POLITICA
“A Assembleia ajudou a construir a estabilidade fiscal e vai ajudar a mantê-la”, afirma Max Russi sobre pressão do Judiciário em Mato Grosso para aumento dos servidores
JB News
por Nayara Cristina
Após anos de ajustes e contenções nas contas públicas, Mato Grosso vive um dos períodos mais sólidos de estabilidade fiscal da sua história recente. O equilíbrio conquistado pelo governo do Estado, em conjunto com a Assembleia Legislativa, permitiu que o estado se destacasse nacionalmente pela responsabilidade na gestão e pela capacidade de investimento em obras e serviços públicos. No entanto, essa estabilidade, construída a duras penas, passou a ser colocada em risco nesta semana, após o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) colocar em pauta um projeto de lei que prevê aumento salarial e de benefícios aos servidores do Judiciário. O impacto estimado pelo próprio tribunal ultrapassa os R$ 40 milhões já neste ano, podendo chegar a quase R$ 47 milhões até 2027, e acendeu o alerta no Palácio Paiaguás e na Assembleia Legislativa.
Durante seu discurso em Cáceres, na inauguração da Zona de Processamento e Exportação (ZPE), o governador Mauro Mendes afirmou que vai lutar de todas as formas para preservar a estabilidade fiscal e impedir que decisões isoladas comprometam o equilíbrio financeiro do Estado. Segundo ele, Mato Grosso só chegou a esse estágio porque aprendeu a gastar dentro dos limites da lei e aplicar cada recurso público com responsabilidade. Mendes destacou que o Estado está vivendo um ciclo de prosperidade, com contas em dia, obras em execução em todos os municípios e credibilidade fiscal reconhecida por órgãos de controle e instituições financeiras, o que não pode ser colocado em risco por pressões momentâneas.
A grande preocupação do governo é com o chamado “efeito cascata”, que pode ocorrer caso o reajuste do Judiciário seja aprovado. A medida abriria brecha para que servidores de outros poderes, como o Ministério Público, Tribunal de Contas, Assembleia e o próprio Executivo, reivindiquem o mesmo percentual de aumento, o que provocaria um desequilíbrio orçamentário de grandes proporções. Técnicos da Secretaria de Fazenda alertam que o impacto poderia comprometer o cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal e reduzir drasticamente a capacidade de investimento do Estado.
Diante desse cenário, o governo do Estado vem articulando com líderes partidários e com o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Max Russi, para conter o avanço da proposta. Russi afirmou que a Assembleia está de prontidão para ajudar o governo a manter o equilíbrio das contas e reafirmou o compromisso do Parlamento com a responsabilidade fiscal. “A Assembleia ajudou a construir essa estabilidade e vai ajudar a mantê-la. Tudo que chega aqui é debatido, discutido, e a maioria decide. O importante é manter a responsabilidade fiscal e garantir que o Estado continue crescendo com segurança”, declarou o deputado.
Max Russi também ressaltou que o posicionamento do governador Mauro Mendes é correto e necessário, pois o Estado vive um momento de conquistas estruturais que não podem ser comprometidas. Ele destacou que a Assembleia tem maturidade política e técnica para lidar com pautas sensíveis e que, neste caso, o foco deve ser proteger o equilíbrio fiscal. “O esforço do governador foi muito grande para chegar a esse ponto, e a Assembleia vai continuar sendo parceira nesse processo de estabilidade. Se for preciso ajustar, nós vamos ajustar, mas sem colocar em risco o que Mato Grosso construiu”, concluiu o parlamentar.
Nos bastidores, deputados avaliam que o clima na Casa é de cautela e responsabilidade. Embora reconheçam o direito dos servidores do Judiciário à valorização, há consenso de que o momento exige prudência. Uma decisão precipitada poderia comprometer anos de equilíbrio fiscal e fazer o Estado retroceder ao cenário de desequilíbrio que marcou gestões anteriores. A prioridade agora, segundo lideranças, é garantir que Mato Grosso continue sendo exemplo nacional de gestão responsável, mantendo viva a frase que ecoa nas palavras de Max Russi: a estabilidade fiscal não se negocia — se preserva.
Veja
POLITICA
Wanderley Cerqueira abre investigação e condiciona decisão da Câmara à perícia oficial sobre escândalo dos áudios vazados em VG, VEJA
JB News
Da redação
Crise política se agrava em várzea grande com suspeita de escuta clandestina e guerra entre poderes
A crise política em Várzea Grande se intensificou nos últimos dias e expôs um cenário de forte instabilidade institucional entre o Executivo e o Legislativo municipal. O ambiente já era considerado sensível desde o início da atual gestão, mas ganhou novos contornos após a renúncia do vice-prefeito Sebastião dos Reis, o Tião da Zaeli, e, mais recentemente, com a revelação de suspeitas de escuta clandestina dentro do gabinete da prefeita Flávia Moretti, além da circulação de áudios que passaram a repercutir nos bastidores políticos e nas redes sociais.
O episódio envolvendo o suposto monitoramento dentro da sede do Executivo elevou o nível de tensão política na cidade industrial. De acordo com informações apuradas, a prefeita acionou autoridades após identificar um objeto suspeito em seu gabinete, o que levantou a hipótese de interceptação ambiental irregular. A Polícia foi comunicada e a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) foi chamada para analisar o material e verificar sua natureza. Até o momento, não há divulgação oficial sobre o resultado dessa análise.
Paralelamente, áudios atribuídos a interlocuções internas da gestão municipal começaram a circular amplamente, com conteúdos que mencionam tratativas políticas, possíveis articulações institucionais e críticas a membros do Legislativo. A autenticidade do material, no entanto, ainda não foi confirmada por órgãos oficiais, nem há identificação formal dos autores das gravações.
Diante da repercussão, a Câmara Municipal convocou uma coletiva de imprensa para tratar do caso. O presidente do Legislativo, Vanderley Cerqueira, afirmou que a Casa irá instaurar procedimento para solicitar perícia técnica nos áudios antes de qualquer deliberação.
“Nós vamos pedir uma perícia técnica nesses áudios, até para ter a comprovação de forma correta e verdadeira. A gente precisa ter responsabilidade para não acusar ninguém injustamente”, declarou.
O presidente também ressaltou, logo no início da coletiva, a necessidade de cautela por parte de agentes públicos diante da repercussão do caso. “A gente sendo pessoa pública, tem que medir as palavras. Esses áudios já estão circulando, mas nós vamos agir com responsabilidade”, afirmou.
Questionado sobre denúncias envolvendo suposta oferta de vantagens indevidas, o presidente afirmou que teve conhecimento apenas por meio da imprensa e que não há, até o momento, registro formal na Câmara.
“Eu tomei conhecimento pela imprensa. Não chegou nada oficialmente até a Casa”, disse.
Ao ser perguntado sobre possíveis providências antes da conclusão da perícia, Vanderley Cerqueira reforçou que a Câmara não irá se antecipar. “Nós queremos a veracidade dos áudios para tomar uma posição. Sem perícia, não podemos agir.”
Sobre a origem das gravações, o presidente afirmou não haver elementos técnicos que confirmem se o conteúdo foi obtido por meio de escuta no gabinete da prefeita ou em outro ambiente. “Só a perícia pode esclarecer isso”, pontuou.
Em relação à possibilidade de medidas administrativas ou políticas mais severas, como eventual processo de cassação, o presidente destacou que qualquer decisão dependerá da confirmação dos fatos e do devido processo legal. “Isso depende da Justiça. Primeiro precisamos da veracidade para depois tomar uma posição”, declarou.
Durante a coletiva, também foram abordadas falas atribuídas à prefeita que mencionariam articulações políticas envolvendo vereadores. O presidente reiterou que não é possível confirmar a autoria sem análise técnica. “Precisamos comprovar de quem é a fala antes de qualquer julgamento.”
Sobre o teor dos áudios que circulam, afirmou que, caso sejam confirmados, o conteúdo é considerado grave. “Se aquilo for verdade, é muito grave e precisa ser tratado com responsabilidade”, disse.
Questionado sobre a relação entre os poderes, Vanderley Cerqueira afirmou que a Câmara mantém sua atuação institucional e que não há impedimentos na tramitação de projetos. “A Câmara tem aprovado os projetos do Executivo. Não há impedimento nas votações”, declarou.
Ao abordar as acusações envolvendo possíveis negociações políticas dentro do Legislativo, afirmou que não há confirmação oficial e que cada parlamentar responde individualmente por suas condutas. “Cada um responde por si”, disse.
O presidente também destacou que, após a conclusão da perícia, os vereadores deverão se reunir para definir os encaminhamentos. “No momento em que tivermos a perícia, vamos reunir os vereadores e tomar uma decisão com base em fatos concretos”, afirmou.
Até o momento, não há confirmação pública sobre a abertura de inquérito específico para investigar o conteúdo dos áudios. A análise do suposto dispositivo encontrado no gabinete da prefeita segue sob responsabilidade técnica da Politec, que deverá indicar se houve, de fato, interceptação irregular.
Caso seja constatada a existência de escuta clandestina, o caso poderá ser encaminhado para investigação criminal. Por outro lado, se os áudios não tiverem autenticidade comprovada, a apuração poderá avançar para eventual responsabilização pela produção ou disseminação de conteúdo falso.
O caso permanece em apuração e depende dos resultados técnicos para definição de eventuais medidas administrativas ou judiciais.
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