AGRONEGÓCIOS

Abate de fêmeas registra o menor volume dos últimos 10 anos

Publicados

em

2020

 

De olho no preço do bezerro, produtores retém vacas e reduz oferta de animais prontos para o abate

O abate de fêmeas atingiu o menor patamar dos últimos 10 anos e somou 10,8 milhões de animais em 2020. No comparativo anual, a queda no número foi de 18%, sendo que em 2019 foram abatidas 13,2 milhões de fêmeas, com base nos dados do levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Ao fazer um recorte dos dados, observamos que a queda no abate de vacas foi maior do que a registrada em novilhas, apontando que os produtores optaram por reter até mesmo as fêmeas que poderiam ser descartadas. Em 2020, 7,7 milhões de vacas foram abatidas, 19,5% a menos do que em 2019, quando foram contabilizadas 9,5 milhões. As novilhas registraram queda de 3,6 milhões, em 2019, para 3,1 milhões em 2020, baixa de 13,7%.

De acordo com o diretor da Neo Agro Consultoria, Luciano Vacari, é possível observar que, mesmo com o preço da arroba em alta, o produtor que faz cria está de olho no mercado de bezerro, que também segue valorizado. “Com a grande procura por bezerro e consequente valorização, o pecuarista optou por segurar a vaca no pasto. A longo prazo, isso representa que a oferta de animais deve aumentar a partir de 2022, quando os animais deverão ser desmamados”.

Leia Também:  Live do AgriHub apresenta tecnologias para engenheiros atuantes no agronegócio

Ainda segundo Vacari, os dados anuais do abate de fêmeas são indicadores importante porque mostram em que estágio o ciclo da pecuária se encontra. “Historicamente, quando a arroba está em alta, o bezerro se valoriza e o abate de fêmeas cai, justamente para garantir produção e aproveitar a alta. Assim, quando a oferta de animais aumentar, o preço tende a cair e a retenção de vaca passa a representar prejuízo. O que poderá ser observado nos próximos anos”.

O abate de fêmeas começou a cair, pela última vez, entre 2014 e 2015, depois que o preço do bezerro sofreu uma valorização de 9,6% entre os anos de 2013 e 2014. O abate cresce a partir de 2017, seguiu em alta nos dois anos seguintes e cai novamente agora.

O total de animais abatidos também diminuiu em 2020, comprovando a menor oferta de maneira geral no mercado. Em 2019, 32,4 milhões de bovinos foram abatidos, quase 3 milhões a mais do que o volume registrado em 2020, que fechou em 29,6 milhões de animais.

Mato Grosso

O abate de fêmeas também registrou queda de aproximadamente 20% em Mato Grosso, totalizando 1,9 milhão de animais em 2020. São 500 mil fêmeas a menos do que foi registrado em 2019. O volume de vacas entregues aos frigoríficos também foi o menor desde 2010, 1,1 milhão e novilhas somou 797 mil abates ano passado.

Leia Também:  Algodão: nova biotecnologia promete maior proteção contra ataque de lagartas

A participação de fêmeas foi de 38% de um total de 5,07 milhões de bovinos abatidos em 2020 no estado de Mato Grosso. Este foi o melhor volume de animais abatidos desde 2017.

Anexos:

  1. Gráfico da relação abate de fêmeas e preços da arroba e do bezerro (dados nacionais) elaborado pela Neo Agro com base nas informações do IBGE e do Cepea.

  1. Fotos de Luciano Vacari, diretor da Neo Agro Consultoria, por José Medeiros.
 
 
Laís Costa Marques
COMENTE ABAIXO:

AGRONEGÓCIOS

Fórum reforça a importância de compartilhar responsabilidades para prevenir a febre aftosa

Publicados

em

Por

 

O 4º Fórum Estadual de Vigilância contra a Febre Aftosa em Mato Grosso promovido na manhã desta quinta-feira (30/06) destacou a importância do fortalecimento do serviço de defesa sanitária animal para que todo o estado alcance o status de livre de febre aftosa sem vacinação. Mato Grosso está há 25 anos sem registro da doença e da circulação do vírus, sendo reconhecido internacionalmente como zona livre de febre aftosa com vacinação.

 

“Com o novo status sanitário que almejamos, poderemos acessar novos mercados, engrandecendo ainda mais esta cadeia produtiva que já é extremamente forte em nosso estado. Nós, produtores rurais, já demonstramos nesses últimos 25 anos que somos capazes. Com a sanidade do nosso rebanho, a qualidade dos nossos produtores e dos técnicos envolvidos vamos conseguir, com tranquilidade, atingir esse status e seremos protagonistas desse momento histórico para o mercado agropecuário brasileiro”, disse Normando Corral, presidente do Sistema Famato.

 

No painel que trouxe o questionamento “Vacinar até quando?”, o diretor do Departamento de Saúde Animal e Insumos Pecuários do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Geraldo Marcos de Moraes, reforçou que a luta contra a febre aftosa no país está sustentada em uma importante característica: a participação conjunta dos setores público e privado na definição das melhores estratégias e ações a serem adotadas.

 

Um dos componentes principais do Plano Estratégico 2017-2026 do Programa Nacional de Vigilância para a Febre Aftosa em Mato Grosso (PNEFA-MT) é a interação e comunicação com a sociedade, em especial os produtores rurais. “Estamos na última etapa de erradicação da febre aftosa, que coincide com a suspensão da vacinação. Essas discussões com o setor produtivo harmonizam as informações e abrem espaços para que possamos escutar e ver todos os pontos de vista para a melhor política pública possível”, argumentou Moraes.

Leia Também:  Jornalista é flagrada dando empurrão e socos em jovem num bar na região do Zero Quilômetro em VG na manhã desta quinta-feira

 

Ao falar sobre o tema “Zona Livre de Febre Aftosa sem vacinação! E agora?”, o presidente da Agência de Defesa Sanitária Agrossilvipastoril de Rondônia (Idaron), Júlio Cesar Rocha Peres, explicou que o reconhecimento também impõe desafios e, portanto, será necessário manter o rigor nos cuidados sanitários. Neste caso, segundo ele, o produtor rural terá papel ainda mais importante para garantir a manutenção desse novo status sanitário. “O produtor rural, que sempre esteve engajado nas ações desenvolvidas pelos setores públicos e privados continuará a ter grande importância na prevenção de doenças”, salientou.

 

Júlio César destacou também a importância do compartilhamento de responsabilidades, tanto do setor público como privado, para a prevenção da aftosa e a utilização de tecnologias a favor da defesa sanitária animal. “A tecnologia somada aos demais equipamentos e infraestrutura para o desempenho do trabalho realizado pelos servidores dos órgãos de sanidade animal, nas atividades de campo, garantem maior efetividade e eficiência nas operações voltadas à proteção dos rebanhos e na manutenção do status sanitário”.

 

Mercado – Em relação ao mercado internacional, o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Antonio Jorge Camardelli, trouxe dados das exportações brasileiras de carne bovina que apresentaram aumento de 2,2% no faturamento entre janeiro e maio de 2021, somando US$ 3,2 bilhões em comparação com o mesmo período do ano passado.

 

Conforme o dirigente, a China segue como o principal destino das exportações de carnes, tendo somado 317.081 toneladas embarcadas entre janeiro e maio, um aumento de 10,4% em relação às 287,2 mil toneladas embarcadas nos primeiros cinco meses do ano passado. O faturamento no período cresceu 5,4% e fechou em US$ 1,5 bilhão.

Leia Também:  Unianálises é o 1º prédio inaugurado no Parque Tecnológico de Nova Mutum

 

Prevenção e combate – O fiscal estadual agropecuário da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural do Rio Grande do Sul (SEAPDR), Fernando Groff, apresentou medidas fundamentais na prevenção e combate à febre aftosa, como barreiras sanitárias, sanidade animal, intervenção, atuação emergencial, novos mercados de carne, exportação e questões relacionadas à biosseguridade.

 

João Marcelo Brandini Néspoli, fiscal do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT), falou dos desafios da equipe gestora no cumprimento do Plano Estratégico 2017-2026 em Mato Grosso e as questões técnicas e estruturais dos serviços veterinários no estado. “Com responsabilidade e segurança estamos trabalhando para alcançar a excelência necessária para a suspensão da vacinação”, assegurou Néspoli.

 

O Fórum é organizado pelas entidades: Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), Famato (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso), Acrimat (Associação dos Criadores de Mato Grosso), Acrismat (Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso), Aproleite (Associação dos Produtores de Leite de Mato Grosso), Indea-MT (Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso), Fesa (Fundo Emergencial de Saúde Animal), CRMV-MT (Conselho Regional de Medicina Veterinária e Zootecnia do Estado de Mato Grosso) e Sindifrigo (Sindicato das Indústrias Frigoríficas de Mato Grosso).

 

Para assistir ao evento completo no YouTube da Famato, basta acessar aqui: https://www.youtube.com/watch?v=W6rozp5L6Kg

 

 

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

CUIABÁ

VÁRZEA GRANDE

POLÍTICA

POLICIAL

MAIS LIDAS DA SEMANA