Economia

Por que o arroz, o feijão e o açúcar subiram de preço se não tem imposto?”, questiona governador

Publicados

em

Governo realizou audiência pública para que entidades explicassem motivos do aumento abusivo dos preços de alguns produtos

Julia Oviedo e Thielli Bairros | Secom-MT

Governador Mauro Mendes, secretário Rogério Gallo durante audiência pública para debater o ICMS em Mato Grosso – Foto por: Marcos Verguero/Secom-MT
A | A

O governador Mauro Mendes questionou os motivos de itens da cesta básica terem subido de preço este ano, uma vez que não há cobrança de ICMS nesses produtos.

O questionamento foi feito em audiência pública promovida pelo Governo do Estado na manhã desta quinta-feira (30.01), para discutir a nova legislação que reduziu os benefícios fiscais em Mato Grosso e que passaram a valer a partir deste ano em todo o estado.

Os representantes dos segmentos do comércio e de materiais de construção, todavia, não compareceram no evento para apresentar os motivos do aumento dos preços de alguns produtos, como é o caso dos itens que compõem a cesta básica. Com exceção da carne, o Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) continua a não ser cobrado sobre estes itens.

Leia Também:  JBS e Masterboi suspende fornecimento de carne ao Carrefour

Durante a audiência pública, o secretário de Estado de Fazenda, Rogério Gallo, citou o exemplo do açúcar cristal. Até o ano passado, o pacote de 2 kg do produto era vendido a uma média de R$ 3,50. Desse valor, R$ 2,76 era o preço de compra, restando R$ 0,74 de lucro para o supermercado. No entanto, o mesmo produto está sendo vendido por uma média de R$ 4,56.

O supermercado por conta própria aumentou sua margem de lucro de R$ 0,74 para R$ 1,80, mesmo o Estado não tendo cobrado um centavo sequer de ICMS.

“Quase não existe imposto em cima da cesta básica aqui em Mato Grosso. Assim sendo, não tem porque termos uma das cestas básicas mais caras do país. Isso precisa ser investigado. Por que o arroz, o feijão, açúcar subiram de preço se não tem imposto? O que não pode são algumas pessoas colocarem a culpa no governo de algo que o governo não fez”, pontuou o governador Mauro Mendes.

Materiais de construção

Na audiência pública, Gallo também detalhou a composição de preços de dois produtos utilizados na construção civil, para comprovar que não houve aumento de impostos, mas redução de benefícios fiscais para levar o Estado a um momento de isonomia e segurança jurídica.

Leia Também:  Governo de MT irá apresentar novo plano de custeio para a previdência estadual

No exemplo do porcelanato 60x60cm retificado, o valor de compra pelo comerciante é de R$ 26,00, mas houve aumento para o consumidor de R$ 38,90 para R$ 43,90. O valor de ICMS a recolher, no entanto, foi de R$ 3,16 para R$ 4,64, ou seja, a margem de lucro saltou de R$ 9,74 para R$ 13,26. O preço estimado mantendo a margem de lucro seria de R$ 40,38.

Em outro exemplo, de válvula para mictório, o produto que é comprado pelo comerciante a R$ 21,00 é vendido a mais de R$ 140,00. O secretário de Fazenda esclareceu que todos estes valores são reais, constantes em documentos fiscais da secretaria.

COMENTE ABAIXO:

AGRONEGÓCIOS

“Fim do Fethab 2 reflete nos investimentos de infraestrutura, logística estabilidade econômica em MT” diz Max Russi ao citar momentos de contribuição e dificuldades do Agro, VEJA O VÍDEO

Publicados

em

Por

JB News

por Nayara Cristina

A decisão de encerrar a cobrança do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (FETHAB 2) a partir do próximo ano marca uma inflexão importante na política econômica de Mato Grosso e sinaliza um novo momento de maturidade fiscal e estrutural do estado. O tema ganhou força após articulações conduzidas pelo vice-governador Otaviano Pivetta junto à classe empresarial do agronegócio, em uma série de reuniões e diálogos diretos com lideranças do setor produtivo.

Nos bastidores, a sinalização de Pivetta foi clara: o Estado não pretende mais sustentar a infraestrutura com base em contribuições extraordinárias. A fala, segundo relatos de participantes dessas discussões, ocorreu em tom de segurança fiscal e confiança na capacidade atual de investimento do governo, indicando que Mato Grosso já atingiu um nível de organização que permite abrir mão do adicional do fundo sem comprometer obras e serviços.

Criado como mecanismo emergencial para financiar obras estruturantes, o adicional do FETHAB incidiu principalmente sobre a produção agropecuária e, ao longo dos últimos anos, movimentou cifras bilionárias. Embora os valores variem conforme a produção e o mercado, estimativas baseadas na arrecadação recente indicam que o fundo — especialmente em sua modalidade adicional — representa algo entre R$ 800 milhões e R$ 1 bilhão por ano.

Leia Também:  RGA de MT será votada em sessão extraordinária nesta terça-feira (21)

Com o fim da cobrança, a renúncia fiscal projetada é significativa. Em um horizonte de três a quatro anos, o Estado pode deixar de arrecadar entre R$ 2,5 bilhões e R$ 3 bilhões, considerando um cenário conservador. Ainda assim, a avaliação interna do governo é de que o impacto é absorvível diante do equilíbrio das contas públicas e do avanço já consolidado na infraestrutura estadual.

A recepção por parte do setor produtivo foi, majoritariamente, positiva. Produtores e representantes do agronegócio interpretaram o posicionamento como um gesto de reconhecimento ao momento econômico enfrentado pelo campo, marcado por custos elevados, crédito mais restrito e margens pressionadas. Ao mesmo tempo, a medida foi vista como um reforço na previsibilidade e na segurança jurídica — fatores considerados estratégicos para novos investimentos.

Na avaliação do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Max Russi, o encerramento do FETHAB 2 reflete exatamente esse novo estágio vivido pelo estado. Segundo ele, não há perspectiva de que o tema avance no Legislativo sem uma iniciativa formal do Executivo.

Leia Também:  Edma Macedo é eleita presidenta do PT em Cuiabá e Lúdio comemora: "partido sai mais forte"

“O projeto não deve sequer chegar à Assembleia para prorrogação. Esse debate só existiria se houvesse interesse do governo, e isso teria que acontecer ainda este ano”, afirmou.

Max Russi também destacou que a retirada do fundo dialoga com o atual cenário do setor agropecuário e com os avanços já alcançados na infraestrutura. Para o parlamentar, Mato Grosso conseguiu transformar os recursos arrecadados em obras concretas, como pavimentação de rodovias e estruturação de corredores logísticos, criando uma base sólida para sustentar o crescimento sem a necessidade de manter cobranças adicionais.

O fim do FETHAB 2, nesse contexto, consolida uma mudança de modelo: de um estado que dependia de fundos extraordinários para acelerar investimentos para outro que passa a operar com planejamento de longo prazo, equilíbrio fiscal e maior capacidade de atração de capital privado. O desafio, a partir de agora, será manter o ritmo de expansão da infraestrutura diante da renúncia bilionária, sem comprometer a competitividade que colocou Mato Grosso como protagonista do agronegócio nacional.

Veja :

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

CUIABÁ

VÁRZEA GRANDE

POLÍTICA

POLICIAL

MAIS LIDAS DA SEMANA