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Operação Abafa 2021 aplica R$ 2,5 milhões em multas por desmate ilegal com uso não autorizado do fogo

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Ação coordenada pelo Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso ainda permanece em andamento, integrada com as demais forças estaduais de segurança pública

Carlos Celestino | Secom-MT

Total de área fiscalizada via terrestre foi 981 hectares.
Foto por: Carlos Celestino|Secom-MT

Quatro fazendas foram alvos das fiscalizações na primeira semana da Operação integrada ‘Abafa Amazônia 2021’, deflagrada na última quinta-feira (07.10), na Região Norte de Mato Grosso. Em dois dias de ação, o valor de multas aplicadas chegou a R$ 2.583.000,00 aos infratores, donos de grandes propriedades na zona rural das cidades de Apiacás, Nova Bandeirantes e Nova Monte Verde, acusados de destruir 981 hectares de vegetação com uso do fogo durante o período proibitivo.

A realização deste trabalho é resultado do investimento de R$ 73 milhões realizado pelo Governo de Mato Grosso para as diversas ações de combate à temporada de incêndios florestais 2021. As instituições foram fortalecidas com equipamentos, veículos, dentre outras medidas para proteção dos Biomas que apresentaram satisfatória redução na incidência de focos de calor na vegetação: Pantanal 92%, Cerrado 53% e Amazônia 38%.

Essas propriedades entraram na mira da fiscalização após identificação de focos de calor, detectados através do monitoramento de imagens via satélite, realizado pelo Batalhão de Emergências Ambientais (BEA).

Em campo, as equipes estiveram em uma fazenda de 7.740 hectares, localizada em Nova Bandeirantes (a 997 km de Cuiabá) para reconhecimento da área destruída. A infração foi confirmada durante inspeção, que constatou uma devastação de 220 hectares de vegetação. Somente nesta propriedade, a multa aplicada pelo crime ambiental foi de R$ 395.000,00. No chão, as marcas da destruição: árvores de aproximadamente cinco metros foram derrubadas. Além disso, troncos queimados e cinzas ainda estavam no local, um sinal que fogo foi usado naquela área, conforme apontou o monitoramento no dia 28 de agosto deste ano, quando o satélite identificou 34 focos de calor.

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Na mesma região, os agentes ainda aplicaram R$ 2.188,000,00 multas em outras três fazendas que também utilizaram o fogo para destruir áreas de vegetação. No total, foram fiscalizados 586 hectares de áreas, o que comprovou o crime ambiental.

Segundo informação do agente de fiscalização, dentro dessas áreas podem haver espécies de árvores nativas que são terminantemente proibidas de corte, mas que podem ter sido destruídas nessas queimadas.

“Aqui nós estamos dentro do bioma Amazônia, podemos encontrar espécies como a Castanheira, uma árvore que não pode ser cortada, não pode ser transportada, deve ser preservada. Além disso, temos outras que contribuem para a vida da fauna e flora deste bioma que acaba sendo prejudicada pela destruição com o fogo”, declarou agente de fiscalização do CBMMT.

A operação ainda permanece em andamento sob coordenação do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso, integrado com as demais forças de segurança realizando os ciclos de fiscalização nesta primeira quinzena de outubro.

A carreta do Centro Integrado de Comando e Controle Móvel (CICCM) da Sesp-MT foi deslocada para a cidade de Nova Bandeirantes. Segundo informações do chefe da ‘Operação Abafa 2021’, a tecnologia desta unidade é usada pelas equipes que atuam na operação, facilitando a rápida atualização de diversas informações da operação, detalhes dos locais desmatados, além da produção de registro de infração com as multas aplicadas.

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Fiscalizações aéreas

Outra força nos trabalhos de fiscalização é realizada pela equipe do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer). O helicóptero está sobrevoando os pontos mais distantes com os militares do CBMMT para identificar áreas desmatadas onde não é possível chegar pela terra. A chuva que caiu região dificulta o acesso nas estradas que têm pontos de atoleiros.

A Operação ‘Abafa Amazônia 2021’ é coordenada pelo Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT), além das demais forças integradas na operação: Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), Defesa Civil, Polícia Militar, Polícia Judiciária Civil, Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) e Perícia Oficial de Identificação (Politec).

 

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Registro de 99 espécies entre Cerrado e Pantanal ajuda cientistas a analisarem futuro dos biomas

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JB News

O mapeamento de espécies tem papel fundamental para orientar ações de conservação e preservação da fauna. Para acompanhar os impactos das mudanças climáticas e os efeitos causados pelo homem, pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisa do Pantanal (INPP) e da Universidade Federal de Mato Grosso registraram 99 espécies do Cerrado e do Pantanal, entre elas, 36 espécies de anfíbios. A pesquisa foi feita no Parque Sesc Serra Azul, em Mato Grosso (MT), no decorrer de 11 meses.

Leia o estudo sobre a diversidade de anfíbios e répteis do Parque Sesc Serra Azul (inglês)

Para o biólogo e pesquisador do INPP Leonardo Moreira, a partir desse estudo será possível criar uma linha base para identificar mudanças a longo prazo, como a diminuição ou o desaparecimento de espécies mais sensíveis ou a expansão de outras em ambientes mais alterados. O especialista, que é um dos autores do levantamento, destaca que muitas dessas alterações não acontecem isoladamente. “É necessário um conjunto de fatores, como clima, expansão agrícola e mineração para que isso ocorra”, pontua.

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Segundo Moreira, a transformação das áreas naturais afeta o regime hídrico. O excesso de água na estação das chuvas no Cerrado abastece a planície pantaneira. Porém, o uso indevido das áreas úmidas, como o abastecimento, a irrigação e a indústria, interfere no armazenamento de água no Pantanal. Isso impacta diretamente nas áreas fundamentais para a reprodução de anfíbios.

O estudo contou com a participação de colaboradores locais do parque. Os pesquisadores passaram instruções sobre como fotografar e registrar os animais e as informações que eles precisavam enviar com os registros. Quinze voluntários participaram e ajudaram a registrar 38 espécies de répteis.

A participação das pessoas que vivem ou trabalham na região pode fazer uma diferença enorme para a ciência. O grupo de pesquisadores registrou 36 espécies de anfíbios (entre sapos, rãs e pererecas) e 63 répteis (incluindo cobras, lagartos, jabutis, cágados e jacarés). Desse total, 11 não teriam sido encontrados pela equipe de pesquisadores sem a participação da população.

O crescimento de infraestruturas, como estradas e áreas urbanas, tem uma série de efeitos negativos sobre a fauna, juntando-se aos desafios impostos pela mudança do clima em andamento. Algumas espécies tendem a ser mais dependentes de condições específicas e assim acabam sendo mais vulneráveis a mudanças no ambiente. Entender como esses animais estão lidando com o efeito dos conjuntos de tanta transformação é essencial para uma melhor ação de preservação.

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As informações Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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