POLITICA
Deputado se reúne com pescadores da Padilha para explicar regras da lei da pesca
De lideranças partidárias, a lei foi sancionada pelo governador Mauro Mendes
Robson Fraga
“O deputado Wilson devolveu nossa liberdade”. Com esta fala de um pescador, o deputado Wilson Santos foi recebido na última sexta-feira (4), por um grupo de 40 profissionais da pesca da comunidade Padilha, da Chapada dos Guimarães, distante cerca de 100 Km de Cuiabá.
No encontro, o parlamentar explicou as regras que permitiram a reabertura da pesca nos rios Manso e Cuiabazinho. Liberação provocada pela lei 11.676/2022, sancionada, na última quarta-feira (2), pelo governador Mauro Mendes (DEM). Uma luta iniciada pelo deputado que conseguiu convencer lideranças partidárias a assinarem o projeto de lei que originou a permissão.
“Foi uma luta árdua, mas conseguimos devolver a vocês o direito de retirarem dos rios o sustento de suas famílias”, disse o deputado.
O texto autoriza a pesca a partir de 3 quilômetros da represa da Usina do Manso. Atividade que estava proibida há sete meses.
Wilson explicou que a legislação só entra em vigor 30 dias após sua publicação no Diário Oficial, portanto dia 1° de março. Contudo, o parlamentar se comprometeu a apresentar uma emenda à lei para antecipar a data.
“Na próxima semana, provavelmente na quarta-feira (9), vou apresentar a emenda para liberar a pesca desde já”.
Comunidade ribeirinha
O presidente da Associação de Pequenos Produtores Rurais da Comunidade Padilha, Valdinei da Silva, que congrega cerca de 40 famílias, classificou a luta do parlamentar como ato de justiça social. É a pesca que há vários anos garante o sustento destas famílias.
“Estamos muito agradecidos ao deputado. É do Manso que sai o sustento das nossas famílias e não era justo que ficássemos proibidos de pescar. Esperamos que esta mudança na data de liberação seja aprovada o quanto antes”, disse.
“O Rio Manso estava morto sem a presença dos ribeirinhos. A gente não tinha liberdade de aproveitar o que é nosso. Quando a gente descia o rio, a fiscalização barrava e só pescador esportivo tinha direito ao peixe. O deputado Wilson devolveu nossa liberdade”, disse o pescador Adilson Mariano da Silva.

A presidente da Associação do Segmento da Pesca de Mato Grosso (ASPE), Nilma Silva, também participou do encontro. Ela foi uma das primeiras representantes do setor a visitar todos os deputados buscando apoio para liberação da pesca.
“Passamos quase um ano dentro da Assembleia conversando com os deputados, tentando convencê-los da importância desta lei. Em nome do segmento da pesca agradeço a todos que votaram a favor, principalmente ao deputado Wilson Santos que desde o primeiro momento esteve na defesa dos pescadores profissionais e dos empresários do nosso segmento. Agradeço, também, ao governador Mauro Mendes por sua sensibilidade”.
POLITICA
Wanderley Cerqueira abre investigação e condiciona decisão da Câmara à perícia oficial sobre escândalo dos áudios vazados em VG, VEJA
JB News
Da redação
Crise política se agrava em várzea grande com suspeita de escuta clandestina e guerra entre poderes
A crise política em Várzea Grande se intensificou nos últimos dias e expôs um cenário de forte instabilidade institucional entre o Executivo e o Legislativo municipal. O ambiente já era considerado sensível desde o início da atual gestão, mas ganhou novos contornos após a renúncia do vice-prefeito Sebastião dos Reis, o Tião da Zaeli, e, mais recentemente, com a revelação de suspeitas de escuta clandestina dentro do gabinete da prefeita Flávia Moretti, além da circulação de áudios que passaram a repercutir nos bastidores políticos e nas redes sociais.
O episódio envolvendo o suposto monitoramento dentro da sede do Executivo elevou o nível de tensão política na cidade industrial. De acordo com informações apuradas, a prefeita acionou autoridades após identificar um objeto suspeito em seu gabinete, o que levantou a hipótese de interceptação ambiental irregular. A Polícia foi comunicada e a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) foi chamada para analisar o material e verificar sua natureza. Até o momento, não há divulgação oficial sobre o resultado dessa análise.
Paralelamente, áudios atribuídos a interlocuções internas da gestão municipal começaram a circular amplamente, com conteúdos que mencionam tratativas políticas, possíveis articulações institucionais e críticas a membros do Legislativo. A autenticidade do material, no entanto, ainda não foi confirmada por órgãos oficiais, nem há identificação formal dos autores das gravações.
Diante da repercussão, a Câmara Municipal convocou uma coletiva de imprensa para tratar do caso. O presidente do Legislativo, Vanderley Cerqueira, afirmou que a Casa irá instaurar procedimento para solicitar perícia técnica nos áudios antes de qualquer deliberação.
“Nós vamos pedir uma perícia técnica nesses áudios, até para ter a comprovação de forma correta e verdadeira. A gente precisa ter responsabilidade para não acusar ninguém injustamente”, declarou.
O presidente também ressaltou, logo no início da coletiva, a necessidade de cautela por parte de agentes públicos diante da repercussão do caso. “A gente sendo pessoa pública, tem que medir as palavras. Esses áudios já estão circulando, mas nós vamos agir com responsabilidade”, afirmou.
Questionado sobre denúncias envolvendo suposta oferta de vantagens indevidas, o presidente afirmou que teve conhecimento apenas por meio da imprensa e que não há, até o momento, registro formal na Câmara.
“Eu tomei conhecimento pela imprensa. Não chegou nada oficialmente até a Casa”, disse.
Ao ser perguntado sobre possíveis providências antes da conclusão da perícia, Vanderley Cerqueira reforçou que a Câmara não irá se antecipar. “Nós queremos a veracidade dos áudios para tomar uma posição. Sem perícia, não podemos agir.”
Sobre a origem das gravações, o presidente afirmou não haver elementos técnicos que confirmem se o conteúdo foi obtido por meio de escuta no gabinete da prefeita ou em outro ambiente. “Só a perícia pode esclarecer isso”, pontuou.
Em relação à possibilidade de medidas administrativas ou políticas mais severas, como eventual processo de cassação, o presidente destacou que qualquer decisão dependerá da confirmação dos fatos e do devido processo legal. “Isso depende da Justiça. Primeiro precisamos da veracidade para depois tomar uma posição”, declarou.
Durante a coletiva, também foram abordadas falas atribuídas à prefeita que mencionariam articulações políticas envolvendo vereadores. O presidente reiterou que não é possível confirmar a autoria sem análise técnica. “Precisamos comprovar de quem é a fala antes de qualquer julgamento.”
Sobre o teor dos áudios que circulam, afirmou que, caso sejam confirmados, o conteúdo é considerado grave. “Se aquilo for verdade, é muito grave e precisa ser tratado com responsabilidade”, disse.
Questionado sobre a relação entre os poderes, Vanderley Cerqueira afirmou que a Câmara mantém sua atuação institucional e que não há impedimentos na tramitação de projetos. “A Câmara tem aprovado os projetos do Executivo. Não há impedimento nas votações”, declarou.
Ao abordar as acusações envolvendo possíveis negociações políticas dentro do Legislativo, afirmou que não há confirmação oficial e que cada parlamentar responde individualmente por suas condutas. “Cada um responde por si”, disse.
O presidente também destacou que, após a conclusão da perícia, os vereadores deverão se reunir para definir os encaminhamentos. “No momento em que tivermos a perícia, vamos reunir os vereadores e tomar uma decisão com base em fatos concretos”, afirmou.
Até o momento, não há confirmação pública sobre a abertura de inquérito específico para investigar o conteúdo dos áudios. A análise do suposto dispositivo encontrado no gabinete da prefeita segue sob responsabilidade técnica da Politec, que deverá indicar se houve, de fato, interceptação irregular.
Caso seja constatada a existência de escuta clandestina, o caso poderá ser encaminhado para investigação criminal. Por outro lado, se os áudios não tiverem autenticidade comprovada, a apuração poderá avançar para eventual responsabilização pela produção ou disseminação de conteúdo falso.
O caso permanece em apuração e depende dos resultados técnicos para definição de eventuais medidas administrativas ou judiciais.
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