamento dado ao ex-presidente é desproporcional se comparado à realidade enfrentada pelo país no combate à criminalidade. “Quem precisa ser monitorado nesse país são os líderes de organização criminosa, os traficantes que tiram a vida de nossos jovens, os feminicidas. Não um ex-presidente da República que governou o país dentro das regras democráticas”, declarou o secretário.
Em meio ao acirramento das discussões políticas, a fala de Fábio Garcia ganha destaque por expor de forma clara a visão de uma ala significativa do cenário mato-grossense. Para ele, a prisão de Bolsonaro não apenas marcaria uma derrota política para seus apoiadores, mas representaria um trauma para a história nacional. “Não podemos transformar divergências políticas em sentenças que mudam o rumo da democracia. Se Bolsonaro for preso, o Brasil viverá uma de suas páginas mais infelizes”, reforçou.
A expectativa é de que o julgamento mobilize manifestações em diferentes estados, com especial atenção para Mato Grosso, onde a base bolsonarista continua ativa e organizada. Enquanto isso, em Brasília, a atenção se volta para a Corte Suprema, onde será decidido o destino político e jurídico de Jair Bolsonaro, em um processo que promete repercutir não apenas no cenário atual, mas também nos próximos capítulos da história democrática brasileira.
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Pivetta rebate críticas Lula, diz VLT era “inviável” e garante definição de veículo e entrega do novo modal até o fim do mandato, “ Um verdadeiro pepino” VEJA O VÍDEO
JB News
pir Nayara Cristina
lula critica “obra sem fim” em cuiabá, e pivetta reage ao embate sobre futuro do transporte coletivo
A recente troca de críticas entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador em exercício Otaviano Pivetta reacendeu um dos capítulos mais emblemáticos e prolongados da infraestrutura urbana de Mato Grosso: o impasse envolvendo os modais de transporte coletivo entre Cuiabá e Várzea Grande.
Durante agenda recente, Lula fez críticas diretas à descontinuidade do projeto do VLT e à substituição pelo BRT, classificando o caso como exemplo de obras públicas paralisadas e decisões que resultam em desperdício de recursos. O presidente citou, inclusive, o fato de os vagões originalmente adquiridos para Cuiabá terem sido vendidos ao governo da Bahia e hoje estarem em operação em Salvador. Para ele, a situação evidencia falhas de gestão e a interrupção de projetos por motivações políticas, ressaltando que, na capital mato-grossense, “nem o VLT, nem o BRT, nem qualquer solução está funcionando” .
A crítica ocorre sobre um histórico que se arrasta há mais de uma década. O VLT começou a ser implantado em 2012 como uma das principais obras de mobilidade para a Copa do Mundo de 2014, com previsão de ligar pontos estratégicos entre Cuiabá e Várzea Grande. No entanto, o projeto foi interrompido em 2015 em meio a investigações sobre irregularidades e suspeitas de fraudes, tornando-se símbolo de atrasos e problemas administrativos . Em 2020, o governo estadual decidiu abandonar definitivamente o modelo e substituí-lo pelo BRT, alegando inviabilidade econômica e técnica do sistema sobre trilhos.
Apesar da mudança, o BRT também não avançou no ritmo esperado. As obras seguem incompletas, com sucessivos entraves contratuais e operacionais, alimentando a percepção de um ciclo contínuo de indefinições. Dados recentes apontam que o novo sistema ainda não alcançou sequer um terço da execução prevista .
A resposta de Pivetta veio em tom firme. O governador rebateu as declarações do presidente e afirmou que Lula não possui conhecimento técnico suficiente para avaliar a viabilidade dos modais. Segundo ele, o VLT era “completamente inviável” desde sua concepção, destacando que houve erros estruturais no projeto, como a compra antecipada dos trens antes mesmo da conclusão da infraestrutura. Pivetta classificou o legado recebido como um “pepino” herdado de gestões anteriores e defendeu que a venda dos vagões foi uma solução para reduzir prejuízos e viabilizar um novo modelo de transporte mais moderno e eficiente .
O governador também afirmou que os recursos obtidos com a venda dos trens serão integralmente destinados à implantação de um sistema atualizado, com possibilidade de incorporar novas tecnologias e fontes energéticas, como etanol, biodiesel e energia solar. Embora mantenha o BRT como base, ele não descartou a análise de outros formatos de transporte coletivo, indicando que a decisão final ainda está em avaliação técnica.
O embate político ocorre em meio a uma população que convive há anos com obras inacabadas, desvios viários e a ausência de um sistema estruturado de mobilidade urbana. O caso do VLT/BRT tornou-se um símbolo local de promessas não cumpridas, mudanças de rumo e disputas entre diferentes gestões.
Agora, com o debate reaberto em nível nacional, a pressão aumenta para que o Estado finalmente apresente uma solução definitiva. Enquanto isso, Cuiabá e Várzea Grande seguem aguardando o desfecho de uma obra que começou há mais de uma década e que ainda não conseguiu sair do papel — independentemente do modal escolhido.
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