OPINIÃO

Hora de construir o futuro

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“A indústria de Mato Grosso está a postos para transformar
nossas grandes oportunidades em realizações concretas”
Quem assistiu na infância ao belíssimo ‘2001 – Uma Odisseia no Espaço’ ficou para sempre marcado pela ânsia de inovar. Hoje, 20 anos após aquele futuro imaginado em 1968, fazer uma videochamada pelo celular para qualquer lugar do planeta é um avanço sem precedentes para quem já viveu em um mundo onde até os telefones fixos eram luxo.
A inovação tecnológica cresce de forma exponencial. Nos próximos 10 anos, nosso salto terá sido muito maior do que foi nos últimos 20. E a evolução de processos é especialmente palpável na indústria, que passa pelo quarto ciclo de evolução, marcado pela conectividade, inteligência artificial, acompanhamento e controle em tempo real, novos arranjos, novas competências, novas relações de trabalho.
Mas como falar em inteligência artificial em um estado como Mato Grosso, onde a indústria ainda enfrenta desafios muito básicos, como falta de rodovias e ferrovias, energia cara, frete proibitivo?
Precisamos focar na agenda crítica da industrialização de Mato Grosso, que inclui as grandes obras para a competitividade da nossa logística e a redução do custo da energia. Mas inclui também a adoção dos princípios da sustentabilidade em todos os seus aspectos: social, ambiental e econômico, agora ampliado para governança, o ESG.
O consumidor do futuro é o jovem de agora. Em 10 anos, a maior parte do poder de compra no país estará concentrada nas mãos dos millenials e da Geração Z, um público que busca não apenas qualidade e preço, mas também engajamento, pertencimento e identificação com o propósito das marcas que consome. É uma realidade iminente, para a qual nossas indústrias devem se preparar.
Precisamos partir do que temos de positivo. O primeiro ponto: uma indústria que começa agora já é nativa digital. Todos os novos empreendimentos já podem ser concebidos nos moldes da indústria 4.0, sem ter que se adaptar para isso. A indústria mato-grossense tem tudo para ser como a Geração Z, ainda que com sotaque do campo, pois esse é o nosso sotaque. E esse é o segundo ponto: a abundância de matéria-prima, dada nossa vocação agro, que orienta nosso principal foco para a agroindústria.
Essa é a reflexão que proponho neste 25 de maio, Dia da Indústria. Qual cenário de futuro queremos? E como vamos atuar agora para chegarmos a esse cenário ideal? Nesta quinta-feira, 27, a Fiemt promove essa provocação, durante evento on-line que vai abordar todos esses temas. Precisamos compreender os grandes movimentos e definir se queremos que Mato Grosso paute a agenda crítica para o próprio desenvolvimento ou corra atrás da agenda de terceiros.
A presença da indústria mato-grossense no contexto nacional quase dobrou em dez anos. Tivemos o sétimo maior crescimento na participação industrial no país. Mais ainda nos falta um modelo nacional de desenvolvimento claro e alinhado.
O Brasil tributa os investimentos industriais, tributa o emprego, tributa violentamente quem produz, ao mesmo tempo em que desonera exportações, permite o subemprego sem garantias e facilita a entrada de produtos estrangeiros, como o etanol americano. Enfrentamos entraves históricos para o crescimento industrial. E Mato Grosso sofre muito mais, pelo mercado interno reduzido, a distância dos grandes centros, logística ineficiente e cara, alto custo da energia.
Um setor que contribui com 39% da arrecadação de tributos merece mais atenção. Geramos 15,8% do PIB e 17,2% dos postos de trabalho – portanto, temos espaço para crescer e levar Mato Grosso a um novo patamar de desenvolvimento econômico e social, com inovação, conservação ambiental, energias limpas, tecnologias sustentáveis, mais trabalho, renda e, consequentemente, mais recursos para melhorar os serviços públicos, como saúde, educação e segurança.
O futuro ainda não existe. Nós é que precisamos definir aonde queremos chegar, planejar o caminho e executar o plano. E a indústria de Mato Grosso está a postos para transformar nossas grandes oportunidades em realizações concretas.
* Gustavo de Oliveira é presidente do Sistema Fiemt

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OPINIÃO

Os Saberes da Floresta

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Emanuel Filartiga

À mangueira do quintal de casa, que me segurou quando eu caí.

O Brasil perde 24 árvores por segundo. Parece não haver tempo para os órgãos de fiscalização ambiental chegarem a todos os alertas de desmatamento feitos pelos satélites que monitoram, pelas denúncias anônimas que chegam, pelas chamadas por telefone que tocam …

Não conheci meu avô, mas lembro da sua voz. Quando eu andava pelo quintal, curioso, ao puxar uma folha verde de uma planta, o som forte e rouco veio: “Não faça isso, menino!”

Meu irmão, sempre que o chão duro e as palavras de chumbo da vida nos apertam, convida-nos a ter com as árvores e a cachoeira. Quando sai de baixo da queda d’água ou do meio da mata, ele diz: “Alas, tava precisando”. Meu irmão sabe da ecologia de saberes de que nos fala Boaventura Sousa Santos.

Não nos esqueçamos que o Brasil é país que tem nome de árvore. Ela está no nosso DNA. Lembremos sempre, leitor amigo, em nosso sangue não há apenas plasma, hemácias, leucócitos e plaquetas; há seiva, terra e vida.

E é com a dor de terra sem mata, com o grito da árvore quando tomba, com o vazio que enche olhos, que eu quero lembrar a você, a você com as motosserras físicas ou imaginárias: a floresta em pé tem mais valor que os troncos, galhos e folhas deitados.

Não me venha falar que isso é desenvolvimento, globalização ou necessária exploração de recursos naturais. Não é isso que vemos. Só vemos serra, fogo, ranger, quebra e vazio; acima de tudo vazio. Vejo o solo vazio, a gente vazia e a memória vazia.

Na Odisseia de Homero, Ulisses não pode, nem sequer por um segundo, “esquecer o retorno”, mesmo com todos os obstáculos, com todas as aventuras, ele não pode esquecer de onde veio. A viagem nunca é só de ida. O desejo de um futuro a ser conquistado é garantido pela memória de um passado.

Como disse Ítalo Calvino, “…a memória conta realmente – para os indivíduos, as coletividades, as civilizações – só se mantiver junto a marca do passado e o projeto do futuro, se permitir fazer sem esquecer aquilo que se pretendia fazer, tornar-se sem deixar de ser, ser sem deixar de tornar-se.”

Somos, no interior e no início e para sempre, povo da floresta.

*Emanuel Filartiga é Promotor de Justiça em Mato Grosso

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