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PF cumpre mandados em Cuiabá e investiga vendas de sentenças no Judiciário de MS e no MT

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Da Redação

Na manhã desta quinta-feira,24, a Polícia Federal de Mato Grosso do Sul lançou a “Operação Ultima Ratio”, voltada para investigar crimes de corrupção no Poder Judiciário, relacionados à venda de decisões judiciais.

Ao todo, estão sendo cumpridos 44 mandados de busca e apreensão em diversas localidades, incluindo Campo Grande (MS), Brasília (DF), São Paulo (SP) e Cuiabá (MT). Um dos locais onde aconteceu uma das batidas da PF em Cuiabá, foi no Alphaville,  condomínio de luxo na capital. A PF ainda não divulgou o nome da pessoa envolvida que recebeu a visita dos agentes federais nesta manhã.

Os envolvidos são suspeitos de integrar uma organização criminosa e respondem por crimes como lavagem de dinheiro, extorsão e falsificação de documentos, como escrituras públicas.

Em Campo Grande, a operação se concentra em parte no bairro Jardim Itália, onde a Polícia Federal cumpriu um dos mandados.

A ação de hoje é um desdobramento da “Operação Mineração de Ouro”, deflagrada em 2021, que já havia identificado provas ligadas às práticas ilícitas em questão, onde levou o afastamento de alguns conselheiros do Tribunal de Contas  em MS, entre eles estão Waldir Neves, Iran Coelho e Ronaldo Chadid.

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O Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou medidas restritivas para servidores públicos envolvidos, incluindo o afastamento de suas funções, a proibição de acesso a órgãos públicos, restrições de comunicação com outros investigados, além da aplicação de monitoramento eletrônico.

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Ex-assessor de ministras preso pela PF vazou informações sigilosas e monitorava delegado em esquema com lobista de MT

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Por Emerson Teixeira

 

Ex-assessor é preso após monitorar delegado e vazar decisões judiciais em esquema milionário de corrupção

A prisão de Márcio José Toledo Pinto, realizada pela Polícia Federal no fim da tarde desta terça-feira (31), elevou o nível de gravidade das investigações da Operação Sisamnes e revelou novos elementos sobre um suposto esquema de corrupção e venda de decisões judiciais em instâncias superiores. Apontado como peça-chave na engrenagem criminosa, o ex-assessor é acusado de receber cerca de R$ 4 milhões do lobista Anderson de Oliveira Gonçalves para manipular informações e atuar em processos de interesse privado.

A nova ordem de prisão preventiva foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Cristiano Zanin, após a Polícia Federal apresentar indícios adicionais colhidos a partir da análise do celular do investigado. Inicialmente, o pedido de prisão temporária havia sido negado, mas o avanço das investigações levou à decretação da medida mais rigorosa.

Um dos pontos mais graves identificados pela Polícia Federal foi o monitoramento de um delegado responsável pelo caso. O próprio investigador percebeu que estava sendo seguido, realizou a abordagem e identificou Márcio. Para os agentes, a conduta configura tentativa de obstrução das investigações.

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Segundo relatos, o ex-assessor alegou que apenas acompanhava o delegado porque ele estaria utilizando um veículo apreendido, justificativa que não convenceu os investigadores.

De acordo com relatório enviado ao STF, Márcio foi indiciado por violação de sigilo funcional e corrupção passiva. As investigações apontam que ele produziu minutas e decisões com base em jurisprudências para atender interesses de terceiros, além de vazar informações sigilosas de gabinetes ligados a tribunais superiores.

Márcio já havia sido alvo de busca e apreensão na primeira fase da Operação Sisamnes, deflagrada em novembro de 2024. Ele atuou nos gabinetes das ministras Nancy Andrighi e Isabel Gallotti.

As quebras de sigilo bancário indicaram que o lobista teria repassado cerca de R$ 4 milhões ao investigado por meio de uma empresa em nome da esposa de Márcio, reforçando a suspeita de pagamento por favorecimento em decisões judiciais.

Apesar da gravidade do caso, o novo relatório elaborado pelo delegado José Heloíse dos Santos Neto aponta que não há, até o momento, indícios de participação de ministros de tribunais superiores no esquema.

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A defesa do investigado ainda não se manifestou. Em declarações anteriores, Márcio negou envolvimento nas irregularidades.

A prisão aprofunda a crise envolvendo suspeitas de corrupção no Judiciário e coloca sob pressão um dos esquemas mais sensíveis já investigados pela Polícia Federal nos últimos anos.

 

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