EDUCAÇÃO

Inclusão de alunos com deficiência cresce e consolida apoio escolar especializado

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Matrícula de estudantes com deficiência aumentou 70% em oito anos, com destaque para integração em classes comuns

 

Profissional de apoio escolar tem como missão ajudar crianças com deficiência matriculadas em

salas comuns a realizarem atividades básicas para possibilitar o acesso ao aprendizado

 

 

A inclusão de pessoas com deficiência na rede de ensino brasileira tem aumentado ano a ano e consolidado nas escolas a presença de um serviço cada vez mais necessário na educação inclusiva: o de apoio escolar especializado.

Segundo o Censo Escolar 2022, 1,5 milhão de estudantes com deficiência estavam matriculados, número 70% superior aos 886 mil registrados em 2014.

E a integração deles nas salas de aula comuns, que geralmente demandam o apoio escolar, também chama a atenção. O Censo mostra que as classes regulares passaram a concentrar até 94,2% do total de alunos com deficiência, índice que não superava os 54% em 2008.

Considerada referência nacional na formação de profissionais de apoio escolar especializado, a InteirAção, entidade de utilidade pública e sem fins lucrativos que trabalha pela educação inclusiva, tem observado o reflexo dessa realidade nas escolas.

 

Também chamado de cuidador, o apoiador escolar tem como missão auxiliar o estudante com deficiência a realizar atividades básicas, como a alimentação, higiene íntima e bucal e a locomoção, possibilitando seu acesso ao ambiente de aprendizado.

A presença desse profissional no ambiente escolar é prevista desde 2008 pela Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva Inclusiva. Em 2012, o direito foi reforçado pela Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista.

Dois anos depois, a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (LBI) definiu legalmente o papel do apoio escolar especializado, e atribuiu ao poder público a responsabilidade de assegurar a oferta do serviço, quando necessário.

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Casos de estudantes que buscam na Justiça a garantia ao direito, contudo, ainda são comuns hoje.

Alguns estados e prefeituras, no entanto, têm se mostrado mais sensíveis à questão.

 

PROCURA PELO SERVIÇO

Segundo a InteirAção, o apoio escolar especializado tem avançado significativamente no pós-pandemia. Uma das explicações seria o aumento dos diagnósticos de deficiências que ficaram represados no período de lockdown.

Um recorte dessa realidade pode ser notado em cidades como Cuiabá (Mato Grosso) e Vitória (Espírito Santo), dentre tantas outras Brasil afora.

Nos últimos três anos, a Prefeitura de Cuiabá, por exemplo, aumentou em até 70% a quantidade de funcionários terceirizados que atuam como apoiador escolar. De 520, em 2020, o quadro passou a 880 profissionais, em 2023, o que tem proporcionado o atendimento a mais de 1,1 mil estudantes com deficiência em 170 unidades municipais.

O número também segue em crescimento em Vitória, que ampliou em 78% o contingente de terceirizados contratados para essa função no município, nos últimos quatro anos. De 70, em 2019, eles somam, neste ano, 125 profissionais que atendem 53 unidades escolares.

A amostragem se refere aos dados da Conviva Serviços e Gestão de Mão de Obra, primeira entidade privada a se especializar no País para atender alunos com deficiências nas escolas.

Presidente da InteirAção, Nelson Pizzo reforça o cenário de avanço do apoio escolar.

“Há uma onda de contratações do serviço por prefeituras no País. A procura pelo apoio especializado se tornou maior do que a oferta. E quem investe em treinamento e cursos de capacitação das equipes está sempre a um passo à frente no mercado”, observa.

 

APOIO

Com autismo severo, o pequeno Fernando (nome fictício), de 8 anos, não conseguia frequentar as aulas todos os dias na Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) em função das crises de nervoso. Após acesso ao apoio escolar prestado pela Conviva, a realidade do garoto se transformou em questão de dias.

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“Ele não mastigava a merenda e passava mal, e também não conseguia ir ao banheiro. Toda essa situação o irritava muito, então, dia sim, dia não, a mãe ia até a escola para buscá-lo. Depois que iniciamos o apoio, no ano passado, ele aprendeu a comer devagar e sozinho e também passou a me pedir para ir ao banheiro. Hoje, ele frequenta sempre as aulas, participa das atividades em sala e até brinca com os colegas”, conta a apoiadora escolar Joelma de Assis Alves, 34 anos, funcionária da Conviva Serviços. “Aprendemos a nos comunicar muito por olhares e toques e eu também canto para ele se acalmar. A própria mãe diz que a vida dela ficou mais tranquila, e eu me sinto em paz por saber que tenho ajudado a família”, completa.

 

 

 

A InteirAção

 

A InteirAção é uma entidade de utilidade pública e sem fins lucrativos atuante em todo território nacional e que trabalha incansavelmente pela causa da educação inclusiva. Trata-se de uma entidade constituída por meio da iniciativa de empresas especializadas em cuidadoria, voluntários, familiares de pessoas com deficiência e profissionais da área de Saúde e Educação. E que tem como missão contribuir para a melhoria dos serviços públicos e privados do País ligados ao apoio escolar na educação inclusiva. A InteirAção oferece capacitação, treinamentos, recrutamento e seleção de profissionais, além de supervisão e gestão de pessoas, consultoria e assessoria na área.

Ao longo de sua trajetória, a InteirAção já capacitou mais de 3 mil profissionais de apoio, proporcionou assistência a mais de 6 mil alunos de 800 escolas em todo o País.

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EDUCAÇÃO

MEC e FNDE avançam na modernização das prestações de contas

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O Ministério da Educação (MEC), por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), tem fortalecido a modernização da análise de prestações de contas dos programas educacionais com foco em inovação, gestão de riscos e maior eficiência no controle dos recursos públicos destinados à educação.

O trabalho começou ainda em 2024, com o levantamento detalhado do estoque de prestações de contas existente no órgão, que acumulava mais de quinze anos de passivo. A partir desse diagnóstico, duas medidas principais foram adotadas.

A primeira foi a automatização da forma como os entes realizam a prestação de contas, permitindo análises mais céleres, por meio da parceria com o Banco do Brasil e da implantação da solução BB Gestão Ágil.

A segunda medida foi o fortalecimento da articulação com o Tribunal de Contas da União (TCU), que resultou na revisão das regras sobre tomada de contas especial e prescrição, formalizada pela Instrução Normativa nº 48, de 27 de novembro de 2024.

Com esses avanços, o FNDE passou a adotar novas frentes de atuação que ampliaram a capacidade de análise, reduziram passivos históricos e fortaleceram os mecanismos de controle e transparência.

Ampliação das análises pelo modelo Malha Fina – O resultado mais expressivo ocorreu com a publicação da Portaria nº 1.146, de 27 de dezembro de 2024, que estabeleceu a segunda aplicação do modelo Malha Fina no FNDE.

A medida reforça o compromisso da autarquia com a gestão de riscos ao aprimorar a identificação de inconsistências nos documentos apresentados pelos gestores públicos, ampliando a capacidade de detectar erros e possíveis fraudes e assegurando a correta aplicação dos recursos destinados à educação.

Nesta segunda aplicação, 101.304 prestações de contas foram homologadas, o que representa mais de 68% do escopo de passivo analisado. O resultado gerou um benefício financeiro de R$ 1.942.656.911,02 aos cofres públicos.

O impacto demonstra a eficiência da ferramenta na recuperação de valores que poderiam ser mal aplicados ou não utilizados adequadamente, fortalecendo a governança e a transparência na execução das políticas públicas educacionais.

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Convênios com uso da plataforma Transferegov – Também em 27 de dezembro de 2024, foi publicada a Portaria FNDE nº 1.148/2024, que estabeleceu novos limites de tolerância ao risco por faixas de valor na análise informatizada das prestações de contas de convênios operacionalizados no Transferegov.br até 30 de junho de 2023, conforme previsto na Portaria Conjunta MGI/CGU nº 41/2023.

A medida permite a homologação informatizada de até 161 prestações de contas, de um total de 164 convênios analisados, já que três foram considerados não elegíveis pelas condições metodológicas estabelecidas.

O valor total dos recursos envolvidos soma R$ 133,6 milhões. Desse montante, cerca de 70%, o equivalente a R$ 92,3 milhões, correspondem a 127 convênios das faixas A e B que não apresentaram ocorrências em trilhas de auditoria da CGU e estão habilitados para análise automatizada.

Outros 34 convênios, que totalizam R$ 23,4 milhões, ainda apresentam pendências em trilhas de auditoria, mas poderão ser habilitados posteriormente após a regularização das inconsistências.

A portaria representa mais um avanço no fortalecimento dos mecanismos de controle e na racionalização da análise das prestações de contas no FNDE.

Solução BB Gestão Ágil – Outro importante instrumento de modernização é o BB Gestão Ágil, ferramenta do Banco do Brasil adotada pelo FNDE para simplificar a prestação de contas de repasses da educação, especialmente no Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE), no Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e no Programa Nacional de Apoio ao Transporte do Escolar (PNATE), conforme previsto na Resolução CD/FNDE nº 7/2024.

A plataforma permite o acompanhamento digital dos recursos, a categorização das despesas e a realização da prestação de contas de forma mais ágil, reduzindo burocracias e facilitando o trabalho dos gestores locais.

Com isso, o processo se torna mais transparente, eficiente e acessível, contribuindo para diminuir erros formais, acelerar análises e fortalecer a regularidade na execução dos programas educacionais.

Como exemplo, no início dos trabalhos, o PNAE contava com cerca de 60 mil prestações de contas pendentes, sendo parte delas com mais de 15 anos de tramitação dentro do órgão, totalizando mais de R$ 40 bilhões distribuídos ao longo desse período.

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Com a utilização dessas medidas, além da aplicação da IN TCU nº 48/2024, esse número caiu para 45 mil prestações de contas, com valor estimado em R$ 28 bilhões. Isso significa que, em pouco mais de um ano de trabalho, 25% do passivo foi solucionado, com expectativa de ganhos de escala ainda maiores nos próximos anos.

Cooperação com a CGU e reconhecimento nacional – A modernização das análises de prestação de contas no FNDE teve início em 2020, com a assinatura do Acordo de Cooperação Técnica entre a autarquia e a Controladoria-Geral da União (CGU).

O objetivo da parceria foi desenvolver mecanismos mais eficientes para verificar a correta aplicação dos recursos públicos destinados à educação em todo o país, com base em critérios de gestão de riscos e automação de processos.

A partir desse acordo, foi publicada a Resolução CD/FNDE nº 20/2021, que instituiu oficialmente o modelo Malha Fina no FNDE, com a primeira aplicação efetivada pela Portaria nº 101/2022.

Na ocasião, mais de 60 mil prestações de contas foram homologadas, gerando um benefício financeiro estimado em R$ 800 milhões para a autarquia.

Com a segunda aplicação do modelo, formalizada pela Portaria nº 1.146/2024, os resultados foram ainda mais expressivos. Foram 101.304 prestações de contas homologadas e um benefício financeiro de R$ 1,9 bilhão aos cofres públicos, mais que o dobro do impacto registrado na primeira etapa.

A iniciativa foi reconhecida nacionalmente com o Prêmio de Inovação da Escola Nacional de Administração Pública (Enap), consolidando o FNDE como referência em modernização da gestão pública e no uso de inteligência aplicada ao controle de recursos da educação.

Assessoria de Comunicação Social do MEC e do FNDE

Fonte: Ministério da Educação

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