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Novo Relatório da ONU sobre o Clima: “Em uma encruzilhada crítica para o clima, agora qualquer fração de grau importa”

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Juliana Russomano

A parte final do Sexto Relatório de Avaliação do IPCC mostra que não podemos deixar que o fatalismo retarde a aceleração da ação climática em curso

Hoje o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês) das Nações Unidas publicou seu mais recente relatório sobre o clima, com as constatações científicas que passaram por revisão de pares de mais de 195 países sobre megatendências climáticas, seus efeitos e soluções. Tomando por base os três relatórios anteriores dessa série, a evidência é clara: embora haja uma crescente mobilização política, empresarial e social, o cenário ainda é negativo, a menos que o mundo acelere com urgência os esforços para enfrentar a crise climática.
Ao comentar o conteúdo desse relatório, a CEO da The Nature Conservancy, Jennifer Morris, disse:

“Embora o tom deste relatório não surpreenda ninguém que esteja familiarizado com os três anteriores, o alerta é coerente: está ocorrendo um progresso lento, mas ele ainda representa apenas uma gota no oceano, em comparação com o tamanho da emergência.
Para garantir o futuro que as próximas gerações merecem, com sistemas alimentares resilientes, recursos abundantes de água, bem-estar humano e conservação da biodiversidade, os líderes globais precisam ir muito mais além e mais rápido na redução das emissões, ao mesmo tempo em que aumentam a capacidade das comunidades e das empresas em adaptar-se aos efeitos da mudança climática.
O debate que se seguiu a esse relatório concentrou-se em saber se ainda é realista a meta do Acordo de Paris em manter a elevação da temperatura média global bem abaixo dos 2°C acima dos níveis pré-industriais e, ao mesmo tempo, empreender esforços para limitar esse aumento em até 1,5°C. Infelizmente, o relatório projeta que as atuais políticas climáticas tornam o aumento de 2°C extremamente provável neste século e que poderemos até alcançar a barreira dos 3°C até o ano de 2100. Não podemos ficar parados e permitir que este cenário ocorra.
Esse relatório ressalta o fato de que ingressamos em uma era na qual nossas perspectivas não podem mais ser quantificadas de forma conveniente, reconhecendo avanços incrementais de 0,5°C. Nesse momento, qualquer fração de grau de aquecimento que possamos evitar contribuirá para um futuro menos perigoso e caro. A boa notícia é que sabemos o que precisamos fazer e o mundo está começando a investir na natureza, a fazer a transição para fontes de energia renováveis, a inovar em todos os setores da indústria e a reconhecer cada vez mais a importância do conhecimento dos Povos Indígenas. Porém, precisamos de mais ação e com maior rapidez.
O preenchimento da lacuna entre a ambição prevista no Acordo de Paris e a real implementação de soluções climáticas exigirá novas políticas e programas em maior escala, além da garantia de mais fluxos de financiamento público e privado para a ação climática — custos de curto prazo que são insignificantes diante dos benefícios de longo prazo.
É fácil perder a esperança quando um relatório após o outro ressalta essas consequências catastróficas, entretanto, vejo que é possível alcançar um futuro melhor. Há indicadores que nos animam: nos últimos dez anos, o custo dos recursos renováveis despencou, ao passo que sua eficiência aumentou significativamente e a conscientização e valorização do potencial de contribuição da natureza para o clima vêm crescendo continuamente.
Podemos aproveitar este momento de cinco maneiras: 1) Elevando novas vozes que atualmente não participam da tomada de decisão e assegurando que as soluções climáticas sejam igualitárias, justas e inclusivas; 2) Descarbonizando rapidamente os setores de energia e transporte; 3) Acelerando a redução dos gases do efeito estufa que já existem na atmosfera por meio da proteção das florestas, da restauração e de outras soluções climáticas naturais, incluindo recuperação de manguezais e a agricultura regenerativa em ampla escala; 4) Intensificando urgentemente os esforços de adaptação, equipando nossos sistemas, comunidades e infraestrutura com a durabilidade necessária para um futuro imprevisível; e 5) Aproveitando a nova Convenção das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica e o recente Tratado do Alto-Mar para combater a perda de biodiversidade e continuar a desenvolver e inserir no mercado mecanismos de financiamento inovadores, capazes de atrair o investimento necessário para intensificar esses esforços.
A mudança climática não é uma escolha na qual os seres humanos ainda controlam o botão de liga/desliga. Décadas de inação e desinformação diante das evidências científicas deixaram o botão fixado na posição ativada e qualquer prevaricação terá consequências.
Não é hora para falso otimismo, nem podemos permitir que o fatalismo protele nosso progresso na ação climática global. É essencial que busquemos a adaptação e a mitigação com igual vigor, particularmente para as populações de renda mais baixa e economias em desenvolvimento, grupos que frequentemente são os mais expostos aos impactos provocados pelo clima, apesar de terem sido aqueles que menos contribuíram para os problemas que estão enfrentando.
No momento em que nos encontramos à beira de uma mudança potencialmente irreversível, este relatório ressalta a importância vital de acelerar nossos esforços relacionados ao clima enquanto ainda há tempo.

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Registro de 99 espécies entre Cerrado e Pantanal ajuda cientistas a analisarem futuro dos biomas

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O mapeamento de espécies tem papel fundamental para orientar ações de conservação e preservação da fauna. Para acompanhar os impactos das mudanças climáticas e os efeitos causados pelo homem, pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisa do Pantanal (INPP) e da Universidade Federal de Mato Grosso registraram 99 espécies do Cerrado e do Pantanal, entre elas, 36 espécies de anfíbios. A pesquisa foi feita no Parque Sesc Serra Azul, em Mato Grosso (MT), no decorrer de 11 meses.

Leia o estudo sobre a diversidade de anfíbios e répteis do Parque Sesc Serra Azul (inglês)

Para o biólogo e pesquisador do INPP Leonardo Moreira, a partir desse estudo será possível criar uma linha base para identificar mudanças a longo prazo, como a diminuição ou o desaparecimento de espécies mais sensíveis ou a expansão de outras em ambientes mais alterados. O especialista, que é um dos autores do levantamento, destaca que muitas dessas alterações não acontecem isoladamente. “É necessário um conjunto de fatores, como clima, expansão agrícola e mineração para que isso ocorra”, pontua.

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Segundo Moreira, a transformação das áreas naturais afeta o regime hídrico. O excesso de água na estação das chuvas no Cerrado abastece a planície pantaneira. Porém, o uso indevido das áreas úmidas, como o abastecimento, a irrigação e a indústria, interfere no armazenamento de água no Pantanal. Isso impacta diretamente nas áreas fundamentais para a reprodução de anfíbios.

O estudo contou com a participação de colaboradores locais do parque. Os pesquisadores passaram instruções sobre como fotografar e registrar os animais e as informações que eles precisavam enviar com os registros. Quinze voluntários participaram e ajudaram a registrar 38 espécies de répteis.

A participação das pessoas que vivem ou trabalham na região pode fazer uma diferença enorme para a ciência. O grupo de pesquisadores registrou 36 espécies de anfíbios (entre sapos, rãs e pererecas) e 63 répteis (incluindo cobras, lagartos, jabutis, cágados e jacarés). Desse total, 11 não teriam sido encontrados pela equipe de pesquisadores sem a participação da população.

O crescimento de infraestruturas, como estradas e áreas urbanas, tem uma série de efeitos negativos sobre a fauna, juntando-se aos desafios impostos pela mudança do clima em andamento. Algumas espécies tendem a ser mais dependentes de condições específicas e assim acabam sendo mais vulneráveis a mudanças no ambiente. Entender como esses animais estão lidando com o efeito dos conjuntos de tanta transformação é essencial para uma melhor ação de preservação.

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As informações Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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