Polícia Federal
PF investiga fraudes em aposentadorias envolvendo servidores da Funai e lideranças indígenas
JB News
Por Nayara Cristina
A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira 29.01, a segunda fase da “Operação Sangradouro” em Barra do Garças, no interior de Mato Grosso, que investiga fraudes relacionadas à obtenção ilegal de aposentadorias.
O esquema envolveu servidores da Fundação Nacional do Índio (Funai) e lideranças indígenas que ajudaram a conceder aposentadorias fraudulentas a 552 pessoas que se passavam por indígenas, resultando em um prejuízo estimado de R$ 64 milhões aos cofres públicos.
Mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos em Barra do Garças, Piranhas (GO) e no Distrito Federal. Entre os materiais apreendidos estão documentos, uma arma e munições.
A operação, que teve início em 2023, revela a adulteração de documentos, como o Registro Administrativo de Nascimento de Indígenas (RANI), para permitir a concessão de aposentadorias rurais a falsos indígenas, que passaram a receber os benefícios indevidos.
O esquema ainda envolvia a utilização desses documentos adulterados para obter CPF, RG e outros registros públicos, os quais eram usados para solicitar aposentadorias ilegais no INSS.
Após as concessões, os beneficiários fraudavam ainda mais a situação ao contratar empréstimos consignados, ampliando o impacto financeiro da fraude.
A Polícia Federal estima que o total de prejuízos pode superar R$ 260 milhões, caso sejam considerados os anos de pagamentos indevidos. A operação visa desarticular a rede criminosa e interromper os pagamentos fraudulentos.
Os suspeitos, que podem ser responsabilizados por falsificação de documentos, estelionato previdenciário e organização criminosa, ainda devem enfrentar novas investigações.
Polícia Federal
Ex-assessor de ministras preso pela PF vazou informações sigilosas e monitorava delegado em esquema com lobista de MT
JB News
Por Emerson Teixeira
Ex-assessor é preso após monitorar delegado e vazar decisões judiciais em esquema milionário de corrupção
A prisão de Márcio José Toledo Pinto, realizada pela Polícia Federal no fim da tarde desta terça-feira (31), elevou o nível de gravidade das investigações da Operação Sisamnes e revelou novos elementos sobre um suposto esquema de corrupção e venda de decisões judiciais em instâncias superiores. Apontado como peça-chave na engrenagem criminosa, o ex-assessor é acusado de receber cerca de R$ 4 milhões do lobista Anderson de Oliveira Gonçalves para manipular informações e atuar em processos de interesse privado.
A nova ordem de prisão preventiva foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Cristiano Zanin, após a Polícia Federal apresentar indícios adicionais colhidos a partir da análise do celular do investigado. Inicialmente, o pedido de prisão temporária havia sido negado, mas o avanço das investigações levou à decretação da medida mais rigorosa.
Um dos pontos mais graves identificados pela Polícia Federal foi o monitoramento de um delegado responsável pelo caso. O próprio investigador percebeu que estava sendo seguido, realizou a abordagem e identificou Márcio. Para os agentes, a conduta configura tentativa de obstrução das investigações.
Segundo relatos, o ex-assessor alegou que apenas acompanhava o delegado porque ele estaria utilizando um veículo apreendido, justificativa que não convenceu os investigadores.
De acordo com relatório enviado ao STF, Márcio foi indiciado por violação de sigilo funcional e corrupção passiva. As investigações apontam que ele produziu minutas e decisões com base em jurisprudências para atender interesses de terceiros, além de vazar informações sigilosas de gabinetes ligados a tribunais superiores.
Márcio já havia sido alvo de busca e apreensão na primeira fase da Operação Sisamnes, deflagrada em novembro de 2024. Ele atuou nos gabinetes das ministras Nancy Andrighi e Isabel Gallotti.
As quebras de sigilo bancário indicaram que o lobista teria repassado cerca de R$ 4 milhões ao investigado por meio de uma empresa em nome da esposa de Márcio, reforçando a suspeita de pagamento por favorecimento em decisões judiciais.
Apesar da gravidade do caso, o novo relatório elaborado pelo delegado José Heloíse dos Santos Neto aponta que não há, até o momento, indícios de participação de ministros de tribunais superiores no esquema.
A defesa do investigado ainda não se manifestou. Em declarações anteriores, Márcio negou envolvimento nas irregularidades.
A prisão aprofunda a crise envolvendo suspeitas de corrupção no Judiciário e coloca sob pressão um dos esquemas mais sensíveis já investigados pela Polícia Federal nos últimos anos.
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