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Pecuaristas do pantanal temem que plano para retomada da econômica esbarre na inércia do órgão ambiental

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PECUÁRIA PANTANEIRA

 JB News

Por Caroline Rodrigues

Parte dos pantaneiros tiveram acesso ao FCO para reconstrução de cercas e currais, mas a limpeza dos campos ainda é uma incógnita

Os produtores rurais do Pantanal Mato-grossense já começaram a acessar os recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO). Eles passaram a ser prioridades nos repasse dos investimentos após publicação do Plano Emergencial de Recuperação da Pecuária Pantaneira em outubro deste ano.

Com o dinheiro, estão reconstruindo cercas e currais queimados pelos incêndios florestais, bem como tanques e poços, já que as primeiras chuvas não afastaram de vez a estiagem e a região está sofrendo com a falta d’água.

Segundo o representante do Sindicato Rural de Poconé, Raul Santos Costa Neto, integrante do grupo Guardiões do Pantanal, as medidas foram fruto de muitas negociações e da dedicação do secretário da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), Cesar Miranda, que teve empatia com a situação dos moradores da região.

Miranda, técnicos da Sedec e responsáveis pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) participaram de uma reunião no final de agosto para discutir ações de retomada econômica e preservação do Pantanal Mato-grossense.

No encontro, foram definidos dois grupos, sendo que a Sedec atuaria nas ações econômicas e a Sema lideraria a elaboração das propostas ambientais.

Em 15 de outubro, a proposta econômica foi publicada em Diário Oficial após ampla discussão com todos os envolvidos. E, a ambiental, ainda não se tem previsão.

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Neto explica que uma ação esbarra na outra, tendo em vista que, para o próximo ano, está sendo trabalhada uma linha de financiamento específica para o Pantanal. Contudo, não tem como captar os recursos para limpeza de campos porque ainda não há a regularização da Lei 8.830, aprovada em 2008, que permite a ação.

A medida, aguardada há 12 anos, é essencial para a retomada da atividade e para que se evite novos incêndios ambientais como os registrados este ano. As plantas invasoras são um problema antigo e responsáveis por vários problemas como a redução dos pastos, acúmulo de matéria orgânica – com alto poder de combustão – nos pastos e ainda o êxodo de pecuarista.

Entenda o plano de ação

 

O plano emergencial contempla ações imediatas e para o próximo ano. Raul Santos Costa Neto explica que, no primeiro momento, a Sedec teve que trabalhar com o recurso que já estava gerindo, pois não tinha como captar outros em um curto período.

Então, o órgão deu prioridade nos pagamentos das cartas contempladas pelo FCO para os pecuaristas pantaneiros, além de transferir para os projetos rurais cerca de R$150 milhões, valor remanescentes na linha empresarial do fundo.

Vale lembrar que os recursos do FCO são encaminhados pelo governo Federal, gerenciados pelo governo estadual e operacionalizados pelo Banco do Brasil.

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Além do fundo, o plano também deu um socorro em relação às dívidas, vencidas ou adquiridas, que puderam ser prorrogadas, dando assim um fôlego na hora do empresário rural se reconstruir.

O que esperar de 2021

 

Agora, para o próximo ano, vários encaminhamentos dão esperança de mais investimentos. Outra expectativa é a criação de um FCO específico para o Pantanal, que atenderá MT e MS. O valor estimado seria de R$180 milhões, divididos entre os dois estados.

Existe ainda a possibilidade de se construir uma espécie de fundo específico para região, no qual os pecuaristas tenham um percentual de juros menor.

Carne certificada

 

O plano contempla ainda uma parceria com o Instituto Mato-grossense da Carne (IMAC) para certificação do gado pantaneiro. A ideia é agregar valor ao produto já que a existência dele na região é essencial para a preservação do bioma.

A forma de manejo diferenciada é outro atributo, que na visão dos técnicos e dos produtores, precisa ser valorizada pelo mercado.

Mais uma medida presente no plano é a manutenção das Rodovia Transpantaneira, bem como as estradas vicinais para facilitar a logística. A ação ficará a cargo da Secretaria de Estado de Infraestrutura (Sinfra).

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Projeto abre inscrições para capacitar empreendedoras negras de Cuiabá

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Esta é uma ação cultural com resgate das heranças culturais e históricas deixadas pelas pretas quituteiras e proprietárias das tabernas do centro histórico de Cuiabá 

 

 

Por Beatriz Saturnino 

 

Estão abertas as inscrições gratuitas do projeto “Potências Negras de Cuiabá: estratégias femininas – Passado e Presente”, financiado pela Lei Aldir Blanc, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, que realizará seis encontros, com palestras, debates e oficinas, entre os dias 08 e 13 de março, para ensinar mulheres a atuarem e administrarem em seus negócios. O público alvo é a mulher negra, empreendedora, atuante na sociedade cuiabana, que tiveram e têm dificuldades em gerir os seus negócios neste cenário de pandemia da Covid-19.  

 

 

Esta é uma ação cultural que busca, por meio do resgate das heranças culturais e históricas deixadas pelas pretas quituteiras e proprietárias das tabernas do centro histórico de Cuiabá (MT), fortalecer e reestruturar as redes culturais e produtivas das empreendedoras negras no presente.  

 

E dentre elas existe a historiadora e economista, Evanilda Maria Ramos dos Santos, a “Tina”, uma das palestrantes, que também será homenageada pelo importante trabalho de educação financeira que ela desenvolve nas periferias de Cuiabá e Várzea Grande, para promover a auto independência de mulheres. 

Tina é do Fórum Estadual de Mulheres Negras, com sede em Cuiabá, e a partir do projeto de educação financeira ela começou a criar parcerias, sem qualquer repasse de dinheiro público, e conseguiu uma estrutura de psicóloga, fisioterapeuta e nutricionista, para mulheres, principalmente aquelas que são vítimas de violência. Tudo isso na área da casa dela, pois não tinha outro lugar, e até fornece alimentação vindo também da horta criada no local. 

 

O Potências Negras é um projeto pensado para apresentar e trazer visibilidade social ao empreendedorismo das mulheres negras que valorizam os saberes ancestrais, bem como estratégias desses saberes na gestão cultural de seus negócios. Promovendo independência, valorização de autoestima, geração de emprego e renda, e, sobretudo, em um movimento cultural antirracista”, destaca a historiadora, mediadora e produtora do projeto, Silviane Ramos. 

 

Silviane é mestre pela Universidade Federal de Mato Grosso, e doutora pela Universidade Federal de São Carlos, ambos em História. Também é ativista das mulheres negras e empreendedoras culturais, sendo a primeira mulher a empreender um quilombo urbano na capital mato-grossense.  

Foi conselheira Nacional do Patrimônio Imaterial e tem longa carreira no que tange a preservação das festas de santos e outros desdobramentos do patrimônio imaterial. Fez diversos cursos no âmbito da cultura, sobretudo quilombola e é militante fundadora de diversas entidades estaduais acerca das manifestações negras como: Fórum Estadual de Mulheres Negras, Coletivo Herdeiras do Quariterê e Coletivo Maria Taquara.  

 

Além de Silviane, Tina e da proponente do projeto Potências Negras de Cuiabá, Letícia Oliveira, os encontros serão fomentados por um grupo de mulheres de peso, entre historiadoras, educadoras e cientistas sociais, bem como advogada, economista e ilustradora. 

 

PROGRAMAÇÃO  

 

A mediação das oficinas será feita pela proponente Letícia Oliveira, mestre em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2020), e que atua como produtora de ações culturais junto com a população negra e quilombola do estado de Mato Grosso. Centra seus estudos e projetos, especialmente, nas manifestações culturais e religiosas afro-brasileiras, patrimônio e memória da diáspora africana. 

 

O projeto começa no Dia Internacional da Mulher (08.03), com o tema “Os sentidos femininos de empreender”, onde as historiadoras Silviane Ramos e Joana Oliveira vão debater “Quem empreende cultura ancestral?”.  

 

O segundo encontro (09.03) traz “Evidências e heranças no centro histórico de Cuiabá”. Com a palestra: “O que ensinam nossas ancestrais? Mulheres negras e atuantes na sociedade cuiabana dos séculos passados”, por Silviane Ramos e ilustradora e historiadora, Cristina Soares. 

 

Na quarta-feira (10.03) é a vez da assistente social, Elis Regina Prates, e da Tina com o tema “Aprendendo como as nossas ancestrais”, e mediação por Silviane Ramos. Também haverá um ciclo de oficinas ensinando mulheres a atuarem e administrarem em seus negócios. 

 

No dia 11 de março, o encontro traz o tema “Apropriando-se das estratégias negras”, com um ciclo de oficinas ensinando mulheres a atuarem e administrarem em seus negócios, pela advogada Naryanne Ramos e a historiadora Silviane Ramos. 

 

“Você mulher negra, você mulher potência, venha participar desta roda de conversa e importante debate para o empreendedorismo e a valorização ancestral”, convida Letícia Oliveira. 

 

SERVIÇO  

 

As inscrições são gratuitas, destinadas aos interessados com idade a partir dos 18 anos, e devem ser feitas pelo e-mail potenciasnegrasdecuiaba@gmail.com. 

 

Os encontros acontecerão de forma virtual, com transmissão ao vivo pela página do Facebook, “Potências Negras de Cuiabá”, sempre às 19h. Ao final, quem concluir com 75% de presença, ganhará o certificado de seis horas, que será enviado de forma digital, por e-mail. Mais informações pelo Instagram @potencias_negras_de_cuiaba. 

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