Mulher
Políticas públicas para mulheres são apresentadas em curso de formação para novos servidores
As políticas públicas do Ministério das Mulheres foram apresentadas aos alunos do Programa de Formação Inicial do 1º Concurso Público Nacional Unificado (CPNU), nesta quinta-feira (10), pela ministra das Mulheres, Márcia Lopes. A metodologia do curso prevê a realização de palestras com especialistas de diversas áreas para promover a troca de experiências e abordagens mais atuais sobre os temas em discussão. A ministra ressaltou a importância do servidor público como instrumento de transformação e contou que compôs a equipe responsável pela criação da carreira de Analista Técnico de Políticas Sociais (ATPS).
“As políticas para as mulheres são fruto de uma longa trajetória de lutas sociais e de compromisso com a igualdade. Fico muito satisfeita em ver este tema das políticas sociais presente em um curso de formação para servidoras e servidores. Participei da criação da carreira de ATPS, em 2009, porque acredito que, para enfrentar desigualdades históricas no nosso país, são necessárias carreiras estratégicas dentro do setor público. Isso exige preparo técnico e compromisso com a transformação social. Certamente sairão daqui servidores mais engajados com políticas de promoção da justiça social, equidade e garantia de direitos, especialmente para mulheres”, afirmou a ministra.
Márcia Lopes também pontuou aspectos fundamentais para a construção de políticas públicas que atendam às reais necessidades da população. “Quando alguém atua numa política pública, o orçamento é importante, mas a metodologia, a visão, a expectativa do resultado e a análise dos dados são fundamentais para o bom diagnóstico. É preciso responder algumas perguntas como: qual a densidade populacional? Quantas mulheres? Quantos jovens? Tem pessoas com deficiência? Qual a renda? Qual o percentual de famílias com acesso à política? Se não temos isso, como podemos projetar, analisar e pensar?”, indagou a ministra.
Entre os exemplos de políticas públicas voltadas à promoção da igualdade de gênero, estão o fortalecimento da Casa da Mulher Brasileira e do Ligue 180, que integram a rede de enfrentamento à violência contra as mulheres em todo o país. Também se destacam a Política e o Plano Nacional de Cuidados, que buscam reduzir a sobrecarga do trabalho de cuidado não remunerado majoritariamente assumido por mulheres; e a implementação da Lei de Igualdade Salarial, sancionada em 2023 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para enfrentar as desigualdades entre mulheres e homens no trabalho.
Programa de Formação Inicial
O Programa de Formação Inicial é uma etapa obrigatória, classificatória e eliminatória do 1º Concurso Público Nacional Unificado (CPNU), que tem por objetivo preparar os novos servidores e servidoras para o exercício de funções públicas estratégicas. Coordenado pela Escola Nacional de Administração Pública (Enap), o curso conta com carga horária entre 380 e 580 horas, a depender da carreira, e ocorre em regime de tempo integral, com aulas presenciais e metodologias ativas, como estudos de caso, laboratórios e simulações. Entre os conteúdos abordados estão temas como Estado, democracia, direitos humanos, combate às desigualdades, ética e comunicação pública. A proposta é alinhar formação técnica e compromisso com o interesse público, fortalecendo a capacidade do Estado em formular e implementar políticas públicas inclusivas e efetivas.
A secretária-executiva do Ministério das Mulheres, Eutalia Barbosa, também participou da atividade e reforçou que o concurso público é essencial para garantir a força e a continuidade das políticas públicas. “É o concurso que garante a potência de uma política pública na vida das pessoas. Com força de trabalho, financiamento e um bom projeto, as políticas ganham escala e geram impacto positivo e real na vida das pessoas – e esse é o objetivo do serviço público”, destacou.
Fonte: Ministério das Mulheres
Mulher
Ministra Márcia Lopes participa da I Cúpula Brasil-Espanha e firma memorando para avançar no enfrentamento à violência de gênero
A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, participou nesta sexta-feira (17/4), em Barcelona, da I Cúpula Brasil-Espanha, que reuniu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, além de autoridades, com o objetivo de fortalecer a parceria entre os dois países. O encontro foi realizado no Palácio de Pedralbes.
Durante a cúpula, foi assinado um Memorando de Entendimento com a ministra da Igualdade da Espanha, Ana Redondo García, voltado à promoção da igualdade de gênero e ao enfrentamento da violência contra as mulheres.
A Espanha é considerada referência internacional na área e registrou, em 2024, o menor número de casos de violência de gênero de sua série histórica.
Na troca de experiências, o Brasil apresentará à Espanha a estratégia do Pacto Brasil entre os Três Poderes de Enfrentamento do Feminicídio e outras iniciativas voltadas à proteção das mulheres, como o Programa Mulher Viver Sem Violência, que prevê o fortalecimento dos canais de denúncia (Ligue 180), a implantação de Casas da Mulher Brasileira — que reúnem, em um só local, vários serviços de apoio e orientação às mulheres vítimas de violência —, os Centros de Referência da Mulher Brasileira e outras políticas públicas voltadas ao cuidado e à autonomia econômica feminina.
Para a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, o fortalecimento da cooperação internacional reforça o compromisso do governo brasileiro com a promoção dos direitos das mulheres.
“O memorando representa um passo importante para fortalecer a cooperação internacional na promoção da igualdade de gênero e no enfrentamento da violência contra as mulheres, ampliando a troca de experiências e o desenvolvimento de políticas públicas mais eficazes”, afirmou a ministra Márcia Lopes.
Entre os principais encaminhamentos do encontro bilateral estão a criação de um grupo de trabalho para monitorar a implementação do acordo e a realização de intercâmbios técnicos entre especialistas dos dois países.
Protocolos de atendimento humanizado
A cooperação bilateral abrange temas como prevenção à violência, enfrentamento à misoginia no ambiente digital, promoção de masculinidades não violentas e fortalecimento de sistemas integrados de proteção às mulheres. Também estão previstas trocas de experiências sobre canais de denúncia e atendimento remoto, como o Ligue 180, no Brasil, e o 016, na Espanha, além de protocolos de atendimento humanizado.
Sistemas de monitoramento de riscos
Outro eixo prioritário do acordo assinado é o acesso à justiça, com interesse brasileiro no aprofundamento técnico sobre o sistema espanhol VioGén, que monitora e classifica riscos de violência por meio de ferramentas tecnológicas, permitindo respostas mais rápidas e integradas entre instituições.
A agenda inclui ainda a proteção de mulheres migrantes, com foco na construção de fluxos de atendimento para brasileiras na Espanha, e a capacitação de operadores do sistema de justiça, com intercâmbio sobre tribunais especializados em violência de gênero.
Fortalecimento das estratégias de prevenção
O Brasil também demonstra interesse em fortalecer estratégias de prevenção que atuem diretamente na formação de valores e comportamentos, com destaque para o ambiente educacional e o esporte como espaços centrais de transformação social.
No campo da educação, a prioridade é promover a igualdade de gênero desde a educação básica, por meio de ações de formação, projetos pedagógicos e fortalecimento de redes, contribuindo para a prevenção da violência e o enfrentamento do racismo e de outras desigualdades estruturais.
De forma complementar, o país busca conhecer experiências que utilizem o esporte como ferramenta de mudança cultural, reconhecendo seu papel na socialização e na construção de identidades, especialmente entre homens, e seu potencial para promover valores alinhados à equidade e à não violência.
Dignidade menstrual
Na área de dignidade menstrual, o Brasil busca compartilhar e aprimorar políticas públicas. Dados apontam que uma em cada quatro meninas falta à escola durante o período menstrual, e cerca de 4 milhões enfrentam precariedade de higiene nas escolas. Apesar do avanço do Programa Dignidade Menstrual, apenas 14% do público estimado acessa regularmente o benefício, o que indica desafios como falta de informação, barreiras operacionais e persistência de estigmas.
A agenda inclui também discussões sobre democracia, multilateralismo e participação social.
“Foi uma viagem muito produtiva com relação à nossa expectativa de futuro. Queremos um mundo sem guerra, queremos um mundo de paz, um mundo onde as democracias de fato se realizem e a população se sinta sempre muito envolvida, muito engajada e com seus direitos garantidos”, concluiu a ministra.
Sobre a I Cúpula Brasil-Espanha
A I Cúpula Brasil-Espanha, realizada em Barcelona neste mês de abril, é um desdobramento do diálogo bilateral realizado em 2025, em Madri, para fortalecer a parceria estratégica entre os dois países, com foco na defesa do multilateralismo e na ampliação da cooperação internacional em áreas como igualdade de gênero, transição energética e desenvolvimento econômico.
Fonte: Ministério das Mulheres
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