AGRONEGÓCIOS
Mapa firma Protocolos de Intenções para impulsionar a inovação agroindustrial no Pará e no Rio de Janeiro
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), por meio da Secretaria de Inovação, Desenvolvimento Sustentável, Irrigação e Cooperativismo (SDI), assinou dois Protocolos de Intenções para fortalecer a inovação nos sistemas agroindustriais do Pará e do Rio de Janeiro.
No dia 4 de fevereiro, o Mapa e a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços (SEDEICS) do Rio de Janeiro formalizaram o protocolo com o objetivo de impulsionar o desenvolvimento estratégico e a competitividade do ecossistema agropecuário do estado. A iniciativa visa fomentar a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico, estimular a inovação e novos negócios no setor agropecuário, além de promover a sustentabilidade e o crescimento da produção agrícola estadual e nacional. Essa parceria marca um novo capítulo para o agronegócio no estado, conectando tecnologia, ciência e empreendedorismo para garantir um futuro mais produtivo e sustentável.
Já no Pará, o protocolo foi assinado no dia 28 de janeiro entre o Mapa e a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (SEDAP). O acordo tem como objetivo fortalecer a competitividade do setor agropecuário paraense, promovendo pesquisa, inovação tecnológica e o crescimento sustentável da produção agrícola e pesqueira. A parceria representa um avanço estratégico para o estado, integrando ciência, tecnologia e sustentabilidade para impulsionar a economia local e contribuir para o progresso do agronegócio no Brasil.
O secretário da SDI, Pedro Neto, destacou que a parceria entre o Mapa e as secretarias estaduais de agricultura representa um avanço significativo para a inovação no setor agropecuário desses estados. “Nosso objetivo é promover a integração entre pesquisa, tecnologia e novos modelos produtivos, tornando o agro mais eficiente e competitivo”, afirmou.
Além disso, Neto ressaltou a importância da criação de comitês gestores, com a participação ativa de diversos atores do setor, e da implementação da plataforma MapaConecta. “Essas iniciativas vão estimular a pesquisa, o desenvolvimento tecnológico e a criação de novos negócios, contribuindo para o crescimento econômico, a coordenação das cadeias agroindustriais e a construção de uma estratégia mais sustentável e competitiva nesses estados”, concluiu.
Com essas iniciativas, o Mapa reafirma seu compromisso com a modernização e o fortalecimento do setor agropecuário nacional. Ao integrar pesquisa, inovação e desenvolvimento sustentável, as parcerias firmadas com o Rio de Janeiro e o Pará representam um passo estratégico para impulsionar a competitividade do agro brasileiro e garantir sua adaptação aos desafios do futuro.
Informações à imprensa
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AGRONEGÓCIOS
Investigação expõe disputa com China e acende alerta no mercado brasileiro
A abertura de investigação pelo governo brasileiro sobre possível dumping nas importações de proteína de soja chinesa ocorre em paralelo a um cenário mais amplo de tensão comercial envolvendo o principal produto do agronegócio nacional: a soja em grão. Embora o foco formal da apuração seja um derivado específico, o movimento expõe o grau de sensibilidade da relação comercial entre Brasil e China, destino de mais de 70% das exportações brasileiras do complexo soja.
O Brasil embarca anualmente entre 95 milhões e 105 milhões de toneladas de soja em grão, dependendo da safra, consolidando-se como o maior exportador global. Desse total, a China absorve a maior parte, com compras que frequentemente superam 70 milhões de toneladas por ano. Trata-se de uma relação de alta dependência: para o Brasil, a China é o principal comprador; para os chineses, o Brasil é o principal fornecedor.
O problema é que esse fluxo não é livre de mecanismos de controle. A China opera com um sistema indireto de regulação das importações, baseado principalmente em licenças, controle de esmagamento e gestão de estoques estratégicos. Na prática, isso funciona como uma espécie de “cota informal”. O governo chinês pode reduzir ou ampliar o ritmo de compras ao liberar menos ou mais permissões para importadores e indústrias locais.
Esse mecanismo ficou evidente nos últimos ciclos. Em momentos de margens apertadas na indústria chinesa de esmagamento, quando o farelo e o óleo não compensam o custo da soja importada, o país desacelera as compras. O resultado é imediato: pressão sobre os prêmios nos portos brasileiros e maior volatilidade de preços.
Além disso, há um fator estrutural. A China vem buscando diversificar fornecedores e reduzir riscos geopolíticos. Mesmo com a forte dependência do Brasil, o país mantém canais ativos com os Estados Unidos e outros exportadores, utilizando o volume de compras como ferramenta de negociação comercial.
No caso específico da proteína de soja, produto industrializado voltado principalmente à alimentação humana, o impacto direto sobre o produtor rural tende a ser limitado. Ainda assim, a investigação conduzida pela Secretaria de Comércio Exterior, ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, sinaliza um endurecimento na política comercial brasileira em relação à China, ainda que pontual.
O processo analisa indícios de venda a preços abaixo do custo de produção, prática conhecida como dumping, no período entre julho de 2024 e junho de 2025. Caso seja confirmada, o Brasil pode aplicar tarifas adicionais por até cinco anos.
O ponto de atenção é que, embora tecnicamente restrita, qualquer medida nessa direção exige calibragem. A China é, de longe, o maior cliente da soja brasileira e um dos principais destinos de produtos do agronegócio como carne bovina e de frango. Movimentos comerciais, mesmo que setoriais, são acompanhados de perto pelo mercado.
Para o produtor, o cenário reforça um ponto central: o preço da soja no Brasil não depende apenas de oferta e demanda internas, mas de decisões estratégicas tomadas em Pequim. Ritmo de compras, gestão de estoques e margens da indústria chinesa seguem sendo os principais determinantes de curto prazo.
Na prática, a investigação atual não muda o fluxo da soja em grão, mas escancara a dependência brasileira de um único mercado e o grau de exposição a decisões comerciais externas.
Fonte: Pensar Agro
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