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Domingas Leonor recebe título de Doutora Honoris Causa da UFMT

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Por Malu Sousa

 

A Universidade Federal de Mato Grosso, através de uma comissão especial, concedeu de forma unânime  o título de Doutora Honoris Causa à Domingas Leonor da Silva, por meio de indicação da reitora Myrian Thereza de Moura Serra. O relato sobre a trajetória de Domingas foi produzido e lido pelo professor Fernando Tadeu de Miranda Borges, depois de apreciado pelo Conselho Superior Universitário. Conforme o documento, Domingas tem ligações há muito tempo com a Universidade, na área da cultura popular.

O primeiro reitor fundador da UFMT, Gabriel Novis Neves, sensível às artes e à cultura, demonstrou seu respeito aos saberes populares e à cultura regional. Um fato ocorreu em Cuiabá, a enchente de 74, período em que a Universidade contribuiu no atendimento aos flagelados, uma vez que muitos perderam casas e clamavam por apoio, principalmente na Comunidade de São Gonçalo Beira Rio. Foi a partir daí que surgiu uma relação forte e duradoura entre Domingas e a instituição.

Depois a Universidade instalou o ateliê livre de arte e de cultura popular, o que aproximou Domingas ainda mais. Ela disse com orgulho: ”Fiz uma Nossa Senhora do Carmo, de 90 centímetros, com a grinalda de flor de cerâmica. Quando Humberto Espíndola e Aline Figueiredo, viram, disseram que eu era uma artista verdadeira e me convidaram para participar de uma exposição de arte sacra. Eu competí e ganhei a premiação, isto foi um marco na minha vida”, garantiu. Domingas destacou que em seguida foi para   Salvador participar de uma exposição de arte sacra com muitas caixas de santos e presépios.

Posteriormente foi convidada para outras feiras em São Paulo e Brasília, junto com outras ceramistas. Ela lembrou ainda que na época, o professor Fernando Pace a levou para Aquidauana, onde ficou por um mês ministrando oficinas. Em seguida recebeu um convite da professora Marília Beatriz de Figueiredo Leite, para dançar o Siriri em uma feira na UFMT.

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Não demorou muito, o pró-reitor, Abílio Camilo Fernandes, a convidou para participar do Programa de Extensão  “Universidade nas Cidades”. Domingas ressalta que percorreu regiões do estado, onde ministrou oficinas de artesanato de até 180 horas e no final, realizava uma exposição das peças. “Sinto-me honrada de ter feito esse trabalho. Acho que fui uma grande professora de artes da universidade Federal de Mato Grosso, eu tenho muito orgulho disso”, assinalou.

A presença da Universidade, segundo ela, foi se aproximando do modo de viver a cultura de São Gonçalo Beira Rio. Ela relembra uma comunidade simples que não tinha transporte público, a locomoção era somente de canoa e charrete. O meio de sobrevivência era sempre o peixe e a cerâmica. Dominga destaca sua origem: filha de uma índia e o pai Paraguaio. “Tudo que eu aprendí foi através da minha avó Tóla, índia Coxiponés. Vim deste berço cultural e nunca fugí da originalidade do trabalho,  nas danças do siriri, cururu, boi-a-serra, rasqueado e de São Gonçalo” disse ela.

Durante toda sua trajetória de vida, Domingas  defendeu com garra as tradições de São Gonçalo Beira Rio e a cultura cuiabana. De acordo com o seu relato, sempre foi persistente. “A cultura e o nosso artesanato estavam morrendo, e eu tentei resgatar. Sentí isso como uma grande obrigação na minha vida”, argumentou. Domingas fundou a Associação de Moradores do seu bairro, Associação de Pescadores, Associação de Ceramistas, Associação de Siriri e um grupo de Jovens. “Hoje eu tenho  filhos e netos que seguem comigo e me ajudam na preservação das belezas de nossa cultura”, observou.

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O grupo Flor Ribeirinha, nasceu em seu quintal há 26 anos e já rompeu fronteiras dentro e fora do Brasil. O grupo se apresentou em diversos países, e conquistou um prêmio mundial em 2017 na Turquia. O grupo já se apresentou por diversas vezes no teatro da UFMT e sempre contou com a instituição. Domingas destaca que o apoio da Universidade  foi essencial, para mostrar ao mundo, a cultura popular cuiabana Mato-grossense.

Em 2020, ano em que a Universidade Federal de Mato Grosso completará 50 anos e Domingas Leonor da Silva, vai comemorar 50 anos de vida cultural. “Queremos fazer parte do aniversário desta conceituada instituição. Para mim, é muito importante, momento em que também completo 50 anos de muita luta e graças alcançadas. Sou grata a Deus, que sempre está me abençoando”, finalizou.

Fotos: Divulgação

O título Honoris Causa, também é concedido a pessoas eminentes, que não necessariamente tenham uma graduação acadêmica, mas que se destacaram em áreas como: artes, ciências, filosofia, letras, promoção da paz e de causas humanitárias. Por sua virtude, mérito ou serviços que transcendam. Atingiu um alto nível de reconhecimento e de feitos significativos, a ponto de ser considerado grau honorário de doutor

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Policial penal de Tangará da Serra é condenado a mais de 11 anos por esquema de tráfico e corrupção dentro de presídio

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JB News

Por Emerson Teixeira

A condenação de um policial penal por envolvimento em um esquema de entrada de celulares e drogas no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Tangará da Serra expõe uma grave quebra de confiança dentro do sistema prisional de Mato Grosso. A sentença foi assinada pelo juiz Ricardo Frazon Menegucci, que reconheceu a prática de tráfico de drogas, corrupção passiva e facilitação da entrada de aparelhos telefônicos na unidade.

Segundo a decisão judicial, o servidor se aproveitou da função pública para introduzir de forma clandestina celulares, acessórios e entorpecentes dentro do presídio, beneficiando detentos e recebendo vantagens indevidas para isso. Em uma das situações investigadas, ficou comprovado que ele recebeu R$ 2,5 mil para facilitar a entrada de um aparelho celular no interior da unidade prisional.

As investigações reuniram um conjunto de provas que incluiu apreensão de celulares, drogas e acessórios, além de depoimentos de testemunhas e imagens do sistema de monitoramento interno. O processo apontou que o policial utilizava o acesso privilegiado a áreas restritas do CDP para viabilizar a entrada dos materiais ilícitos, driblando a fiscalização interna.

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Em um dos episódios, ele foi flagrado ao tentar ingressar novamente com celulares e acessórios no presídio, mas acabou interceptado antes de concluir a ação. Em outro caso, ficou comprovada a entrada de porções de maconha e cocaína destinadas a presos da unidade.

Na sentença, o magistrado ressaltou a gravidade da conduta, principalmente pelo fato de o condenado ser um agente público encarregado de zelar pela segurança do sistema prisional. Para o juiz, a atuação do servidor comprometeu a confiança da administração pública e fortaleceu a atuação de grupos criminosos dentro do cárcere.

Ao final do julgamento, o policial penal foi condenado a 11 anos e 6 meses de reclusão, além de 5 meses e 18 dias de detenção, em razão do concurso material dos crimes, e ao pagamento de multa. A decisão também determinou a perda do cargo público e do porte de arma, por incompatibilidade entre a permanência na função e a gravidade dos crimes praticados.

 

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