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Festa de Lambadão em Cuiabá termina em confusão, gás de pimenta e revolta da população contra ação policial “Truculência”

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JB News

Por Nayara Cristina

Uma noite que prometia ser de alegria e dança terminou em tumulto, correria e indignação em Cuiabá. A festa de Lambadão realizada na casa de shows Top Mais, localizada no bairro CPA 1, foi encerrada de forma abrupta pela Força-Tarefa de Segurança, composta pela Polícia Militar, Polícia Civil e pela Secretaria Municipal da Ordem Pública (SORP), na noite desta sexta-feira (30).

Segundo informações, a ação foi desencadeada após denúncias recebidas pelas autoridades, mas o desfecho deixou marcas de revolta entre frequentadores e trabalhadores do evento. Durante a intervenção, policiais teriam utilizado spray de pimenta em ambiente fechado, atingindo clientes, músicos e dançarinos que estavam na casa. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram o momento da chegada da polícia, em meio a gritos e confusão, com dezenas de pessoas saindo às pressas do local, muitas delas chorando e com sinais de irritação nos olhos.

Nas imagens e relatos divulgados, o clima de revolta é evidente. Frequentadores afirmaram que a operação foi “truculenta e despreparada”, destacando que a maioria das pessoas presentes eram clientes habituais que comparecem semanalmente por paixão ao Lambadão, ritmo cultural característico da região. “É lamentável ver pessoas que frequentam aqui todos os finais de semana, porque amam o Lambadão, sendo tratadas daquela forma, como se fossem bandidos”, disse um dos participantes da festa, indignado com a abordagem.

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Nas redes sociais, os organizadores do evento também criticaram duramente a conduta da polícia. Em nota publicada no Instagram, eles alegaram que a festa estava totalmente documentada e dentro da legalidade, sem qualquer irregularidade constatada. Ainda segundo a publicação, até mesmo o delegado responsável pela operação teria pedido desculpas pela ação, reconhecendo que não havia nada de errado com o evento.

Os comentários na internet se multiplicaram rapidamente, trazendo à tona uma preocupação maior: o futuro da cena cultural cuiabana. Muitos usuários ressaltaram que operações semelhantes raramente são vistas em bares e casas de shows localizadas no centro ou em bairros nobres da capital, levantando críticas sobre a seletividade das ações policiais. “Não vejo essa mesma eficiência nos locais de entretenimento da região central ou dos bairros mais caros da cidade. Quando é no CPA ou em regiões periféricas, a truculência é sempre maior”, comentou um frequentador.

Além da revolta contra a polícia, os relatos também revelam medo de que a noite cuiabana seja cada vez mais sufocada por operações consideradas abusivas. “Se Cuiabá seguir nesse rumo de tratar os locais de evento com tanta rigidez, a cena cultural da cidade estará fadada ao fracasso e ao fim”, afirmou outro frequentador.

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O episódio foi descrito por muitos como um verdadeiro “show de horror”, com gás de pimenta lançado sobre uma multidão que, segundo testemunhas, apenas se divertia. A indignação também atingiu figuras políticas, já que publicações nas redes sociais marcaram o prefeito Abílio Brunini, cobrando providências e mais equilíbrio nas ações de fiscalização.

Enquanto a polêmica segue nas redes e gera debates sobre o uso da força  policial e criminalização da cultura popular, a comunidade do Lambadão teme que episódios como este desestimulem eventos e prejudiquem a sobrevivência de uma das expressões mais tradicionais da música cuiabana.

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Festival da Pamonha mantém grande público e impulsiona economia na comunidade Rio dos Peixes

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O penúltimo dia do 7º Festival da Pamonha da comunidade de Rio dos Peixes confirmou o impacto que o evento vem gerando na economia local e na valorização da cultura regional, reunindo milhares de visitantes e mantendo aquecida a cadeia produtiva do milho, principal base da festa. Com estimativa de até 5 mil pessoas por dia e o processamento de cerca de 40 toneladas ao longo da programação, o festival segue consolidado como uma vitrine para pequenos produtores e trabalhadores da região.

Neste terceiro dia, o movimento nas barracas reforçou o papel do evento como fonte de renda para dezenas de famílias. A estrutura ampliada e mais organizada foi percebida tanto por comerciantes quanto pelo público. A divisão dos espaços, separando pamonhas, lanches e doces, facilitou a circulação e melhorou a experiência de quem visita.

O secretário municipal de Agricultura, Vicente Falcão, avaliou o momento como positivo e destacou que o festival vem superando as expectativas em público e consumo. Segundo ele, o evento já ultrapassa o caráter local e ganha relevância estadual e até nacional, atraindo visitantes de diferentes regiões. “Os participantes são 100% moradores e pequenos produtores da comunidade, o que reforça o impacto direto na geração de renda”, pontuou.

O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Trabalho, Turismo e Agricultura, Fellipe Correa, destacou o papel estratégico do festival para o fortalecimento da economia local. “Além de gerar renda e valorizar a tradição, o Festival da Pamonha reforça a dimensão territorial e turística de Cuiabá, que se estende pela Estrada da Chapada até o Portão do Inferno. Toda essa região, incluindo os balneários e a comunidade de Rio dos Peixes, integra um circuito importante para o turismo da capital. Nesse contexto, o festival se consolida como uma referência do turismo gastronômico cuiabano”, afirmou.

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Entre os expositores, a percepção também é de crescimento. O comerciante Rudnei dos Santos, que participa há quatro edições, classificou o dia como produtivo e destacou a organização como um dos diferenciais deste ano. Ele acredita que o fluxo ainda aumenta ao longo do dia e reforça que o festival é resultado de um trabalho coletivo. “A gente percebe que o público chega já sabendo onde encontrar o que quer, isso facilita muito”, afirmou. Experiente, ele também participa do concurso da melhor pamonha e atribui o sucesso ao cuidado com o preparo: “O segredo é fazer com amor”.

Para o público, a experiência vai além da gastronomia. O advogado Lucas Veloso, morador de Várzea Grande, retornou ao festival pela segunda vez e notou avanços na estrutura. “Eu já esperava algo bom, mas vi melhorias, principalmente na organização e na estrutura para comerciantes e visitantes. Isso incentiva a gente a voltar”, disse. Ele destacou ainda o interesse pelas apresentações culturais e a diversidade de sabores disponíveis.

A variedade, aliás, é um dos pontos mais comentados. De receitas tradicionais a versões mais criativas, como pamonha de pizza ou combinações com jiló e linguiça, o cardápio chama a atenção de quem chega. O professor Cláudio Vaz de Araújo, que conheceu o evento pela primeira vez durante uma viagem, elogiou tanto o sabor quanto a organização. “É fácil circular, escolher e experimentar. Dá vontade de voltar”, afirmou.

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Apesar da avaliação positiva, algumas observações surgem como sugestões para as próximas edições. A conectividade foi um dos pontos citados por visitantes e comerciantes. A dificuldade de acesso à internet no local impacta principalmente pagamentos via Pix e a divulgação em tempo real nas redes sociais. O próprio secretário reconheceu a limitação, explicando que a alta demanda, com mais de 700 acessos simultâneos, sobrecarregou o sistema disponível. A prefeitura, segundo ele, já estuda melhorias para o próximo ano.

Outras sugestões envolvem aspectos pontuais da experiência gastronômica, como a manutenção da temperatura e frescor das pamonhas em determinados momentos de maior fluxo, sem comprometer a avaliação geral, que segue positiva.

Além da alimentação, o festival também conta com suporte na área da saúde. Equipes da Unidade de Saúde de Rio dos Peixes oferecem vacinação, atendimento odontológico, aferição de pressão arterial e testes de glicemia, sob coordenação da gerente Magda Oliveira. Paralelamente, socorristas e profissionais de enfermagem, coordenados pelo bombeiro civil Anderjan Santana, atuam com atendimentos emergenciais e serviços básicos, garantindo mais segurança ao público.

A programação segue até esta terça-feira (21), feriado de Tiradentes, quando será anunciado o resultado do Concurso da Melhor Pamonha. A expectativa é de que o último dia mantenha o alto fluxo de visitantes, encerrando mais uma edição marcada pela integração entre cultura, produção local e geração de renda.

Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT

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