Tecnologia
Brasil sedia a 3ª Conferência Internacional sobre Clima e Desenvolvimento em Regiões Semiáridas (ICID2025)
Em sintonia com os debates internacionais promovidos pelo Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca, celebrado em 17 de junho, o Brasil anuncia a realização da 3ª Conferência Internacional sobre Clima e Desenvolvimento em Regiões Semiáridas (ICID2025). O evento será realizado de 15 a 19 de setembro de 2025, no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza, promovido pelo Governo do Ceará em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
A conferência reunirá cerca de 2 mil participantes de mais de 80 países, entre pesquisadores, gestores públicos, representantes de organismos internacionais, instituições acadêmicas, setor produtivo e organizações da sociedade civil. O foco será a construção de estratégias concretas para adaptação às mudanças climáticas em regiões áridas e semiáridas – tema central nos preparativos para a COP 30.
A realização da conferência é especialmente oportuna diante dos desafios enfrentados por regiões secas em todo o mundo. Segundo o estudo Desertificação, Degradação da Terra e Secas no Brasil, conduzido pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) em 2016, 40% das terras do planeta eram consideradas secas, abrangendo zonas áridas, semiáridas e subúmidas secas. No Brasil, esse percentual correspondia, à época, a 11% do território nacional, com destaque para o Nordeste – onde quase 100% do estado do Ceará se enquadrava nessa classificação.
A ICID2025 será um espaço estratégico para o intercâmbio de experiências, construção de parcerias e promoção de soluções sustentáveis para regiões vulneráveis às mudanças climáticas. A programação incluirá plenárias, painéis temáticos e encontros paralelos, além de gerar subsídios relevantes para a COP 30, que ocorrerá em novembro, em Belém (PA).
O evento é uma realização conjunta da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Educação Superior do Ceará, Secretaria do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas do Ceará, e Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). A coordenação executiva está a cargo do CGEE.
A iniciativa também conta com o apoio da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD), do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), da Embaixada da França no Brasil e da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA).
Submissão de artigos está aberta
Pesquisadores, técnicos e demais interessados já podem submeter resumos expandidos até 31 de julho. Os temas de interesse incluem clima, impactos, adaptação, mitigação e desenvolvimento sustentável. As apresentações podem abordar regiões secas globalmente ou focar em regiões específicas.
Serão selecionados até 40 trabalhos que integrarão a programação oficial da Conferência e contribuirão para qualificar os debates sobre desertificação, adaptação climática e desenvolvimento sustentável.
Acesse as diretrizes de submissão no site oficial.
Tecnologia
Projeto Entre Ciências seleciona seis propostas sobre sociobiodiversidade
Como cuidar melhor da floresta, da terra e da biodiversidade? Parte dessa resposta está no diálogo entre diferentes formas de conhecimento. Com o objetivo de fortalecer a participação de povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares na produção de conhecimento sobre a sociobiodiversidade, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) vai selecionar seis iniciativas para o projeto Entre Ciências: Territórios de Saber em Diálogo.
Foram avaliadas 60 propostas de arranjos de pesquisa colaborativa, envolvendo comunidades e academia, vindas de diferentes regiões da Amazônia e do Cerrado. Os trabalhos foram selecionados por uma comissão formada por especialistas e representantes das próprias comunidades, levando em conta não só critérios técnicos, mas também a diversidade dos territórios e protagonismo de mulheres, jovens e anciãos.
Projetos selecionados
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Associação dos Seringueiros do Seringal Cazumbá. Parceiro acadêmico: Instituto Federal do Acre (Ifac) — Campus Rio Branco;
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Associação Quilombo Kalunga. Parceiro acadêmico: Universidade de Brasília (UnB) – Programa de Mestrado Profissional em Sustentabilidade junto a Povos e Terras Tradicionais (Mespt) e Programa da Licenciatura em Educação do Campo (Ledoc);
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Organização Baniwa e Koripako — Nadzoeri. Parceiros acadêmicos: UnB, Universidade Federal Fluminense (UFF) e Universidade de São Paulo (USP);
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Associação de Mulheres Indígenas em Mutirão (Amim). Parceiro acadêmico: Instituto Federal do Amapá;
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Centro de Agricultura Alternativa Vicente Nica. Parceiro acadêmico: Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (IFNMG) — Campus Almenara;
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Coletivo Mulheres Retireiras do Araguaia. Parceiro acadêmico: Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), vinculado ao MCTI, e Instituto Juruá.
Com os novos arranjos selecionados, o projeto passa a apoiar oito experiências em diferentes territórios, ampliando uma rede que conecta ciência dos povos e comunidades com a ciência acadêmica, cultura e meio ambiente.
Para a secretária de Políticas e Programas Estratégicos do MCTI, Andrea Latgé, a iniciativa reforça a importância de integrar diferentes formas de conhecimento na produção científica. “O Entre Ciências mostra que o conhecimento também nasce nos territórios. Ao valorizar saberes de povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares, fortalecemos uma ciência mais diversa e conectada aos desafios do País”, destaca.
O Entre Ciências aposta em uma ideia simples e poderosa: quem vive nos territórios também produz conhecimento. O projeto fortalece o papel de povos indígenas e comunidades tradicionais na pesquisa sobre biodiversidade, em temas prioritários para o próprio território, incentivando a parceria com atores acadêmicos comprometidos e com respeito às diferentes formas de conhecimento.
Além do apoio aos projetos, a iniciativa oferece formação, bolsas para pesquisadores locais das comunidades, intercâmbios e suporte para a gestão de dados e informações produzidas pelas próprias comunidades.
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