OPINIÃO

ARTIGO Max Russi 100 DIAS!

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A sociedade sempre usou marcos de tempo para relacionar progresso e conquistas. O tempo está tão presente em nossas vidas que não percebemos que de fato ele molda nossas ações como primeiro critério. Veja, quem faz uma viagem se programa num determinado tempo. Um investimento, nossa remuneração, construções, alimentação e tudo mais que imaginar tem o componente tempo ditando regras.

Escolhi falar de um tempo específico, que para muitos não será notado, mas que para mim marca o posto mais alto em minha carreira política. Veja, política não é algo parcial em minha vida, acredito que um político de verdade, dos bons, é político integralmente, não há dissociação dessa condição.

O tempo que escolhi foram os 100 primeiros dias à frente da Presidência da Assembleia Legislativa de Mato Grosso.
Reflexão, prestação de contas, publicização de ações como representante da população do meu estado guiam esse texto. Acredito que a transparência deva ser total, sendo nos acertos ou erros quem escolheu confiar e minha gestão tem que ter as informações as claras para poder avaliar e seguir com a dança da democracia.

Como sempre foi meu foco principal, a área social recebeu grande atenção, tenho orgulho disso. Estive muito envolvido na criação do programa Ser Família Emergencial em parceria com o executivo. A pandemia trouxe o desemprego para aqueles que sempre sustentaram suas famílias e o desespero de ver uma mãe ou um pai sem condições de comprar comida para seus filhos é algo que não podemos aceitar.

Para que vocês entendam a dimensão do problema, mais de 100 mil famílias estão abaixo da linha da pobreza, em situação de miséria, com o programa recebem uma renda adicional por 5 meses que já garante o arroz, feijão, leite, pão e mantimentos básicos. Isso é conquista para nosso estado, para nosso povo. Diminuir a desigualdade extrema é vital para um sociedade maus justa. Se não tem dinheiro pra por comida na mesa, não vai ter para pagar contas, certo? Com apoio dos deputados promulgamos a lei que proíbe o corte de energia elétrica pelo período de 90 dias e parcela em até 10 vezes a dívida. Não é luxo, é o básico ter luz em casa, uma geladeira funcionando, ventilador pra passar a noite quente.

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Outra ação que considero importante em nosso tempo é a isenção do IPVA para áreas ligadas ao transporte, como motoristas de aplicativos e frota dos setores de restaurantes e eventos que tiveram uma das maiores perdas entre todos os setores.

Seguindo a linha de ação contra violência contra mulheres e vulneráveis, tivemos mais uma lei aprovada que visa punir agressores. Quem for autor desse tipo delito terá que ressarcir aos cofres públicos as despesas previdenciárias e de saúde inerentes ao ato praticado: atendimento médico, hospitalar, auxílio-doença, aposentadoria, inclusive pensão por morte. Vai começar a doer e muito no bolso de quem pratica atos covardes. Essa medida complementa as punições previstas no código penal. Enquanto sociedade essas práticas tem que ser banidas e além de medidas educativas as punitivas também tem que ser aplicadas.

Vilão aos olhos de muitos, servidores públicos passam longe de ser a causa dos problemas econômicos que enfrentamos. Penso que temos que valorizar aquelas categorias que são vitais para nossa população. Uma delas é o setor da educação. Não há uma nação evoluída sem que a educação seja prioridade. Em meio a aulas virtuais os professores estavam sentindo muito a falta de estrutura. Pensando nisso a aprovação da aquisição de computadores e planos de internet para 15.890 professores da rede pública estadual é uma grande vitória. Quem ganha são os alunos, as famílias, os futuros profissionais, todos nós. Já puxo o gancho para outra categoria que estou lutando para sua formalização nos quadros municipais. Os Agentes

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Comunitários de Saúde e Agentes Comunitários de Combate a Endemias são a base do SUS em nosso país, porém suas grandes contribuições não se refletem em garantias, remuneração nem em segurança para esses profissionais. Defendo a inserção deles dentro dos quadros efetivos para que tenham direito a uma aposentadoria, progressão salarial e auxílios. Nessa mesma seara propus diversas medidas para desonerar a cobrança de alíquota dos aposentados do nosso estado, quem contribuiu tanto não merece pagar a conta dá má gestão dos fundos.

Do ponto de vista de gestão participativa o sucesso na implantação de três novos pontos de vacinação em nossa capital é um feito que devemos destacar dessa gestão. Inclusive com apoio operacional, espaço, estrutura e servidores do legislativo, a central de vacinação da ALMT já vacinou em poucas semanas mais de 14 mil cidadãos. Cada vida salva com ações como essa é motivo de grande orgulho.

No final desses 100 dias algo inusitado surgiu. Fui convocado a assumir interinamente como Governador do Estado de Mato Grosso na ausência simultânea do governador Mauro Mendes e do vice Otaviano Pivetta. Prontamente respondi ao chamado e, mesmo que por um dia, honrei a função com atendimento de demandas do interior, parlamentares, revisão de ações e por fim, sancionei uma lei de minha própria autoria enquanto Deputado Estadual que cria a Delegacia Especializada de Roubo de Cargas do estado.

Centenas de outras ações poderiam ter sido descritas aqui, mas a ideia é ter uma amostra dos resultados e linhas de trabalho que reverberam em sua vida. Aproveito para abrir linha de comunicação direta comigo por meio das minhas redes sociais. Posso demorar um pouco para responder, mas respondo a todos. Aguardo seu contato pra fazer Mato Grosso cada vez melhor.

Max Russi – Presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso.

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OPINIÃO

Os Saberes da Floresta

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Emanuel Filartiga

À mangueira do quintal de casa, que me segurou quando eu caí.

O Brasil perde 24 árvores por segundo. Parece não haver tempo para os órgãos de fiscalização ambiental chegarem a todos os alertas de desmatamento feitos pelos satélites que monitoram, pelas denúncias anônimas que chegam, pelas chamadas por telefone que tocam …

Não conheci meu avô, mas lembro da sua voz. Quando eu andava pelo quintal, curioso, ao puxar uma folha verde de uma planta, o som forte e rouco veio: “Não faça isso, menino!”

Meu irmão, sempre que o chão duro e as palavras de chumbo da vida nos apertam, convida-nos a ter com as árvores e a cachoeira. Quando sai de baixo da queda d’água ou do meio da mata, ele diz: “Alas, tava precisando”. Meu irmão sabe da ecologia de saberes de que nos fala Boaventura Sousa Santos.

Não nos esqueçamos que o Brasil é país que tem nome de árvore. Ela está no nosso DNA. Lembremos sempre, leitor amigo, em nosso sangue não há apenas plasma, hemácias, leucócitos e plaquetas; há seiva, terra e vida.

E é com a dor de terra sem mata, com o grito da árvore quando tomba, com o vazio que enche olhos, que eu quero lembrar a você, a você com as motosserras físicas ou imaginárias: a floresta em pé tem mais valor que os troncos, galhos e folhas deitados.

Não me venha falar que isso é desenvolvimento, globalização ou necessária exploração de recursos naturais. Não é isso que vemos. Só vemos serra, fogo, ranger, quebra e vazio; acima de tudo vazio. Vejo o solo vazio, a gente vazia e a memória vazia.

Na Odisseia de Homero, Ulisses não pode, nem sequer por um segundo, “esquecer o retorno”, mesmo com todos os obstáculos, com todas as aventuras, ele não pode esquecer de onde veio. A viagem nunca é só de ida. O desejo de um futuro a ser conquistado é garantido pela memória de um passado.

Como disse Ítalo Calvino, “…a memória conta realmente – para os indivíduos, as coletividades, as civilizações – só se mantiver junto a marca do passado e o projeto do futuro, se permitir fazer sem esquecer aquilo que se pretendia fazer, tornar-se sem deixar de ser, ser sem deixar de tornar-se.”

Somos, no interior e no início e para sempre, povo da floresta.

*Emanuel Filartiga é Promotor de Justiça em Mato Grosso

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