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Onças-pintadas do Pantanal mato-grossense receberão colares de monitoramento

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Pesquisadores planejam capturas de onças-pintadas que receberão colares de monitoramento no Pantanal 

 

Informações obtidas por colares serão utilizadas em pesquisa e monitoramento ambiental na maior reserva particular do Brasil, a RPPN Sesc Pantanal, localizada em Mato Grosso 

 

Por Gabriela Sant’Ana

A pesquisa sobre onças-pintadas e pardas em andamento na maior Reserva Particular do Patrimônio Natural do Brasil, a RPPN Sesc Pantanal, localizada em Barão de Melgaço (MT), avança para uma nova etapa: a captura de animais para estudo do comportamento no ambiente, das presas e o mosaico de paisagens onde estão inseridas. Em parceria com o Museu Nacional e participação de pesquisadores do Grupo de Estudo em Vida Silvestre (GEVS), serão implantados seis colares de monitoramento por GPS.

A presença da onça-pintada – maior felino das Américas que ocupa o topo da cadeia alimentar – quando ocorre em uma área por longo prazo é uma indicação de boa qualidade ambiental. Significa que há condições favoráveis para sua alimentação, reprodução e relações com as diversas espécies que compõem a cadeia, e, além disso, que as florestas e outras formações estão protegidas e possibilitam a sobrevivência de inúmeras formas de vida.

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O estudo de grandes predadores é como um “guarda-chuva”, que contempla todo o ecossistema, explica o pesquisador do Museu Nacional e coordenador do GEVS, Luiz Flamarion. “O foco da pesquisa são as onças-pintadas e pardas e a realidade em que estão inseridas. A partir delas, portanto, também temos informações de diversas espécies e paisagens. Com as câmeras instaladas foi possível constatar que a população de onças é razoável na RPPN e a condição física é notável, o que é uma evidência da saúde da região”, destaca.

Com o incêndio de 2020, Flamarion conta que a problemática foi inclusa no contexto do estudo, levando em consideração a variação da disponibilidade de presas e o mosaico de paisagem. “O impacto do fogo afetou os recursos naturais e estamos começando um processo de amostragem com armadilhas fotográficas e telemetria baseada em satélite, para entender a movimentação das onças nesta realidade após o fogo”, declara.

A bióloga integrante do GEVS, Gabriela Schuck, conta que as informações dos guarda-parques e as armadilhas fotográficas são importantes nesta etapa do projeto para identificar e registrar os pontos de ocorrência das onças-pintadas.

“Com os dados de monitoramento feitos pelas câmeras, podemos identificar a quantidade de onças, o melhor local para capturá-las e colocar os colares. Com eles, iremos explorar o movimento dos indivíduos de maneira mais detalhada, verificando o comportamento, como são as tomadas de decisões no uso do espaço, a permanência nos locais e o motivo da movimentação feita com mais frequência, por exemplo. Isso pode estar relacionado a presença de presas, de outras onças-pintadas e onças-pardas e a característica da paisagem”, ressalta.

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A pesquisa com uso de colar em animais já ocorreu na RPPN. Em 2001, quatro lobos-guará e seis onças-pardas receberam o equipamento. Assim como a onça-pintada, ambos estão na lista de animais ameaçados de extinção. De acordo com superintendente do Polo Socioambiental Sesc Pantanal, Christiane Caetano, a pesquisa é de grande relevância para a produção de conhecimento no bioma. “A RPPN Sesc Pantanal, enquanto unidade de conservação, é como um laboratório, onde é possível avaliar os benefícios gerados quando uma área natural é bem cuidada e, a partir disso, percorrer melhores caminhos para mantermos este patrimônio que é de toda a humanidade”, destaca.

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Registro de 99 espécies entre Cerrado e Pantanal ajuda cientistas a analisarem futuro dos biomas

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JB News

O mapeamento de espécies tem papel fundamental para orientar ações de conservação e preservação da fauna. Para acompanhar os impactos das mudanças climáticas e os efeitos causados pelo homem, pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisa do Pantanal (INPP) e da Universidade Federal de Mato Grosso registraram 99 espécies do Cerrado e do Pantanal, entre elas, 36 espécies de anfíbios. A pesquisa foi feita no Parque Sesc Serra Azul, em Mato Grosso (MT), no decorrer de 11 meses.

Leia o estudo sobre a diversidade de anfíbios e répteis do Parque Sesc Serra Azul (inglês)

Para o biólogo e pesquisador do INPP Leonardo Moreira, a partir desse estudo será possível criar uma linha base para identificar mudanças a longo prazo, como a diminuição ou o desaparecimento de espécies mais sensíveis ou a expansão de outras em ambientes mais alterados. O especialista, que é um dos autores do levantamento, destaca que muitas dessas alterações não acontecem isoladamente. “É necessário um conjunto de fatores, como clima, expansão agrícola e mineração para que isso ocorra”, pontua.

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Segundo Moreira, a transformação das áreas naturais afeta o regime hídrico. O excesso de água na estação das chuvas no Cerrado abastece a planície pantaneira. Porém, o uso indevido das áreas úmidas, como o abastecimento, a irrigação e a indústria, interfere no armazenamento de água no Pantanal. Isso impacta diretamente nas áreas fundamentais para a reprodução de anfíbios.

O estudo contou com a participação de colaboradores locais do parque. Os pesquisadores passaram instruções sobre como fotografar e registrar os animais e as informações que eles precisavam enviar com os registros. Quinze voluntários participaram e ajudaram a registrar 38 espécies de répteis.

A participação das pessoas que vivem ou trabalham na região pode fazer uma diferença enorme para a ciência. O grupo de pesquisadores registrou 36 espécies de anfíbios (entre sapos, rãs e pererecas) e 63 répteis (incluindo cobras, lagartos, jabutis, cágados e jacarés). Desse total, 11 não teriam sido encontrados pela equipe de pesquisadores sem a participação da população.

O crescimento de infraestruturas, como estradas e áreas urbanas, tem uma série de efeitos negativos sobre a fauna, juntando-se aos desafios impostos pela mudança do clima em andamento. Algumas espécies tendem a ser mais dependentes de condições específicas e assim acabam sendo mais vulneráveis a mudanças no ambiente. Entender como esses animais estão lidando com o efeito dos conjuntos de tanta transformação é essencial para uma melhor ação de preservação.

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As informações Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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