OPINIÃO

Os laços da adoção

Por Max Russi

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JB News

A família é a unidade básica da sociedade, sendo estruturada de diversas formas e unida por laços de afetividade e amor. Mas e quando falta aquele elemento importantíssimo no núcleo familiar e sobra vontade de cuidar? Esse elemento é o filho que todo pai e toda mãe espera para que seu lar esteja completo. A resposta para o questionamento vem com outra pergunta, por que se adota tão poucas crianças em nosso estado? Se por um lado existe uma demanda de pais querendo filhos e não conseguindo, do outro há uma grande oferta de crianças em instituições querendo ter pessoas que zelem e deem o afeto que muitas vezes nunca tiveram.
Apenas para uma referência da situação, há 432 crianças e adolescentes em instituições em 83 instituições sociais e abrigos no estado. Em 2020, apenas 34 crianças foram adotadas em Mato Grosso. Claramente vemos um descompasso nessa situação que prejudica todos os envolvidos. Se todos os envolvidos procuram a mesma resolução o problema fica fácil de resolver, temos que desburocratizar o sistema de adoções e criar pontes no lugar de muros.
Em meu lar temos um exemplo de que a adoção vale a pena. Meu irmão, Lucas, foi adotado tardiamente mas isso não impediu que os laços do amor surgissem, tenho pais que tiveram a coragem de adotar e um irmão que teve a oportunidade de pertencer a uma família e o saldo disso tudo é fácil de calcular, todos ganharam.
No dia 25 de maio comemoramos o Dia Nacional da Adoção, acredito que a construção de novas políticas públicas voltadas para a adoção poderá reforçar o combate às condições adversas enfrentadas pelas entidades, ressalto também a importância de ações para orientação quanto aos procedimentos impostos às famílias que desejam adotar crianças e adolescentes em Mato Grosso, muitas vezes desconhecido pelos maiores interessados.
A mensagem que fica para mim, enquanto parlamentar, é que se podemos fazer política para melhorar a vida das pessoas isso tem que ser feito o quanto antes. Cada criança que é recebida em um lar se torna um cidadão melhor e mais estruturado, afinal família, independentemente de sua formação, é o sustentáculo do ser humano.

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Max Russi – Presidente da ALMT

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OPINIÃO

Os Saberes da Floresta

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Emanuel Filartiga

À mangueira do quintal de casa, que me segurou quando eu caí.

O Brasil perde 24 árvores por segundo. Parece não haver tempo para os órgãos de fiscalização ambiental chegarem a todos os alertas de desmatamento feitos pelos satélites que monitoram, pelas denúncias anônimas que chegam, pelas chamadas por telefone que tocam …

Não conheci meu avô, mas lembro da sua voz. Quando eu andava pelo quintal, curioso, ao puxar uma folha verde de uma planta, o som forte e rouco veio: “Não faça isso, menino!”

Meu irmão, sempre que o chão duro e as palavras de chumbo da vida nos apertam, convida-nos a ter com as árvores e a cachoeira. Quando sai de baixo da queda d’água ou do meio da mata, ele diz: “Alas, tava precisando”. Meu irmão sabe da ecologia de saberes de que nos fala Boaventura Sousa Santos.

Não nos esqueçamos que o Brasil é país que tem nome de árvore. Ela está no nosso DNA. Lembremos sempre, leitor amigo, em nosso sangue não há apenas plasma, hemácias, leucócitos e plaquetas; há seiva, terra e vida.

E é com a dor de terra sem mata, com o grito da árvore quando tomba, com o vazio que enche olhos, que eu quero lembrar a você, a você com as motosserras físicas ou imaginárias: a floresta em pé tem mais valor que os troncos, galhos e folhas deitados.

Não me venha falar que isso é desenvolvimento, globalização ou necessária exploração de recursos naturais. Não é isso que vemos. Só vemos serra, fogo, ranger, quebra e vazio; acima de tudo vazio. Vejo o solo vazio, a gente vazia e a memória vazia.

Na Odisseia de Homero, Ulisses não pode, nem sequer por um segundo, “esquecer o retorno”, mesmo com todos os obstáculos, com todas as aventuras, ele não pode esquecer de onde veio. A viagem nunca é só de ida. O desejo de um futuro a ser conquistado é garantido pela memória de um passado.

Como disse Ítalo Calvino, “…a memória conta realmente – para os indivíduos, as coletividades, as civilizações – só se mantiver junto a marca do passado e o projeto do futuro, se permitir fazer sem esquecer aquilo que se pretendia fazer, tornar-se sem deixar de ser, ser sem deixar de tornar-se.”

Somos, no interior e no início e para sempre, povo da floresta.

*Emanuel Filartiga é Promotor de Justiça em Mato Grosso

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