“É uma decisão técnica”: diz Governador Mauro Mendes em debate sobre troca do BRT pelo BUD
JB News
por Jota de Sá
O modal de transporte público da capital mato-grossense voltou ao centro do debate político e institucional, colocando frente a frente a Prefeitura de Cuiabá e o Governo do Estado. Em fase final de execução, o BRT — escolhido para substituir o VLT após um dos episódios mais traumáticos da história recente da infraestrutura urbana do estado — passou a ser questionado diante da possibilidade de adoção de um novo sistema conhecido como BUD (Bonde Urbano Digital),, um modelo de ônibus moderno, sobre rodas, com menor exigência estrutural e tecnologia semelhante à de modais de média capacidade.
A discussão ganhou força depois que o prefeito Abílio Brunini esteve na China, onde participou de encontros com empresários e representantes do setor de transporte coletivo, incluindo fabricantes do Bud, veículo que já opera em grandes centros urbanos e vem sendo apontado como alternativa mais rápida e menos onerosa para cidades em expansão.
O BRT, por sua vez, carrega o peso de um histórico marcado por atrasos. A obra deveria ter sido concluída há pelo menos um ano e meio, mas segue sem entrega definitiva. Entre os fatores citados pelo governo estão a escassez de mão de obra e entraves operacionais. O sistema foi adotado ainda no início da gestão do governador Mauro Mendes, após a interrupção do VLT, projeto iniciado em 2014 e que acabou sepultado em meio a denúncias de corrupção, desvios de recursos e falhas graves de planejamento, o que levou à intervenção do Ministério Público e de setores da classe política.
A possibilidade de uma nova mudança no modal, agora do BRT para o Bud, gerou reações imediatas. O governador tem reiterado que o prefeito tem autonomia para discutir alternativas para a capital, mas deixou claro que qualquer decisão sobre o sistema metropolitano de transporte precisa estar ancorada em critérios técnicos e estudos aprofundados.
Nesta semana, o tema voltou à tona após declarações de Mauro Mendes confirmando que o governo do estado analisa, de forma silenciosa e minuciosa, a viabilidade do Budi há vários anos. Segundo ele, a discussão não surgiu com a posse do atual prefeito, mas faz parte de um conjunto de avaliações conduzidas pela equipe técnica da área de infraestrutura.
Ao comentar diretamente a tentativa de convencimento por parte do prefeito, o governador foi enfático:
“Como prefeito de Cuiabá, é fácil convencer apenas um homem. Você acredita que possa me convencer? Do quê? Da mudança do BRT para o Budi? Senhores, é uma decisão técnica. Técnica. O governo estuda isso antes do Abílio virar prefeito. Silenciosamente. E vai estudar até o último momento. Quando o governo chegar às suas conclusões, através do estudo que estamos fazendo, nós viremos a público e vamos explicar — e temos o dever de explicar — para todo cidadão e para a sociedade por que decidimos por A, B ou C”, afirmou.
O impacto de qualquer decisão não se restringe à capital. O sistema de transporte atende diretamente a ligação entre Cuiabá e Várzea Grande, eixo central da mobilidade urbana da região metropolitana. Por isso, o governo reconhece que qualquer mudança exigirá transparência, comunicação clara e justificativas técnicas sólidas para a população.
Enquanto o BRT segue em obras e o Bud aparece como alternativa em debate, o transporte público de Cuiabá permanece como um dos temas mais sensíveis da gestão pública local — um símbolo de decisões passadas mal-sucedidas e, ao mesmo tempo, um teste decisivo para o futuro da mobilidade urbana no estado de Mato Grosso.
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