CUIABÁ
Base articula comissão especial e Câmara entra em campo após denúncia de assédio contra ex-secretário em Cuiabá
JB News
por Nayara Cristina
A Câmara Municipal de Cuiabá vive mais um capítulo de forte tensão política após a leitura de quatro pedidos de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e de um requerimento para criação de comissão especial que pode colocar o Parlamento no centro da apuração envolvendo o ex-secretário municipal de Trabalho, William Leite de Campos. O ex-gestor foi exonerado na semana passada depois que veio à tona uma denúncia de assédio sexual registrada por uma ex-servidora da Prefeitura junto à Polícia Civil.
A primeira-secretária da Casa, vereadora Catirce Mantelli, fez a leitura formal das proposituras durante a sessão ordinária desta terça-feira, 10 de fevereiro de 2026. Entre os requerimentos, ganhou destaque o pedido da vereadora doutora Amália, do Podemos, que propõe a criação de uma comissão especial para tratar especificamente do boletim de ocorrência envolvendo o ex-secretário. A iniciativa surge como alternativa diante da limitação regimental que permite o funcionamento simultâneo de apenas cinco comissões na Casa.
Nos bastidores, parlamentares admitem que a movimentação também tem forte componente político. Parte da base do prefeito defende que o Legislativo precisa assumir protagonismo no episódio, evitando a narrativa de omissão ou blindagem. A comissão especial, nesse contexto, seria uma resposta institucional à repercussão do caso, que rapidamente ganhou dimensão pública após a divulgação da denúncia.
Na semana passada, antes mesmo de o caso ser amplamente divulgado na imprensa, o vereador Daniel Monteiro, do Republicanos, já havia protocolado pedido de CPI para investigar a denúncia envolvendo William. No entanto, o cenário se tornou mais complexo com a apresentação de outras quatro CPIs que miram atos da gestão do ex-prefeito Emanuel Pinheiro, atualmente no PSD.
Entre elas, está a proposta do vereador Denilson Nogueira, do PP, que busca investigar a execução sistemática de despesas sem prévio empenho entre 2019 e 2024. Há ainda o pedido de CPI apresentado por Ilide Taques, do PSB, para apurar termos de ajustamento de conduta (TACs) firmados pela administração municipal e operações consideradas onerosas aos cofres públicos. Outra frente foi aberta pelo vereador Eduardo Magalhães, do Republicanos, que quer investigar possível descumprimento do artigo 212 da Constituição Federal, que obriga a aplicação mínima de 25% da receita de impostos na manutenção e desenvolvimento do ensino. Segundo ele, haveria um déficit de R$ 181 milhões na Secretaria Municipal de Educação referente aos exercícios de 2023 e 2024.
Também foi protocolado requerimento do vereador Dilmar Alencar, do União Brasil, líder do governo na Casa, para investigar a gestão e aplicação de recursos do programa Cuiabanco, voltado ao fomento econômico e implantado na gestão anterior.
No caso específico do ex-secretário William Leite de Campos, a denúncia registrada na Polícia Civil relata suposto assédio sexual contra uma servidora da Prefeitura. O teor do boletim de ocorrência ainda não foi detalhado oficialmente, mas parlamentares afirmam que a gravidade do relato exige apuração rigorosa e transparente. A exoneração ocorreu poucos dias após a denúncia se tornar pública, o que aumentou a pressão política e institucional sobre o Executivo municipal.
O episódio reacende o debate sobre mecanismos de prevenção e enfrentamento ao assédio no serviço público. Especialistas em direito administrativo e políticas de compliance defendem a criação de canais independentes de denúncia, proteção efetiva às vítimas e protocolos claros de responsabilização. Em casos dessa natureza, a apuração criminal corre na esfera da Polícia Civil, enquanto eventuais responsabilizações administrativas podem ocorrer no âmbito interno da Prefeitura ou por meio de comissões parlamentares.
Nos corredores da Câmara, o clima é de disputa estratégica. Como o regimento limita o número de comissões em funcionamento, a apresentação simultânea de múltiplas CPIs altera o tabuleiro político e pode influenciar quais investigações terão prioridade. A comissão especial proposta para tratar do caso de assédio surge justamente nesse contexto de disputa por espaço regimental.
A sessão desta terça-feira foi marcada por discursos contundentes, cobranças por transparência e embates entre base e oposição. Parlamentares afirmam que o desfecho do caso terá impacto direto na credibilidade das instituições municipais. Enquanto isso, a investigação policial segue em andamento, e novas informações podem surgir nos próximos dias.
O caso coloca novamente a Câmara Municipal de Cuiabá sob os holofotes e transforma a denúncia contra o ex-secretário em um teste político e institucional para o Legislativo e para o Executivo da capital mato-grossense.
CUIABÁ
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Fonte: Câmara de Cuiabá – MT
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