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Abílio diz que manterá corridas de rua e quer setor de inteligência da Polícia Civil dentro da prefeitura para fiscalizar execução de emendas em Cuiabá

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JB News

Por  Nayara Cristina

 

A polêmica envolvendo o uso de emendas parlamentares em corridas de rua fraudulentas, que culminou na Operação Gorjeta, provocou uma reação direta do prefeito Abílio Brunini, que decidiu manter os eventos esportivos tradicionais da capital, mas anunciou um endurecimento sem precedentes na fiscalização da aplicação dos recursos públicos, com a criação de um termo de ajustamento e uma parceria institucional com a Polícia Civil de Mato Grosso.

A operação policial, deflagrada na última semana, afastou do cargo o então presidente da Câmara Municipal, Chico 2000, e colocou outros sete vereadores sob suspeita de participação em um suposto esquema de desvio de mais de R$ 5 milhões em emendas parlamentares, recursos que teriam sido utilizados de forma irregular em eventos esportivos, especialmente corridas de rua com indícios de fraudes na execução e na prestação de contas. O caso abalou o cenário político da capital e levantou questionamentos sobre a continuidade desses eventos.

Diante da repercussão, o prefeito Abílio Brunini fez questão de separar o que classificou como “desvio de conduta de agentes públicos” da importância social e cultural das corridas de rua para a cidade. Segundo ele, as corridas não serão suspensas, justamente por representarem um instrumento de promoção da saúde, incentivo à qualidade de vida e fortalecimento do calendário esportivo de Cuiabá. Entre os eventos citados estão a Corrida do Legislativo, a Corrida do Bom Jesus, realizada na Universidade de Cuiabá, e outras provas tradicionais que mobilizam milhares de participantes todos os anos.

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O prefeito destacou que a decisão de manter os eventos vem acompanhada de um novo modelo de controle. Segundo Abílio, a prefeitura está finalizando um termo de ajustamento de conduta operacional, que prevê a presença direta da Polícia Civil no acompanhamento da execução das emendas parlamentares e dos contratos financiados com recursos públicos. A proposta inclui a criação, dentro da estrutura administrativa do município, de um espaço permanente de monitoramento, onde a Polícia Civil atuará em parceria com servidores municipais para fiscalizar a destinação, o pagamento e a execução financeira dos projetos.

De acordo com o prefeito, a medida amplia significativamente o rigor da fiscalização e estabelece um novo padrão de transparência. Ele afirmou que a prefeitura está estruturando um setor de inteligência compartilhado com a Polícia Civil do Estado, voltado exclusivamente para o acompanhamento das emendas parlamentares, contratos e ações financiadas com dinheiro público. A ideia é permitir o controle contínuo, preventivo e técnico, reduzindo riscos de desvios e garantindo que cada real investido cumpra sua finalidade social.

Abílio Brunini ressaltou que as corridas de rua continuarão sendo organizadas, mas sob regras mais claras, fiscalização reforçada e acompanhamento permanente. Para ele, a resposta à crise não pode ser o cancelamento de políticas públicas bem avaliadas pela população, mas sim o fortalecimento dos mecanismos de controle. O prefeito afirmou que os cuiabanos gostam desses eventos, participam ativamente e enxergam neles uma ferramenta de inclusão, saúde e bem-estar, o que torna ainda mais necessário assegurar que os recursos sejam aplicados corretamente.

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O anúncio da parceria com a Polícia Civil ocorre em um momento de forte cobrança social por transparência e responsabilização, após a revelação de um esquema que, segundo as investigações, envolveu agentes políticos, intermediários e a utilização indevida de emendas parlamentares. Ao trazer a Polícia Civil para dentro da estrutura de acompanhamento da prefeitura, Abílio busca sinalizar tolerância zero com irregularidades e reafirmar o compromisso da gestão com o controle dos gastos públicos.

A iniciativa também tem impacto político. Em meio à crise institucional provocada pela Operação Gorjeta, o prefeito tenta reposicionar o Executivo municipal como protagonista na defesa da legalidade e da boa governança, ao mesmo tempo em que preserva políticas públicas de alcance popular. A expectativa, segundo ele, é que o novo modelo de fiscalização funcione como um filtro permanente, evitando que práticas irregulares se repitam no futuro.

Com isso, Cuiabá passa a adotar um formato inédito de cooperação entre prefeitura e Polícia Civil na fiscalização de emendas parlamentares, em um esforço para transformar um episódio de crise em um ponto de inflexão na gestão dos recursos públicos. As corridas de rua seguem no calendário da cidade, mas agora sob o olhar atento de um sistema de controle mais rigoroso, que promete acompanhar cada etapa da execução financeira e administrativa dos projetos.

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Câmara de Cuiabá tem quatro pedidos de CPI em tramitação e uma comissão constituída

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Camile Souza | SECOM Câmara Municipal de Cuiabá 
Quatro pedidos de instauração de comissão parlamentar de inquérito (CPI) tramitam atualmente na Câmara Municipal de Cuiabá. As proposições estão previstas para serem lidas durante a sessão ordinária desta terça-feira (10), em conformidade com o Regimento Interno da Casa, e têm como finalidade a apuração de fatos relacionados à administração pública municipal.
Um dos requerimentos trata da investigação sobre a contratação e execução sistemática de despesas sem o prévio e indispensável empenho junto à Prefeitura de Cuiabá, no período compreendido entre os anos de 2019 a 2024. A proposta foi protocolada pelo vereador Demilson Nogueira (Progressistas) e busca apurar possíveis irregularidades na gestão orçamentária do município.
Outro pedido de CPI, de autoria do vereador Ilde Taques (PSB), pretende investigar termos de ajustamento de conduta (TACs) firmados pela administração municipal, bem como operações de compra consideradas onerosas aos cofres públicos.
Também está em tramitação requerimento que propõe a instauração de CPI para apurar o possível descumprimento do artigo 212, da Constituição Federal, que determina a aplicação mínima de 25% da receita resultante de impostos no setor de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino (MDE). A investigação abrange os exercícios de 2023 e 2024 e inclui, ainda, a apuração de eventual uso indevido de recursos do Fundo Único Municipal de Educação de Cuiabá (Funed) para finalidades diversas das previstas em lei.
Há, ainda, pedido de CPI de autoria do vereador Dilemário Alencar (União Brasil), que propõe investigar a gestão, a aplicação de recursos e os critérios de concessão de crédito do programa Cuiabanco, iniciativa municipal voltada ao fomento da atividade econômica.
Além dos requerimentos que ainda tramitam na Casa, já foi constituída a Comissão Parlamentar de Inquérito responsável por investigar a empresa que administra o estacionamento rotativo de Cuiabá, a CS Mobi, após aprovação em plenário. A comissão é presidida pelo vereador Tenente-coronel Dias (Cidadania), e os trabalhos devem começar em breve.
Todos os pedidos protocolados na Câmara Municipal passarão por análise quanto ao atendimento dos requisitos legais e regimentais. Caso sejam considerados aptos, será publicada a respectiva resolução para constituição e instalação das comissões, conforme previsto no Regimento Interno da Casa.

Fonte: Câmara de Cuiabá – MT

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