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Gripe aviária volta a acender alerta em Mato Grosso após confirmação de foco em Acorizal

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JB News

por Nayara Cristina

Foto: Arte Emerson Teixeira JB News

A confirmação de um novo caso de gripe aviária de alta patogenicidade voltou a colocar Mato Grosso em estado de atenção máxima na área sanitária animal. O foco foi identificado em uma propriedade rural de criação doméstica, no município de Acorizal, após a morte súbita de aves, situação que levou o próprio criador a comunicar as autoridades sanitárias.

A suspeita foi imediatamente apurada por técnicos do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea), que coletaram amostras das aves doentes e encaminharam o material para análise laboratorial. O diagnóstico definitivo foi confirmado na sexta-feira, 16 de janeiro de 2026, pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), após exames realizados pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária, em Campinas (SP), referência nacional para esse tipo de análise.

Com a confirmação do vírus da influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP), uma série de medidas emergenciais foi colocada em prática para evitar a propagação da doença. Em menos de 24 horas, equipes do Indea já atuavam na propriedade afetada, promovendo o abate sanitário de todas as aves, procedimento considerado essencial para interromper o ciclo de transmissão. Os animais sacrificados foram enterrados em locais adequados, seguindo rigorosamente os protocolos técnicos estabelecidos pelo Mapa.

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Além disso, toda a estrutura utilizada para a criação das aves passou por limpeza minuciosa e desinfecção, eliminando possíveis resíduos do vírus no ambiente. Também foi implantada uma barreira sanitária para restringir o trânsito de pessoas, animais, veículos, equipamentos e qualquer material que pudesse representar risco de contaminação.

A vigilância foi ampliada em torno da propriedade, com monitoramento intensivo em um raio de até 3 quilômetros, considerado zona perifocal, e em um raio de 10 quilômetros, classificado como zona de vigilância. Nessas áreas, técnicos realizam inspeções constantes em propriedades vizinhas, acompanhando sinais clínicos em aves e reforçando orientações aos criadores.

Mais de 30 profissionais do Indea seguem mobilizados na operação, atuando de forma ininterrupta, com apoio da Polícia Militar de Mato Grosso, que auxilia no controle de circulação e na segurança das ações em campo. O trabalho conjunto busca garantir que o foco permaneça isolado e não avance para outras regiões.

O estado de Mato Grosso já está em emergência zoossanitária desde dezembro de 2024, quando um caso semelhante foi identificado em Cuiabá. Na ocasião, as medidas adotadas conseguiram conter a doença, e a área afetada permanece em vazio sanitário, período em que é proibida a criação de aves por pelo menos 28 dias, como forma de prevenção.

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As autoridades reforçam que não há risco à saúde humana relacionado ao consumo de carne de frango ou ovos, desde que os produtos sejam devidamente inspecionados e preparados. Também foi esclarecido que o foco registrado em Acorizal não compromete a avicultura comercial do estado, pois envolve uma criação de subsistência, sem ligação com o setor produtivo industrial.

Mesmo com o controle rigoroso, o novo episódio evidencia a importância da vigilância permanente e da rápida comunicação por parte dos criadores diante de qualquer ocorrência fora do normal. A gripe aviária segue sendo tratada como uma ameaça séria à sanidade animal, e as autoridades mantêm ações firmes para impedir que a doença volte a se espalhar em Mato Grosso.

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Agricultura familiar

Sérgio Ricardo anuncia plano para enfrentar crise na agricultura familiar da Baixada Cuiabana

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Plano de metas apresentado por Sérgio Ricardo busca enfrentar desigualdades regionais e estimular a permanência de jovens na atividade rural
Crédito: Tony Ribeiro/TCE-MT
Presidente do TCE-MT, conselheiro Sérgio Ricardo, recebeu o presidente do Sinterp-MT, Gilmar Brunetto. Clique aqui para ampliar

O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, anunciou a elaboração do plano de metas “Mato Grosso 2050”, que deverá orientar políticas para o desenvolvimento regional e a redução de desigualdades. Entre as prioridades está o fortalecimento da agricultura familiar na Baixada Cuiabana, tema discutido nesta segunda-feira (16) com representantes do setor.

“É um plano de políticas de Estado. Uma das metas é o desenvolvimento da Baixada Cuiabana, que vive na extrema miséria e não tem sequer energia elétrica trifásica”, explicou o presidente.  “Nessa discussão tem que ter a viabilidade do negócio, tem que ter casa, energia e água”, completou.

Para aprofundar o debate, Sérgio Ricardo sugeriu ainda a realização de uma mesa técnica. “Hoje a agricultura familiar está caminhando para o fim. Isso é péssimo e vai gerar ainda mais desemprego.  O desenvolvimento e a sobrevivência de Mato Grosso passam diretamente pela agricultura familiar.”

Na região da Baixada Cuiabana, que conta com cerca de 35 mil famílias de pequenos produtores, o trabalho pode ampliar a produção, melhorar o abastecimento no estado e garantir a permanência de novas gerações no campo. Foi o que explicou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Pública de Mato Grosso (Sinterp-MT), Gilmar Brunetto.

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“A grande maioria de quem está no campo hoje são agricultores e agricultoras acima de 65 anos, que em cinco ou seis anos não vão ter mais força. Qual o programa que o estado tem para levar o jovem para o campo? O jovem só volta se tiver renda”, disse ao alertar para o risco de extinção da atividade.

Na ocasião, Brunetto também apontou o sucateamento de centros de pesquisa e a redução de investimentos em extensão rural. “Se não mudarem essa política, num curto espaço de tempo vai ficar igual está a agricultura empresarial, na mão de poucos”, afirmou.

Estado de contrastes

 A combinação entre envelhecimento, falta de oportunidades no campo e baixa produtividade em áreas da Baixada Cuiabana tem provocado o deslocamento de famílias para as áreas urbanas de Cuiabá e Várzea Grande. “Essa questão da miserabilidade da Baixada Cuiabana tem que ser encarada com seriedade. O que a Baixada está produzindo hoje são favelas”, avaliou Sérgio Ricardo.

Esse cenário expõe os contrastes socioeconômicos no estado, onde o agronegócio alcança altos níveis de produtividade e geração de riqueza. “Nós temos vários estados dentro de Mato Grosso. Temos o estado do agronegócio, o estado dos minerais, do ouro e do diamante, e o estado da pobreza. São três estados que nós temos aqui, no mínimo”, disse.

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Ação conjunta

De acordo com o presidente, a elaboração do plano contará com o suporte de universidades, associações e representantes do setor produtivo na formulação das diretrizes. “Nós estamos reunindo ideias e discutindo esse plano de metas que vamos colocar na mesa para os futuros gestores do Estado e dos municípios, para que a agricultura familiar tenha investimento firme.”

Além de investimentos em pesquisa e infraestrutura, as alternativas debatidas nesta etapa incluem a irrigação na região, com o aproveitamento de água do reservatório de Manso. “Nós temos muitas potencialidades e o mundo precisa de comida. Se cada agricultor tiver meio hectare irrigado ele sobrevive desde que ele produza produtos que agregam valor e possam ser comercializados”, concluiu Brunetto.

 

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