CULTURA

Bom Sucesso , 199 anos de história e tradição

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Por Wilson Pires

Foto Arquivo Prefeitura

Bom Sucesso, dentre os mais antigos núcleos habitacionais de Várzea Grande, surgiu a partir de 1.823. É a sede do Distrito de Várzea Grande do mesmo nome e que é constituído de sete comunidades: Bom Sucesso (sede), Souza Lima (antigo Sovaco), Capão Grande, Pai André, Praia Grande, Capela do Piçarrão e Limpo Grande.

O Distrito está situado às margens do rio Cuiabá, cuja rua principal, estreita se alonga na barranca do rio, ostentando casas boas, peixarias e muitas residências humildes ao longo de aproximadamente mil metros lineares.

A área onde situa Bom Sucesso, pertencia ao Sr. Justino Antonio da Silva Claro, que foi adquirindo terras para formar seu sítio, onde florescem os canaviais, que não só se destinavam ao fabrico da famosa rapadura de Bom Sucesso, como alimentavam os engenhos e alambiques na fabricação de aguardente e do açúcar de barro (uma espécie de açúcar mascavo, muito apreciado nos primórdios da vida em Mato Grosso, quando era considerado pernicioso o uso do açúcar branco, refinado), com mão de obra de empregados e escravos. Com sua morte, seus herdeiros dividiram a área de terras e acomodaram-se nelas, na lide do cultivo de lavouras, tendo como principal atividade, o cultivo da cana-de-açúcar, ainda, predominantes nos dias de hoje.

Fizeram e ainda fazem parte da família do Sr. Justino, os senhores: Miguel Ângelo da Silva Claro, João Batista da Silva Claro, João Pinheiro, Joaquim José de Magalhães e João Vidal da Silva.

Os canaviais, cuja produção, no passado destinado à fabricação artesanal de rapaduras, aguardentes de alambique e do açúcar de barro, foi absorvida com o passar do tempo pelas usinas que se instalaram nos anos subsequentes ao da fundação do povoado, como as de São Gonçalo, da Conceição e outra, ali mesmo de Bonsucesso denominada Cachoeira de Pau, que consumiam toda a produção de cana do local.

Hoje com a desativação dessas usinas, os moradores retornaram as origens e voltaram a produzir esses produtos e, que fazem parte do folclore do município.

Outra atividade, modesta, porém intensa no povoado, é a pesca profissional e amadora que dão formas de sobrevivência econômica e cultural, em que buscam seus moradores, através da Associação dos Pescadores, a realização de eventos festivos, atraindo para Bonsucesso, turistas dos mais diversos lugares do País. Além da pesca, alguns moradores dedicam-se a industrialização do couro do pescado e ao cultivo de hortifrutigranjeiros e do fumo.

PRIMEIRA ESCOLA

Na área da educação os registros constam que foi criado em 1.908 a primeira escola do povoado, tendo como educador o professor Miguel José da Silva, porém, em 1.915 foi transferida para Capão Grande. Outra escola, criada pelo Decreto-Lei nº 511-A, instalou-se no local em 16 de março de 1920, no governo do D. Aquino, denominada Escola Mista de Sucuri.

Após alguns anos, com a melhoria do ensino e com aumento da população, um novo prédio foi construído no governo do Dr. Arnaldo de Figueiredo, destinado a acomodar a garotada com idade escolar.

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Com a enchente do rio Cuiabá em 1.974, a escola foi totalmente destruída e, somente foi reconstruída no governo municipal do Engº Júlio José de Campos, quando prefeito de Várzea Grande, que a denominou Escola Municipal de 1º Grau Maria Barbosa Martins.

RELIGIÃO

Hoje, graças aos esforços da gente de Bom Sucesso e de alguns colaboradores de Várzea Grande, o Distrito possui sua igreja, inaugurada em junho de 1968 pelo Arcebispo Metropolitano, D. Orlando Chaves, com todo o cerimonial religioso.

As imagens são do divino Espírito Santo e de São Benedito, doadas pelo coronel e historiador Ubaldo Monteiro da Silva, que a conduziu de São Paulo, especialmente para aquela igreja, cuja pedra fundamental ele lançou, colaborando na sua construção.

Os mais antigos cultuam até os dias de hoje uma tradição local, que é a festa junina, realizada anualmente, reunindo cantadores de Cururu das cercanias e da grande maioria dos povoados vizinhos.

O povo de Bom Sucesso e também da Capela do Piçarrão, sabiam que Justino Claro, fundador do distrito de Bonsucesso devotava cuidados especiais com uma capelinha de palha, erguida com uma grande cruz de madeira, na localidade hoje conhecida como “Capela do Piçarrão”, apesar de residir distante dela. Mais tarde foi construída uma igreja melhor com a denominação de “Igreja de Nossa Senhora da Conceição”, inaugurada em 1.968 pelo então bispo da Arquidiocese de Cuiabá, Dom Orlando Chaves. Ao falecer em Bom Sucesso, Justino Claro foi sepultado na Capela do Piçarrão, como seu benfeitor.

ESPORTES

Bom Sucesso conta com um clube de futebol, o Vila Nova de Bom Sucesso, cujos fundadores, reuniram-se em 1.951, para dali dar o ponta pé num projeto que até hoje faz a alegria aos domingos da comunidade. Muitos atletas, surgidos dali se projetaram em equipes profissionais de âmbito estadual e nacional, a saber: Olívio Pereira da Silva “Boi de Carro” – Cruzeiro Esporte Clube; Adilson José de Souza – Riachuelo Esportes Clube; Admir – Clube Esportivo Operário VG; Orlando Ribeiro – Palmeirinha do Porto; Miroca e Nilton “Capitão” – Mixto Esporte Clube.

O Vila Nova de Bom Sucesso marcou presença e sendo reconhecido no Estado como uma Academia de Craques Talentosos, principalmente entre os anos de 1967 a 1973. Sagrou-se por uma vez campeão e três vezes vice-campeão em campeonatos realizados pela liga Independente de Futebol Amador de varzeagrandense.

Bom Sucesso vive, hoje, dos sonhos dos momentos de glória patrocinados pelos seus ilustres filhos esportistas, mantendo suas tradições desportistas, que sempre aos domingos lotam o seu o Estádio de Futebol da Comunidade. Muitos dos antigos atletas, contam suas histórias aos novos para, com isso estimulá-los para que as tradições na área cultural ou esportista sejam cultuadas e não se apaguem ou se percam com o tempo.

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ROTA DO PEIXE

Por ser a Sede do Distrito de Bom Sucesso e um ponto turístico de Várzea Grande, onde aos domingos as iniciativas gastronômicas, representada pelas Peixarias ao estilo rústico instaladas às margens do Rio Cuiabá, recebem um significativo número de visitantes e amantes da saborosa Peixada no mais puro estilo ribeirinho.

Esse slogan surgiu com a criação da Associação de Cultura e Turismo de Bom Sucesso – ACBS em uma parceria entre SEBRAE, comunidade distrital e a Prefeitura de Várzea Grande. Assim sob a direção de técnicos do SEBRAE coordenaram os trabalhos de reuniões com os demais comerciantes, onde as propostas não foram bem aceitas pelos moradores.

Porém a situação ficou ainda mais difícil, diante de alguns investimentos que o poder público municipal deveria realizar, os quais não se concretizaram, levando o SEBRAE se retirar do projeto, deixando o idealismo à disposição dos moradores e interessados.

Assim com o espírito colaborador de alguns e outros ribeirinhos, a ACBS – associação de Cultura e Turismo de Bom Sucesso tornou-se uma realidade, sendo concretizada a sua fundação em 07 de dezembro de 2004, pela Comunidade do Distrito de Bom Sucesso.

Contando com a habilitação para captação de todos os recursos disponíveis para investimento na área de incentivo ao turismo e preservação da história e das condições rústica que o Distrito de Bom Sucesso e sua vocação para o Turismo Gastronômico na Baixada Cuiabana.

Nas suas atividades a ACBS, com recursos próprios, frutos de eventos, doações e parcerias, consegue realizar trabalhos de registro histórico e resgate da cultura do Distrito de Bom Sucesso. Exemplo é a tradicional Festa de São Pedro o Pescador, que ocorre em 29 de junho todos os anos desde 1980.

A proposta da ACBS é congregar os segmentos, na soma de valores e na construção de um ideal de perpetuar as tradições e manifestações locais como as tradicionais festas de santos, o tradicional Bloco carnavalesco Clube do Meu Coração que resgatou seus trajes no retorno do carnaval de Rua do Distrito em 2005 e bem como o prazer das famílias nos já tradicionais torneios de futebol muito prestigiado por gerações.

Bom Sucesso conta hoje com aproximadamente 2 mil habitantes contando com suas inúmeras chácaras que rodeiam o povoado, pois muitas famílias transferiram suas residências para Cuiabá e centro de Várzea Grande, porém, continuam como eleitores de Bom Sucesso, por questão de amor ao lugar.

Os habitantes são inclinados à política e a praticam, desde a época em que “udenistas e pedessistas” trocavam palavras ofensivas e até alguns cascudos defendendo seus candidatos.

Tem como riqueza principal o rio Cuiabá, com sua faixa ribeirinha, na qual há hortas e cultivam-se cereais em pequenas áreas de terra lavrável.

Distrito de Várzea Grande, Bom Sucesso foi criado pela Lei nº 126, de 23 de setembro de 1.948 e confirmada por Lei 9.583 de 24 de dezembro de 1.948.

Wilson Pires é jornalista em Mato Grosso

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Casa Aberta celebra os 307 anos de Cuiabá com literatura, música e arte na AML

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JB News

por Emerson Teixeira

A Academia Mato-grossense de Letras (AML) realiza, na próxima quinta-feira (09), mais uma edição do projeto Casa Aberta, desta vez em homenagem aos 307 anos de Cuiabá. Com entrada gratuita, o evento acontece das 18h às 21h30, na Casa Barão de Melgaço, sede da instituição, reunindo literatura, música, artes visuais e intervenções culturais em uma programação pensada para diferentes públicos.

A proposta, que já se consolida como tradição no calendário cultural da capital, integra ações da AML com apoio do Governo de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer. Nesta edição, o tema “Cuiabá 307 anos” reforça o vínculo histórico e afetivo da Academia com a cidade, valorizando sua produção artística e identidade cultural.

O acadêmico Aclyse de Mattos vai discorrer sobre a poética cuiabana (foto divulgação)

Entre os destaques da noite está o escritor cuiabano Aclyse de Mattos, ocupante da cadeira 3 da AML, que participa de um bate-papo sobre a poética regional. Autor de diversos livros em prosa e verso, com atuação também acadêmica na UFMT, Aclyse traz ao evento uma reflexão sobre a produção literária local e sua relevância na construção da identidade cuiabana.

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A cantora e compositora Estela Ceregatti, com reconhecimento nacional, se apresenta (foto: Fred Gustavos)

A programação musical contará com apresentação da cantora, compositora e instrumentista Estela Ceregatti, artista cuiabana com reconhecimento nacional. Com trajetória que envolve pesquisa, ensino e produção musical, Estela leva ao palco uma performance que dialoga com a cultura regional e contemporânea.

 

Arte de divulgação do evento Casa Aberta (divulgação)

Além das atrações principais, o Casa Aberta oferece uma programação diversificada ao longo da noite. Entre as atividades estão o Slam da Academia, com batalhas de poesia abertas ao público, e a apresentação teatral conduzida por Maré, atriz, dramaturga e slamer. O evento também contará com DJ, microfone aberto, instalação artística interativa e espaços de convivência com brechó e gastronomia.

Outro ponto alto da programação é a exposição fotográfica do arquiteto e fotógrafo Pedro Thame Guimarães. Com trabalhos que exploram o espaço urbano, identidade e memória, a mostra apresenta diferentes olhares sobre Cuiabá, ampliando a percepção do público sobre a cidade e suas transformações.

 

O evento também reforça seu caráter inclusivo ao receber estudantes de escolas públicas, que tradicionalmente participam das atividades culturais promovidas pela Academia. A interação entre diferentes gerações e públicos é uma das marcas do projeto, que busca democratizar o acesso à cultura.

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Segundo a presidente da AML, Luciene Carvalho, a celebração de Cuiabá dentro do Casa Aberta já se tornou um momento simbólico. “Celebrar Cuiabá em abril é uma tradição que vem sendo construída no Casa Aberta. Cuiabá tem canoas de letras pra nunca mais acabar. Venham festejar com a nossa Academia”, destaca.

O Casa Aberta terá ainda transmissão ao vivo pelo canal da Academia Mato-grossense de Letras no YouTube, ampliando o alcance do evento para além do público presencial.

A programação completa inclui atividades simultâneas ao longo da noite, com início às 18h, reunindo instalação artística, exposição, apresentações musicais e performances literárias até o encerramento às 21h30.

 


O evento será realizado na sede da Academia Mato-grossense de Letras, localizada na rua Barão de Melgaço, nº 3869, no Centro de Cuiabá, com entrada gratuita. Mais informações podem ser acessadas pelo perfil oficial da instituição nas redes sociais.

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