OPINIÃO

A segurança alimentar exige tecnologia 

Publicados

em

A tecnologia é o grande trunfo do agronegócio brasileiro. Os investimentos por empresas públicas e privadas em pesquisa, qualificação profissional e inovação, aliados ao arrojo do produtor rural, possibilitam ao país superar os índices produtivos de grandes potências agrícolas, como os Estados Unidos, por exemplo.

Para se ter uma ideia, segundo dados da Embrapa, na safra 2019/2020 o Brasil produziu em média 3.379 quilos por hectare (kg/ha) de soja,contra 3.187 kg/ha produzidos pelos Estados Unidos.

E o crescimento é contínuo,para superar a falta infraestrutura de transporte e a alta carga tributária, os produtores precisam se reinventar, melhorar cada vez mais seus índices de produtividade e oferecer commodities de forma competitiva no mercado mundial.

Estes ganhos são possíveis devido à constante renovação.Todos os dias novas tecnologias são apresentadas, como sementes de alta performance, máquinas agrícolas automatizadas e conectadas em rede e um mercado globalizado, dinâmico e sem fronteiras.

Mas nem tudo que é revolucionário precisa ser novo. O setor de insumos agrícolas passa por uma verdadeira revolução com os produtos biológicos de controle, os chamados BPC. A origem dos bioinsumos remonta desde a antiguidade, se confundindo com a própria história da agricultura. Mesmo com um alto custo de investimento inicial e o elevado conhecimento técnico altamente difundido sobre a tecnologia, o PBC coloca a agricultura nacional mais uma vez à frente dos concorrentes.

Leia Também:  A nova Lei de Licitações e a Advocacia Pública

Com a profissionalização no campo, os produtores estão mais capacitados e investindo em assistência técnica de qualidade. Isso permitiu que os biológicos passassem a ser desenvolvidos e manipulados dentro das propriedades, de acordo com as necessidades e volumes de cada um, com segurança biológica e viabilidade dos micro-organismos, afinal não tem toda a logística da indústria para a propriedade.

À medida que cresce o uso dos insumos biológicos produzidos com qualidade, ocorre a redução do uso dos insumos químicos, reduzindo a dependência do Brasil das importações desses materiais.

Neste contexto, cresce a necessidade de regulamentar osegmento para dar as devidas garantias e certificações para que o ambiente seja seguro do ponto de vista legal, sanitário e econômico. Tanto que o tema já está na pauta da agenda pública do Congresso Nacional e do Ministério da Agricultura.

Essa é uma discussão que precisa envolver todos os agentes,academia, indústria, produtores, consumidores, juristas e políticos para produzir uma legislação moderna, coerente, aplicável e que resguarde o interesse de todos.

A sustentabilidade vai além da taxação de produtos e da imposição de regras rígidas, está também na viabilização de novas tecnologias que assegurem a produção de alimentos para todos, em harmonia com a norma, com custos acessíveis e de forma rentável para produtores e indústrias. Isso é segurança alimentar.

Leia Também:  Recuperação Judicial, a importância da Contabilidade no processo

*Luciano Vacari é gestor de agronegócios e diretor da Neo Agro Consultoria

COMENTE ABAIXO:

OPINIÃO

Os Saberes da Floresta

Publicados

em

Por

Emanuel Filartiga

À mangueira do quintal de casa, que me segurou quando eu caí.

O Brasil perde 24 árvores por segundo. Parece não haver tempo para os órgãos de fiscalização ambiental chegarem a todos os alertas de desmatamento feitos pelos satélites que monitoram, pelas denúncias anônimas que chegam, pelas chamadas por telefone que tocam …

Não conheci meu avô, mas lembro da sua voz. Quando eu andava pelo quintal, curioso, ao puxar uma folha verde de uma planta, o som forte e rouco veio: “Não faça isso, menino!”

Meu irmão, sempre que o chão duro e as palavras de chumbo da vida nos apertam, convida-nos a ter com as árvores e a cachoeira. Quando sai de baixo da queda d’água ou do meio da mata, ele diz: “Alas, tava precisando”. Meu irmão sabe da ecologia de saberes de que nos fala Boaventura Sousa Santos.

Não nos esqueçamos que o Brasil é país que tem nome de árvore. Ela está no nosso DNA. Lembremos sempre, leitor amigo, em nosso sangue não há apenas plasma, hemácias, leucócitos e plaquetas; há seiva, terra e vida.

E é com a dor de terra sem mata, com o grito da árvore quando tomba, com o vazio que enche olhos, que eu quero lembrar a você, a você com as motosserras físicas ou imaginárias: a floresta em pé tem mais valor que os troncos, galhos e folhas deitados.

Não me venha falar que isso é desenvolvimento, globalização ou necessária exploração de recursos naturais. Não é isso que vemos. Só vemos serra, fogo, ranger, quebra e vazio; acima de tudo vazio. Vejo o solo vazio, a gente vazia e a memória vazia.

Na Odisseia de Homero, Ulisses não pode, nem sequer por um segundo, “esquecer o retorno”, mesmo com todos os obstáculos, com todas as aventuras, ele não pode esquecer de onde veio. A viagem nunca é só de ida. O desejo de um futuro a ser conquistado é garantido pela memória de um passado.

Como disse Ítalo Calvino, “…a memória conta realmente – para os indivíduos, as coletividades, as civilizações – só se mantiver junto a marca do passado e o projeto do futuro, se permitir fazer sem esquecer aquilo que se pretendia fazer, tornar-se sem deixar de ser, ser sem deixar de tornar-se.”

Somos, no interior e no início e para sempre, povo da floresta.

*Emanuel Filartiga é Promotor de Justiça em Mato Grosso

COMENTE ABAIXO:
Leia Também:  Os laços da adoção
Continue lendo

CUIABÁ

VÁRZEA GRANDE

POLÍTICA

POLICIAL

MAIS LIDAS DA SEMANA