Mulher
Guia inédito reúne dados, orientações e perfil de mulheres que viajam sozinhas no Brasil
Nesta quinta-feira (5), foi lançado o Guia para Mulheres que Viajam Sozinhas, publicação inédita do Ministério do Turismo que reúne dados, análises e orientações práticas para incentivar um turismo mais seguro, responsável e inclusivo para as mulheres no Brasil. O evento contou com a presença da ministra das Mulheres, Márcia Lopes; e do ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, entre outras autoridades.
Márcia Lopes destacou que a publicação representa mais um instrumento de proteção e promoção da autonomia das mulheres. “Esse guia é uma novidade muito importante. Ele traz dicas práticas, orientações e informações que ajudam a garantir mais segurança para as mulheres que desejam viajar sozinhas. Neste momento em que estamos fortalecendo o Pacto Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio, tudo o que vier para assegurar e ampliar a proteção às mulheres é fundamental”, afirmou.
O ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, ressaltou que o setor também tem papel na promoção de ambientes seguros para as mulheres. “Este guia está alinhado ao Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio, lançado pelo governo do presidente Lula, que estrutura ações preventivas, integradas e permanentes para proteger mulheres em todo o país”, destacou o ministro.
Sobre o guia
Levantamento inédito do Ministério do Turismo revela que quatro em cada dez brasileiras já viajaram sozinhas e 31,4% realizam esse tipo de viagem com frequência. Nesse cenário, o Brasil ocupa papel de destaque: entre as 41,8% que já viajaram sozinhas (tanto no país quanto no exterior), 35,9% optaram por vivenciar essa experiência exclusivamente em território nacional. Apenas 4,6% nunca realizaram uma viagem solo pelo país.
Com 72 páginas, o guia foi elaborado a partir de uma pesquisa realizada entre agosto e setembro de 2025, com 2.712 mulheres de todas as regiões do país. Elas compartilharam percepções, motivações, receios e estratégias de viagem. O documento amplia o olhar sobre diferentes perfis, incluindo mães que viajam com filhos, mulheres maduras, profissionais em deslocamento a trabalho e entusiastas de nichos como ecoturismo, bem-estar e gastronomia.
“O guia nasce a partir de algo que sempre observei como jornalista e viajante: muitas mulheres desejam viajar sozinhas, mas ainda enfrentam inseguranças e falta de informação. Por isso, além de reunir histórias e experiências, o guia traz uma pesquisa inédita que dá visibilidade a esse cenário e apresenta dados para qualificar o debate sobre segurança, autonomia e mobilidade feminina no turismo”, destacou Anelise Zanoni, que participou da elaboração da publicação em parceria com a UNESCO.
Acesse aqui o Guia para Mulheres que Viajam Sozinhas.
Perfil da viajante solo
A faixa etária predominante é de 35 a 44 anos (34,6%), seguida pelas faixas de 45 a 54 anos (22,1%) e 25 a 34 anos (21,7%). A maioria possui renda entre três e dez salários mínimos e 67,7% não têm filhos. Entre as mães com filhos menores, 58,5% relataram sentir-se seguras ao viajar com eles.
Motivações e interesses
Embora o lazer lidere (72,6%), a busca por independência e liberdade é central para 65,1% das entrevistadas. Autoconhecimento, trabalho e visitas a familiares também aparecem entre os motivos citados. Na escolha do destino, segurança e autonomia de decisão aparecem à frente de fatores como preço e conforto.
Visão especializada
O material contou com a consultoria de 17 especialistas das áreas de turismo e gênero, além da parceria com a UNESCO e da colaboração da jornalista Anelise Zanoni. O conteúdo dialoga com políticas públicas como o Pacto Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio e o Protocolo Não é Não, que estabelece medidas de proteção às mulheres em casas noturnas, shows e eventos com venda de bebidas alcoólicas, reforçando que a segurança é uma responsabilidade compartilhada por toda a cadeia turística.
Confira a programação completa do Março das Mulheres – Todos Juntos por Todas.
Com informações do Ministério do Turismo.
Fonte: Ministério das Mulheres
Mulher
Brasília sedia encontro de gestoras para validação de novas diretrizes das Casas da Mulher Brasileira
Nos dias 14 e 15 de abril, Brasília recebe o Encontro de Colegiados Gestores e Representantes dos Serviços das Casas da Mulher Brasileira: Oficina e Validação das Novas Diretrizes da Casa da Mulher Brasileira.
Promovido pelo Ministério das Mulheres, em parceria com a ONU Mulheres, o evento reúne gestoras em função de fortalecer a rede de atenção às mulheres em situação de violência. O objetivo é que mulheres que trabalham com as entregas de políticas públicas na ponta possam se reunir para debater diretrizes que serão implementadas no segundo semestre de 2026.
Estela Bezerra, secretária Nacional de Enfrentamento à Violência Contra Mulheres, pontuou os desafios que é desenvolver a política de enfrentamento da violência contra a mulher. “O trabalho que a gente faz já tem impacto, mas pode ter um impacto muito maior. O nosso desafio é de acolhimento, fluxo, atendimento adequado, mas temos a capacidade de fazer com que cada mulher que chegue à rede de atenção especializada consiga ter um plano de vida que permita que ela saia da situação de violência”, contextualizou Estela.
Para a secretária, a rede especializada de atendimento às vítimas de violência é um diferencial na vida dessas mulheres. Os dados disponibilizados, tanto no Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp) quanto no Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostram que municípios que contam com estrutura especializada, como Casa Abrigo, Casa Da Mulher Brasileira, Delegacia da Mulher, Defensoria Pública da Mulher, apresentam taxas menores de feminicídio.
“No último relatório que foi divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, nós tivemos uma radiografia que nos coloca um desafio gigante. Dos 931 municípios, onde aconteceram os feminicídios no ano passado (2025), 50% deles ocorreram em municípios de até 100 mil habitantes. Muitos desses municípios não têm nenhum equipamento especializado de enfrentamento à violência, como delegacia especializada, por exemplo”, apresentou a secretária.
Parcerias
Tendo como premissa que a violência contra mulheres é um problema cultural, há uma necessidade constante de enfrentamento a essa violência. Por isso, as políticas públicas não podem ser estáticas. É necessário que sempre se revisite, dialogue e revise as diretrizes, para que o enfrentamento esteja alinhado às necessidades de cada local.
Desse modo, o Encontro de Colegiados Gestores e Representantes dos Serviços das Casas da Mulher Brasileira: Oficina e Validação das Novas Diretrizes da Casa da Mulher Brasileira, em parceria com a ONU Mulheres, busca a elaboração de uma nova versão das diretrizes gerais da Casa da Mulher Brasileira, mais conectada com a realidade atual desse fenômeno da violência contra as mulheres e mais conectada com as demandas, com as necessidades e com as lacunas que existem.
De acordo com Maura Souza, coordenadora-geral de Fortalecimento da Rede de Atendimento, na Secretaria Nacional de Enfrentamento à Violência contra Mulheres, do Ministério das Mulheres, o objetivo da Casa da Mulher Brasileira é ofertar, no mínimo, dez serviços, para que a mulher tenha atendimento especializado em um único lugar.
“No âmbito das Casas da Mulher Brasileira, ofertamos, no mínimo, dez serviços, por meio de ações intersetoriais vinculadas a outras políticas setoriais, que visam, ao mesmo tempo, a quebrar o ciclo da violência, e construir e impactar os indicadores de cada território, do ponto de vista de redução significativa da violência, sobretudo de erradicação do feminicídio nesses territórios”, reforçou Maura.
Diagnóstico e revisão
A parceria entre a pasta das Mulheres e a ONU Mulheres vem desde 2023, mas foi em 2024, por meio de apoio técnico entre as instituições, que foi possível formular o projeto de diagnóstico da Casa da Mulher Brasileira e as diretrizes de funcionamento das Casas.
“Desde junho do ano passado (2025), entramos em campo para visitar a Casa da Mulher Brasileira. Selecionamos oito, que estavam em funcionamento naquele momento. Fizemos visitas, observamos o funcionamento, realizamos mais de 80 entrevistas locais, entrevistas com secretárias de políticas para as mulheres. Finalizamos esse diagnóstico e, nesse momento, estamos concluindo o diagnóstico. Hoje vamos apresentar para as equipes das Casas o resultado dessa revisão das diretrizes, para que a gente possa colher um pouco mais de insumos e contribuições para finalizar o documento”, contextualizou a pesquisadora da ONU Mulheres, Wânia Pasinato.
Próximos passos
Maura Souza, coordenadora-geral de Fortalecimento da Rede de Atendimento, explicou que o evento representa uma das etapas do projeto, que, a partir do diagnóstico identificado, apresentará uma proposta de alteração das diretrizes, para qualificação no âmbito do colegiado do Conselho das Mulheres e apresentado também para o Fórum do Secretário Estadual de Política para as Mulheres.
“Vamos concluir esse instrumento para publicar em junho. A partir de junho, nós vamos colocar em prática um plano de implementação das diretrizes. Essa implementação requer a articulação territorial com os estados, com os municípios que fazem a gestão da Casa da Mulher Brasileira”, finalizou a coordenadora-geral.
Fonte: Ministério das Mulheres
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