Saúde
Política Nacional de Saúde da População Negra é apresentada a gestores municipais
Como implementar soluções nacionais que se conectem às necessidades locais para fortalecer a realização da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNSIPN) nos municípios brasileiros? Esse foi o questionamento do chefe da Assessoria Especial para Equidade Racial em Saúde, Luís Eduardo Batista, do Ministério da Saúde, ao participar da reunião da diretoria executiva do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems). O evento ocorreu nesta quarta-feira (26), em Brasília.
“Eu não tenho a resposta. Por isso, precisamos dialogar e considerar que estamos em uma perspectiva de gestão tripartite, na qual a responsabilidade de implementação da PNSIPN é dos três entes governamentais”, disse.
Batista destacou a formação da população brasileira composta, atualmente, por mais de 56% de pessoas autodeclaradas negras e relacionou o processo de saúde-doença-morte a determinantes sociais, econômicos, ambientais e políticos.
Luís Eduardo destacou, ainda, o Painel Saúde da População Negra, lançado pelo ministério no ano passado, como uma importante fonte de informação para os tomadores de decisão nas gestões municipais. Ele aponta que, apenas 371, dos 5.570 municípios brasileiros contam com setor para coordenar e monitorar as ações de saúde voltadas para a população negra.
Já os resultados preliminares do Inquérito sobre a implementação da PNSIPN nos municípios e estados brasileiros indicam que 50% das pessoas que responderam às questões abertas do questionário, veem a política com indiferença.
O presidente do Conasems, Hisham Mohamad Hamida, assegurou que o Conselho está atento à missão de facilitar, aumentar e assegurar o acesso à saúde, bem como, respeitar os princípios de universalidade, integralidade e equidade do SUS, considerando as especificidades da população. Mas lembrou que a política de financiamento tem sobrecarregado os orçamentos municipais e se tornado um grande desafio para os gestores.
Missão
A Assessoria Especial para Equidade Racial em Saúde tem como missão estruturar, articular, desenvolver e monitorar ações de enfrentamento ao racismo institucional e a promoção de práticas antirracistas com visas à efetivação e ao fortalecimento da PNSIPN.
Waleska Barbosa
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
Saúde
Da ciência ao cuidado: Ministério da Saúde debate estratégias para acelerar o acesso à inovação nos serviços do SUS
Inovação em saúde, pesquisas clínicas, inteligência artificial, terapias avançadas e tecnologias de ponta ocuparam o centro do debate público durante a realização da Feira SUS Inova Brasil. O evento foi promovido pelo Ministério da Saúde, em parceria com a Prefeitura do Rio de Janeiro, na capital carioca nesta sexta-feira (17/04). A programação contou com espaços de conexões e painéis temáticos que reuniu representantes da sociedade civil e especialistas do setor público e privado.
A secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação do Ministério da Saúde, Fernanda De Negri, ressaltou que o evento soma-se aos esforços do Governo do Brasil para acelerar o caminho entre o que é produzido no país e a disponibilização no sistema público. O debate, destacou a secretária, precisa ser feito com a participação direta de gestores municipais e estaduais para construir estratégias cada vez mais integradas e colaborativas.
Entre as medidas já adotadas, está o apoio às pesquisas clínicas. “É a partir delas que a gente vai conseguir testar essas novas tecnologias que estão sendo feitas. E, quanto mais a gente for eficiente nesse processo, mais a gente consegue aproximar e trazer essas tecnologias para o uso efetivo no sistema de saúde lá na ponta”, enfatizou.
Outra ação destacada por Fernanda De Negri foi a implementação do Programa Nacional de Inovação Radical. Realizado em conjunto com o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), a inciativa tem o objetivo de impulsionar o conhecimento científico em soluções concretas, por meio de medicamentos, tratamentos e dispositivos que atendam às necessidades do Sistema Único de Saúde (SUS). “As ações são justamente para acelerar e reduzir esse gap entre a pesquisa e a inovação, e o uso dessa inovação no sistema público de saúde”, concluiu.
Caminhos da inovação aplicada
Quatro outros painéis também integraram o evento. O primeiro foi dedicado à saúde digital. Nele, especialistas discutiram como o uso eficiente de dados, da inteligência artificial e da medicina de precisão podem apoiar a modernização do SUS e, consequentemente, contribuir para a diminuição de custos. O debate mostrou que a análise qualificada dessas informações já orienta a criação de políticas públicas e apoia gestores locais a tomar decisões mais rápidas, seguras e eficientes, impulsionando novas formas de inovar na saúde pública.
O segundo painel destacou a importância de transformar resultados de pesquisas em soluções reais para o SUS, por meio da pesquisa clínica, da avaliação de novas tecnologias e da inovação em saúde. Os debatedores apontaram oportunidade para avançar em questões regulatórias, de organização dos serviços e de parcerias estratégicas para que essas inovações sejam adotadas em larga escala.
Tecnologia que transforma
A discussão sobre inovação em saúde avançou com o debate sobre o Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS) e seu papel na redução das desigualdades regionais no país. Especialistas destacaram que políticas públicas orientadas às características de cada território podem impulsionar o desenvolvimento produtivo local, fortalecer cadeias estratégicas do SUS e gerar impacto social direto nas comunidades. A aposta em soluções que dialogam com as realidades das regiões brasileiras foi apontada como caminho para ampliar a equidade, promover autonomia tecnológica e consolidar um modelo de inovação capaz de responder às necessidades concretas da população.
O último painel foi em torno de como o cuidado com pacientes com câncer está mudando com a novas tecnologias, que vão desde exames mais precisos, como os que usam biomarcadores e biossensores, até tratamentos avançados, como a terapia CAR-T, que usa as próprias células de defesa do paciente para atacar o tumor. O diálogo reforçou que unir diagnósticos mais confiáveis a terapias inovadoras é fundamental para que o SUS consiga adotar essas novidades de forma sustentável e para um número cada vez maior de pessoas.
Conexões
A programação contou ainda com espaços de conexão. Foi nesse ambiente que a mestranda em Gestão de Competitividade e Saúde, Ariane Volin, de 44 anos, natural do Pará e atualmente morando em São Paulo, encontrou oportunidade de compreender melhor os estágios da inovação no Brasil, especialmente no que diz respeito à pesquisa e à aplicação de práticas de governança.
Para ela, a feira é uma vitrine e um momento oportuno para aprofundar seu olhar sobre gestão. “O conteúdo apresentado contribui diretamente para minha pesquisa sobre governança pública em projetos. Estou acompanhando temas como privacidade, segurança da informação e a aplicação prática do conhecimento”, ressaltou Ariane.
Assista aos debates da Feira SUS Inova Brasil
Janine Russczyk
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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