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MCTI reforça liderança do Brasil na cooperação científica amazônica em reunião da OTCA

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O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) promoveu, nesta segunda-feira (23), em Brasília (DF), a Reunião de Ministros e Altas Autoridades de Ciência e Tecnologia dos países da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), com foco no fortalecimento da cooperação regional em defesa da Amazônia e do meio ambiente. Representantes de Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru, Suriname e Venezuela participaram do evento para discutir estratégias de cooperação internacional em defesa da Amazônia.  

Durante o encontro no Palácio do Itamaraty, os países participantes aprovaram por unanimidade a retomada da Comissão Especial de Ciência e Tecnologia da Amazônia (Cecta), após 27 anos inativa. O mecanismo passa a ser o principal instrumento de articulação regional para a implementação de projetos conjuntos em ciência, tecnologia e inovação, incluindo iniciativas como a criação de uma rede amazônica de inovação e o intercâmbio técnico-científico entre os países. 

Durante o evento, a ministra do MCTI, Luciana Santos, destacou o potencial da Amazônia como um dos maiores patrimônios científicos do planeta, abrigando cerca de um terço da biodiversidade mundial. Segundo a titular da pasta, o desenvolvimento da bioeconomia e da biotecnologia é estratégico para transformar essa riqueza natural em oportunidades de desenvolvimento sustentável, com geração de renda e valorização das populações locais.  

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Ela também ressaltou que a preservação do bioma é fundamental para o enfrentamento das mudanças climáticas. “A preservação e o desenvolvimento sustentável da Amazônia são decisivos para os planos de mitigação e adaptação às mudanças climáticas da nossa região. A elevação dos níveis de concentração de CO₂ na atmosfera impacta diretamente o aumento da temperatura global e a intensificação de eventos climáticos extremos”, afirmou. 

O Brasil também apresentou ações estratégicas do MCTI voltadas à região, como o fortalecimento da Subsecretaria de Ciência e Tecnologia para a Amazônia, a ampliação de programas de conectividade e o apoio a redes de pesquisa e inovação. Iniciativas como o Programa Pró-Amazônia, vinculado ao FNDCT, e parcerias internacionais para o desenvolvimento de satélites de monitoramento ambiental foram destacadas como exemplos do avanço da agenda científica no bioma. 

Pronunciamento de Brasília  

A reunião foi marcada ainda pela assinatura do Pronunciamento de Brasília, que estabelece as bases para uma atuação conjunta dos países amazônicos em ciência, tecnologia e inovação. O documento reconhece os desafios compartilhados da região e reforça o compromisso com o desenvolvimento sustentável, a conservação da biodiversidade e a melhoria da qualidade de vida das populações amazônicas, com participação de povos indígenas, comunidades locais e sociedade civil. 

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O texto também consolida a ciência como eixo estruturante da cooperação regional ao apoiar a reativação da Cecta e propor a construção de uma agenda comum baseada em evidências. Entre as iniciativas previstas estão o fortalecimento de redes de pesquisa, a promoção da inovação tecnológica, a criação de mecanismos de financiamento e a implementação de instrumentos como a Rede Amazônica de Inovação e o Painel Técnico-Científico da Amazônia. 

No âmbito da cooperação bilateral, o MCTI assinou ainda um memorando de entendimento com o governo do Peru para ampliar a parceria em ciência, tecnologia e inovação. A iniciativa reforça o compromisso do Brasil com a integração regional e com o desenvolvimento de soluções conjuntas para os desafios da Amazônia. 

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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Projeto Entre Ciências seleciona seis propostas sobre sociobiodiversidade

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Como cuidar melhor da floresta, da terra e da biodiversidade? Parte dessa resposta está no diálogo entre diferentes formas de conhecimento. Com o objetivo de fortalecer a participação de povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares na produção de conhecimento sobre a sociobiodiversidade, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) vai selecionar seis iniciativas para o projeto Entre Ciências: Territórios de Saber em Diálogo.     

Foram avaliadas 60 propostas de arranjos de pesquisa colaborativa, envolvendo comunidades e academia, vindas de diferentes regiões da Amazônia e do Cerrado. Os trabalhos foram selecionados por uma comissão formada por especialistas e representantes das próprias comunidades, levando em conta não só critérios técnicos, mas também a diversidade dos territórios e protagonismo de mulheres, jovens e anciãos.  

Projetos selecionados 

  • Associação dos Seringueiros do Seringal Cazumbá. Parceiro acadêmico: Instituto Federal do Acre (Ifac) — Campus Rio Branco;  

  • Associação Quilombo Kalunga. Parceiro acadêmico: Universidade de Brasília (UnB) – Programa de Mestrado Profissional em Sustentabilidade junto a Povos e Terras Tradicionais (Mespt) e Programa da Licenciatura em Educação do Campo (Ledoc); 

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  • Organização Baniwa e Koripako — NadzoeriParceiros acadêmicos: UnB, Universidade Federal Fluminense (UFF) e Universidade de São Paulo (USP);  

  • Associação de Mulheres Indígenas em Mutirão (Amim). Parceiro acadêmico: Instituto Federal do Amapá;  

  • Centro de Agricultura Alternativa Vicente Nica. Parceiro acadêmico: Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (IFNMG) — Campus Almenara; 

  • Coletivo Mulheres Retireiras do Araguaia. Parceiro acadêmico: Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), vinculado ao MCTI, e Instituto Juruá.  

Com os novos arranjos selecionados, o projeto passa a apoiar oito experiências em diferentes territórios, ampliando uma rede que conecta ciência dos povos e comunidades com a ciência acadêmica, cultura e meio ambiente.  

Para a secretária de Políticas e Programas Estratégicos do MCTI, Andrea Latgé, a iniciativa reforça a importância de integrar diferentes formas de conhecimento na produção científica. “O Entre Ciências mostra que o conhecimento também nasce nos territórios. Ao valorizar saberes de povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares, fortalecemos uma ciência mais diversa e conectada aos desafios do País”, destaca.  

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O Entre Ciências aposta em uma ideia simples e poderosa: quem vive nos territórios também produz conhecimento. O projeto fortalece o papel de povos indígenas e comunidades tradicionais na pesquisa sobre biodiversidade, em temas prioritários para o próprio território, incentivando a parceria com atores acadêmicos comprometidos e com respeito às diferentes formas de conhecimento.  

Além do apoio aos projetos, a iniciativa oferece formação, bolsas para pesquisadores locais das comunidades, intercâmbios e suporte para a gestão de dados e informações produzidas pelas próprias comunidades. 

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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