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Justiça do Trabalho determina leilão do prédio da Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá

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Por Nayara Cristina

A Justiça do Trabalho determinou o leilão do prédio da Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá, localizado na Praça do Seminário, no bairro Dom Aquino. A decisão foi assinada nesta quarta-feira, 16 de julho, pelo juiz Ângelo Henrico Pérez Sestari. O leilão foi solicitado pela Comissão de Credores da unidade hospitalar, que acumula uma dívida trabalhista estimada em mais de R$ 50 milhões.

O imóvel será leiloado com lance mínimo fixado em R$ 54.768.302,50 — valor que representa 70% da avaliação técnica, que estimou o bem em mais de R$ 78,2 milhões. O leilão engloba todo o complexo atualmente ocupado pelo Hospital Estadual da Santa Casa.

A venda do prédio foi determinada após a ausência de interessados na adjudicação direta do imóvel, etapa anterior prevista na tentativa de quitação das dívidas. O edital estabelece que a entrega do imóvel ao arrematante será realizada somente após o dia 31 de dezembro de 2025, quando encerra-se a requisição estadual em vigor.

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De acordo com a decisão, o pagamento será feito em duas etapas: 25% do valor deverá ser quitado em até 48 horas após a homologação das propostas vencedoras. Os 75% restantes devem ser pagos em até cinco dias após a desocupação total do imóvel. A posse definitiva do comprador só será efetivada após esse período.

O debate em torno da continuidade das atividades da Santa Casa tem gerado grande expectativa entre os poderes públicos. A Assembleia Legislativa de Mato Grosso e a Prefeitura de Cuiabá demonstram interesse em evitar o fechamento da unidade hospitalar, considerada estratégica para o atendimento à população da capital e da região metropolitana. Ambos os entes discutem alternativas para garantir a manutenção dos serviços prestados, mesmo diante do impasse judicial e financeiro que envolve a instituição.

Por outro lado, o governador de Mato Grosso, Mauro Mendes, tem reiterado, em diversas ocasiões, que não há interesse por parte do Estado em manter a Santa Casa como unidade de atendimento público estadual. Para o chefe do Executivo, a construção do novo prédio do Hospital Central de Cuiabá representa um avanço significativo na rede estadual de saúde. Segundo Mendes, a nova estrutura permitirá maior eficiência nos atendimentos e contribuirá para a redução dos custos operacionais dos cofres públicos estaduais, substituindo gradualmente a necessidade de manter a Santa Casa sob administração estadual.

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Acordo de R$ 30 milhões abre caminho para salvar a Santa Casa e encerrar dívida histórica

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O governador Mauro Mendes e o secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo Crédito – Mayke Toscano/Secom

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por Nayara Cristina

 

A proposta de R$ 30 milhões apresentada pelo Governo de Mato Grosso para a aquisição definitiva do prédio da Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá foi aceita pela comissão de credores e pode representar o avanço mais concreto dos últimos anos para encerrar um passivo trabalhista que se arrasta há quase uma década. A sinalização favorável no processo que tramita no Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região reacende a esperança de um desfecho para uma das crises mais emblemáticas da saúde pública mato-grossense.

 

O entendimento foi consolidado após meses de negociação entre o Estado e os representantes dos trabalhadores. A proposta inicial, de R$ 25 milhões, foi ampliada para R$ 30 milhões à vista pelo então secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo, em ofício encaminhado ao TRT em março. O pagamento imediato foi determinante para a concordância dos credores, que convivem há anos com a incerteza sobre o recebimento de verbas rescisórias e outros direitos acumulados.

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O passivo trabalhista da antiga Santa Casa é estimado entre R$ 41 milhões e R$ 43,7 milhões e atinge cerca de 860 ex-funcionários, muitos deles à espera de uma solução desde o fechamento da unidade, em 2019. A dimensão da dívida tornou o caso símbolo da crise estrutural enfrentada por um dos hospitais mais tradicionais de Mato Grosso.

O tamanho do impasse ficou ainda mais evidente nas tentativas frustradas de leiloar o prédio histórico. A Santa Casa foi colocada à venda judicial em duas ocasiões no ano passado: na primeira, com lance mínimo de R$ 54,7 milhões, equivalente a 70% da avaliação do imóvel; na segunda, com valor reduzido para R$ 39,1 milhões. Em nenhuma das tentativas houve interessados. O fracasso dos leilões reforçou a dificuldade de encontrar uma saída viável para o prédio e para os trabalhadores que aguardam reparação.

Fundada no século XIX, a Santa Casa de Cuiabá se tornou ao longo de décadas uma referência em atendimentos de média e alta complexidade e símbolo da assistência hospitalar em Mato Grosso. O prédio carrega valor histórico, social e afetivo para a população cuiabana, o que torna ainda mais sensível qualquer decisão sobre seu destino.

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Mais do que uma solução financeira, a proposta do Estado abre caminho para reposicionar a unidade dentro da rede pública de saúde. O plano do governo prevê manter serviços estratégicos já existentes, como oncologia, nefrologia, cirurgias e atendimentos ambulatoriais, além de ampliar áreas consideradas prioritárias, como cuidados paliativos, home care, hospital-dia, central de diagnósticos e o Serviço de Verificação de Óbito.

A reestruturação projetada busca transformar a Santa Casa em um polo estadual de atendimento especializado, ajudando a desafogar a rede hospitalar da capital e da Baixada Cuiabana. Se o acordo for homologado e a compra for concluída, Mato Grosso poderá não apenas encerrar um longo capítulo de insegurança jurídica e trabalhista, mas também preservar um patrimônio centenário e devolvê-lo à população com uma nova função estratégica no SUS.

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