AGRONEGÓCIOS
“A moratória da soja era um acordo ilegal que criminalizava quem produz dentro da lei”, diz presidente da Aprosoja-MT
Ana Paula Figueiredo
Gustavo Beber afirma que nova lei estadual esvazia acordo privado, garante justiça aos produtores e impulsiona o desenvolvimento regional
O presidente da Aprosoja Mato Grosso, Lucas Beber, disse nesta quarta-feira que a moratória da soja foi esvaziada no início do ano após a aprovação de uma lei estadual de autoria do deputado Gilberto Cattani e outros 12 parlamentares na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT).
Segundo ele, a norma retira incentivos fiscais de empresas que adotam acordos privados que se sobrepõem à legislação brasileira.
De acordo com Beber, a moratória impunha restrições de forma injusta a produtores que atuam dentro da legalidade. Ele afirmou que empresas alinhadas ao acordo chegaram a ser alvo de reconhecimento do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que apontou fortes indícios de formação de cartel, já que essas companhias concentram mais de 90% do mercado comprador de soja.
“O que existia era um acordo ilegal que transformava produtores legais em ilegais”, afirmou. Segundo o presidente da Aprosoja, com o esvaziamento da moratória, a nova legislação passa a contemplar pequenos, médios e grandes produtores que atuam legalmente no bioma amazônico, além de promover desenvolvimento social e regional em municípios do estado.
Beber destacou que os efeitos da lei já são imediatos. Segundo ele, empresas que antes barravam a comercialização da soja produzida dentro da legalidade não podem mais adotar essa prática, sob risco de perderem incentivos fiscais. Ele lembrou que a legislação de incentivos exige que as empresas beneficiadas promovam o desenvolvimento social e regional, o que, segundo ele, não ocorria com a moratória.
O presidente da Aprosoja também afirmou que a medida não representa protecionismo, mas o cumprimento da Constituição Federal, ao garantir a livre iniciativa e o direito do produtor de utilizar sua propriedade conforme a lei. Para ele, a moratória atendia exclusivamente a exigências do mercado europeu e não teve impacto efetivo no combate ao desmatamento ilegal.
Segundo Beber, a redução do desmatamento na Amazônia ocorreu por meio da legislação ambiental brasileira, como a Lei de Crimes Ambientais, o Código Florestal, o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e o uso de imagens de satélite, e não por acordos privados.
Sobre possíveis impactos no mercado externo, ele afirmou não ver prejuízos relevantes nas exportações de soja para a Europa, que representam cerca de 14% do total exportado pelo Brasil. No entanto, alertou para riscos à indústria nacional diante de barreiras ambientais impostas pela União Europeia, como o regulamento europeu que restringe a compra de produtos oriundos de áreas legalmente desmatadas após 2020.
Para Lucas , o Brasil não pode repetir o modelo da moratória da soja. Ele defendeu que empresas adotem mecanismos de rastreabilidade específicos para atender mercados externos, sem impor restrições generalizadas aos produtores que cumprem a legislação ambiental brasileira.
AGRONEGÓCIOS
“Fim do Fethab 2 reflete nos investimentos de infraestrutura, logística estabilidade econômica em MT” diz Max Russi ao citar momentos de contribuição e dificuldades do Agro, VEJA O VÍDEO
JB News
por Nayara Cristina
A decisão de encerrar a cobrança do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (FETHAB 2) a partir do próximo ano marca uma inflexão importante na política econômica de Mato Grosso e sinaliza um novo momento de maturidade fiscal e estrutural do estado. O tema ganhou força após articulações conduzidas pelo vice-governador Otaviano Pivetta junto à classe empresarial do agronegócio, em uma série de reuniões e diálogos diretos com lideranças do setor produtivo.
Nos bastidores, a sinalização de Pivetta foi clara: o Estado não pretende mais sustentar a infraestrutura com base em contribuições extraordinárias. A fala, segundo relatos de participantes dessas discussões, ocorreu em tom de segurança fiscal e confiança na capacidade atual de investimento do governo, indicando que Mato Grosso já atingiu um nível de organização que permite abrir mão do adicional do fundo sem comprometer obras e serviços.
Criado como mecanismo emergencial para financiar obras estruturantes, o adicional do FETHAB incidiu principalmente sobre a produção agropecuária e, ao longo dos últimos anos, movimentou cifras bilionárias. Embora os valores variem conforme a produção e o mercado, estimativas baseadas na arrecadação recente indicam que o fundo — especialmente em sua modalidade adicional — representa algo entre R$ 800 milhões e R$ 1 bilhão por ano.
Com o fim da cobrança, a renúncia fiscal projetada é significativa. Em um horizonte de três a quatro anos, o Estado pode deixar de arrecadar entre R$ 2,5 bilhões e R$ 3 bilhões, considerando um cenário conservador. Ainda assim, a avaliação interna do governo é de que o impacto é absorvível diante do equilíbrio das contas públicas e do avanço já consolidado na infraestrutura estadual.
A recepção por parte do setor produtivo foi, majoritariamente, positiva. Produtores e representantes do agronegócio interpretaram o posicionamento como um gesto de reconhecimento ao momento econômico enfrentado pelo campo, marcado por custos elevados, crédito mais restrito e margens pressionadas. Ao mesmo tempo, a medida foi vista como um reforço na previsibilidade e na segurança jurídica — fatores considerados estratégicos para novos investimentos.
Na avaliação do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Max Russi, o encerramento do FETHAB 2 reflete exatamente esse novo estágio vivido pelo estado. Segundo ele, não há perspectiva de que o tema avance no Legislativo sem uma iniciativa formal do Executivo.
“O projeto não deve sequer chegar à Assembleia para prorrogação. Esse debate só existiria se houvesse interesse do governo, e isso teria que acontecer ainda este ano”, afirmou.
Max Russi também destacou que a retirada do fundo dialoga com o atual cenário do setor agropecuário e com os avanços já alcançados na infraestrutura. Para o parlamentar, Mato Grosso conseguiu transformar os recursos arrecadados em obras concretas, como pavimentação de rodovias e estruturação de corredores logísticos, criando uma base sólida para sustentar o crescimento sem a necessidade de manter cobranças adicionais.
O fim do FETHAB 2, nesse contexto, consolida uma mudança de modelo: de um estado que dependia de fundos extraordinários para acelerar investimentos para outro que passa a operar com planejamento de longo prazo, equilíbrio fiscal e maior capacidade de atração de capital privado. O desafio, a partir de agora, será manter o ritmo de expansão da infraestrutura diante da renúncia bilionária, sem comprometer a competitividade que colocou Mato Grosso como protagonista do agronegócio nacional.
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