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O dia a dia e os desafios dos jovens da periferia: obra do escritor e humorista Geovany Hércules vence o Prêmio Barco a Vapor 2021

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JB NEws
Do interior do Rio Grande do Norte à “quebrada” do Grajaú, na periferia de São Paulo, o caminho de Geovany Hércules foi longo. E nem um pouco fácil. Mas o escritor de 28 anos decidiu fazer de sua resistência uma forma de mostrar a sua arte. Nascido no município potiguar de Pau dos Ferros, Geovany mora na capital paulista desde os quatro anos. E a realidade que ele encontrou na periferia paulistana ao longo de mais de duas décadas se transformou no livro SP_Graja_Trip, consagrado nesta quarta-feira (14) o grande vencedor da 17ª edição do Prêmio Barco a Vapor, considerado o mais importante concurso que revela talentos da literatura nacional infanto-juvenil. Das 1.244 obras inscritas, a de Geovany foi escolhida pelo júri do concurso promovido pela Fundação SM em parceria com a SM Educação.

O livro conta o dia a dia da vida de um grupo de jovens do Grajaú, na periferia de São Paulo: seus ideais e projetos de vida, seus gostos musicais, artísticos e literários; suas formas de sobreviver, de se relacionar e se divertir, como nos “rolezinhos” ou bailes funk. Amparados pela amizade, pela convivência na comunidade e nas famílias, cujos laços são fortes, eles lidam com dificuldades, amadurecem, buscam se afirmar e superar o abismo periferia-centro, mantendo vivos seus sonhos e ideais.

Geovany estava na rua, a caminho do trabalho em uma produtora audiovisual na capital paulista, quando recebeu a notícia de que havia sido o vencedor do prêmio.

“Estou muito feliz e surpreso. A ficha ainda não caiu. Sp-Graja_Trip foi a minha tentativa de mostrar que as características mais definidoras das periferias de São Paulo não são a violência urbana e o crime, mas sim a rede de afetos e solidariedade que seus habitantes constroem”, afirma Geovany, que é graduado em Cinema e Audiovisual e mestre em Comunicação Social.

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Para o júri, Sp_Graja_Trip possui “um texto transgressor, forte, polifônico e, sobretudo, um retrato verossímil e convincente de uma juventude que multiplica os padrões do nosso tempo.” Ainda de acordo com a banca examinadora, a narrativa se constrói com uma riqueza e originalidade de referências culturais, misturando percepções do que é centro e do que é periferia na cultura, com diálogos inteligentes e ágeis e uso natural de uma oralidade própria dos espaços em que as ações se desenrolam, assim como a descrição realista das cenas.

A conquista rendeu a Geovany o prêmio de R﹩ 40 mil, além da publicação da obra pela SM Educação. A cerimônia de premiação será realizada em novembro no formato on-line, por conta da pandemia, em data a ser definida.

Resistência também em forma de humor

Geovany utiliza bastante o humor em suas narrativas – característica que o levou aos palcos. Além dos contos e roteiros, o escritor tem participado, nos últimos anos, de apresentações de stand-up comedy, tendo como pano de fundo também a periferia – segundo ele, “a sua maior inspiração”. Feliz pelo reconhecimento, Geovany garante que a conquista do Barco a Vapor deu um “gás” para ele seguir na caminhada:

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“Sempre fui adepto da ética e do espírito punk/hardcore do “Faça Você Mesmo”. Não posso esperar que me notem, preciso correr atrás do que quero. Então, é muito gratificante ser reconhecido pelo meu trabalho. Dá gás para continuar nessa caminhada. Espero que os leitores de Sp_Graja_Trip embarquem nessa viagem tresloucada pelos becos e vielas do Extremo Sul da Zona Sul de São Paulo”, finaliza.

Sobre o prêmio

Promovido nos nove países em que o Grupo SM atua, o Prêmio Barco a Vapor é uma iniciativa da Fundação SM em parceria com a SM Educação, com o objetivo de revelar novos autores e estimular a criação literária nacional, engajando crianças e jovens com a literatura. Em sua 16ª edição, no ano passado, o vencedor foi o carioca Guilherme Semionato, com o livro “Nossa Bicicleta”, que narra a história de um garoto que, após o pai ir embora, resolve tomar uma decisão impensada envolvendo uma antiga bicicleta da casa. Na busca por uma solução para esse problema, ele percorre um caminho repleto de afetos e memórias familiares.

Sobre a Fundação SM

A Fundação SM busca apoiar e desenvolver projetos voltados para a melhoria da qualidade da educação, que percebem o ser humano em sua totalidade, apoiando iniciativas como o Prêmio Nacional de Educação em Direitos Humanos e o Prêmio Professores do Brasil. Destacam-se também o Prêmio Ibero-Americano SM de Literatura Infantil e Juvenil e o Prêmio Barco a Vapor, que se propõem a despertar o prazer pela leitura entre crianças e jovens e estimular a produção literária em espanhol e português.

 

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Fusão do jazz com rasqueado dá o tom a novo disco da Tocandira

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Fusão do jazz com rasqueado dá o tom a novo disco da Tocandira; lançamento será no dia 20

 O “Na Xá Cara” poderá ser conferido nas principais plataformas de streaming  

 Os fãs de jazz fusion têm motivo para comemorar. Na segunda-feira (20) será lançado disco com “sotaque cuiabano”, em que músicos virtuosíssimos e versáteis adicionam ao gênero, também o rasqueado, rock, MPB e até disco music.

O nome irreverente traduz o peso com que o som chega aos ouvidos de quem o escuta. “Na Xá Cara” é também resultado de pesquisas musicais e mix de técnicas apuradas.

O novo trabalho da banda Tocandira será disponibilizado nas principais plataformas de streaming, que podem ser acessadas no endereço https://linktr.ee/tocandira, a partir das 19h. Compõem o trio, o guitarrista Danilo Bareiro, o baterista Éder Uchôa e o baixista Wellington Berê.

Diretor artístico e produtor do disco, Danilo se emociona ao falar do projeto que teve incentivo da Lei Aldir Blanc, via edital da Prefeitura de Cuiabá. A produção executiva é de Vicente de Albuquerque.

“Foi um processo de produção único em nossas vidas. Diante do ‘chamado’ do edital nos lançamos a produzir músicas do zero e o resultado, para nós, foi incrível. Esse projeto se concretiza a partir do estímulo da política cultural”.

O disco tem sete faixas e renova a parceria dos músicos da banda e conta ainda com participações especiais do tecladista Igor Mariano e do saxofonista Phellyppe Sabo. Quem assina a mixagem é o áudio designer, Tchucka Jr.

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“Eu, Éder e Berê, parceiros de longa data e músicos que formam a Tocandira mergulhamos em um processo tão imersivo que por vezes alcançamos a marca de 24 horas de produção ininterrupta. Fechamos sete músicas, mas adiantamos, temos um bom material para um próximo disco”, anuncia Danilo Bareiro.

Na identidade plural do disco, ele enfatiza que a pesquisa com ritmos regionais de Éder Uchôa influenciou muito e assim, o rasqueado e o cururu se fizeram presentes. Caso, de “Jazz queira ou não”. Essa música tem a participação de Igor Mariano. “Ficou um jazz com rasqueado, com pop e até disco music”, descreve Danilo, ao falar da música mais ensolarada.

Outra música, a “32 passos para o precipício” – ideia de Éder Uchôa -, tem acordes complexos aos quais foram adicionados samplers de internet. “Ficou um monstro elaborado. Passei 12 horas compondo os arranjos e Wellington fez a melodia”, diverte-se Danilo.

“Já a Lamflex começou com uma proposta de lambadão, mas acabou que a influência do metal se sobrepôs. A propósito, a presença do metal é marcante no disco todo por causa do pedal duplo que o Éder utiliza. Já Berê se utiliza muito da técnica de slap no contrabaixo. Ele foi influenciado pelos estudos que vêm desenvolvendo”, aponta.

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“Cajueiro rei e os cajus do arco-íris”, com o sax de Phe Sabo, no que diz respeito ao local de criação, tem tudo a ver com a cultura cuiabana. Compusemos debaixo de um cajueiro. Naquele dia chovia muito e um arco-íris surgiu por detrás dele”, relembra.

“Flores de Gardênia” foi presente para Gardês, casada com Wellington Berê. “Ele saiu para busca-la porque íamos comemorar o aniversário dela e quando voltaram, a música já estava composta”.

Outra faixa, foi dedicada a Cristhiane. Ganhou o título “Shé”, apelido carinhoso dado por Danilo à esposa.

Por fim, Na Xá Cara é um híbrido de todas as influências, técnicas e gêneros que delinearam a trajetória dos três músicos. “E é principalmente, fruto de tudo que está rolando na nossa mente atualmente: tem slap, metal, rasqueado e compasso sete por quatro. Ela descende de uma música que compus quando tinha um projeto com Éder, o Jaburu”.

Danilo celebra o momento e acredita que o disco vai trazer frescor na vida de quem curte um bom jazz fusion. “Afinal, sabemos por experiência das apresentações na noite mato-grossense, da observação de nossas andanças pelo Estado, que há um público consumidor ávido por trabalhos como este”.

Lidiane Barros

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