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Imea aponta avanço do capital próprio no custeio da soja

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O financiamento da soja em Mato Grosso, maior produtor do País, entrou em um novo estágio na safra 2025/26: o produtor está bancando mais do próprio bolso o custeio da lavoura. Levantamento do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostra que a participação de capital próprio subiu de 20,7% para 23,5% no financiamento da safra atual, um avanço de 2,84 pontos percentuais em relação ao ciclo 2024/25. O movimento ocorre em um ambiente de crédito mais caro e seletivo, em que as taxas do Plano Safra e as condições do mercado livre tornam o dinheiro “de fora” mais pesado na conta.

Uma parte relevante desse aumento de capital próprio está ligada à forma como o produtor vem antecipando a compra de insumos. Segundo o Imea, operações à vista lastreadas na produção da safra 2024/25 – vendas feitas adiantadas para garantir fertilizantes, defensivos e sementes da temporada 2025/26 – são contabilizadas como autofinanciamento, mas diminuem a liquidez de caixa na fazenda. Na prática, o agricultor está usando o lucro da safra passada antes de ele “virar dinheiro livre”, comprometendo receita futura para segurar o pacote tecnológico da próxima safra.

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Cálculos da consultoria Veeries estimam que esse uso antecipado do resultado equivale, em média, a 219 reais por hectare na soja mato-grossense. Ou seja: para manter o padrão de tecnologia e garantir a compra de insumos em um cenário de custeio recorde, o produtor precisou tirar algo em torno de 219 reais por hectare do desempenho da safra 2024/25 para fechar a conta de 2025/26. Isso indica uma recomposição da necessidade de capital de giro por área cultivada, depois de alguns ciclos em que custos mais baixos e boa rentabilidade permitiram reduzir a dependência de recursos próprios por hectare.

O pano de fundo dessa mudança está no encarecimento do crédito rural e do crédito livre. Com as taxas do Plano Safra 2025/26 em patamar elevado e o custo de operações no mercado chegando a dois dígitos, a comparação entre “tomar dinheiro” e “usar o próprio caixa” mudou de sinal. Em anos anteriores, quando o crédito rural trabalhava com juros próximos de 5% ao ano e aplicações financeiras podiam render perto de 10%, fazia mais sentido para o agricultor financiar o custeio com bancos e deixar o dinheiro aplicado. Agora, com o custo do dinheiro muito mais alto, a avaliação de economistas e consultores é que, na margem, o capital próprio ficou relativamente “mais barato” que o capital de terceiros, ainda que pressione o caixa da fazenda no curto prazo.

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Para o agronegócio mato-grossense, esse quadro traz oportunidades e riscos. De um lado, o maior uso de recursos próprios pode reduzir a exposição a endividamento em condições desfavoráveis e dar ao produtor um pouco mais de autonomia nas decisões de compra e venda.

De outro, o esvaziamento do caixa aumenta a vulnerabilidade a choques de clima, preço ou câmbio: qualquer frustração de safra ou queda adicional das cotações pode encontrar a fazenda com menos reservas financeiras e menos margem para absorver perdas. A tendência, ressaltam analistas, é que a gestão de risco – travas de preço, seguro rural, planejamento de fluxo de caixa e renegociação de prazos – ganhe ainda mais importância na safra 2025/26, em um cenário em que o custo do erro ficou mais alto e o colchão financeiro, mais fino.

Fonte: Pensar Agro

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Mapa se une à Embrapa na realização da Feira Brasil na Mesa para valorizar alimentos da sociobiodiversidade brasileira

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O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) se une à Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) na realização da Feira Brasil na Mesa, que ocorre de 23 a 25 de abril na Embrapa Cerrados, em Planaltina (DF). A abertura oficial do evento será realizada na manhã de quinta-feira (23) e contará com a presença do ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula.

A feira reúne produtores, pesquisadores, gestores públicos e o público em geral para apresentar a diversidade de alimentos produzidos no país e ampliar o conhecimento sobre a riqueza da sociobiodiversidade brasileira. Interessados em participar do evento podem se credenciar clicando aqui. 

A iniciativa busca aproximar produção, ciência, políticas públicas e consumo, destacando alimentos que fazem parte da diversidade produtiva brasileira, mas que ainda são pouco conhecidos em nível nacional. O Brasil possui uma das maiores diversidades alimentares do mundo, com frutas nativas, castanhas, farinhas, cafés, fermentados e carnes diferenciadas, muitos deles produzidos por agricultores familiares, pequenos produtores e povos e comunidades tradicionais.  

Um dos espaços centrais do evento é o Estande Brasil, que reúne ministérios e instituições públicas, entre eles o Mapa, para apresentar programas de governo e iniciativas voltadas ao fortalecimento da produção de alimentos, inclusão socioprodutiva e desenvolvimento regional. Além disso, durante a programação técnica do evento, especialistas do ministério apresentarão iniciativas voltadas ao fortalecimento do setor agroalimentar e à ampliação das oportunidades para produtores e agroindústrias brasileiras. 

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Na sexta-feira (24), às 17h, no Auditório Pequi, a coordenadora-geral de Articulação da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Fabiana Maldonado, apresenta a palestra “Promoção comercial e internacionalização do setor agroalimentar brasileiro”. A apresentação abordará estratégias voltadas à ampliação da presença dos alimentos brasileiros nos mercados internacionais.

No sábado (25), às 17h, na Sala Mangaba, Judi Maria da Nóbrega, diretora do Departamento de Planejamento e Estratégia do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária, apresenta a palestra “SISBI-POA e sua repercussão para as agroindústrias de produtos de origem animal no Brasil”. A exposição tratará do funcionamento do Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal e do impacto da iniciativa na ampliação das oportunidades para agroindústrias em todo o país.

Ciência, alimentos e políticas públicas

A Feira Brasil na Mesa foi criada para dar visibilidade à riqueza alimentar do país e fortalecer economias locais associadas à agricultura familiar e à produção regional. A programação reúne degustações, feira de produtores, vitrines de tecnologias, seminários técnicos e atividades culturais, conectando ciência, mercado e políticas públicas voltadas ao setor agroalimentar. 

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Entre as atrações também estão a Estação das Delícias Brasileiras, com degustação de alimentos nativos, a Feira dos Sabores, que reúne produtores de diferentes regiões do país, e a Cozinha Show, com chefs preparando receitas ao vivo utilizando ingredientes da biodiversidade brasileira. 

Mapa
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Saiba como chegar à Embrapa Cerrados clicando aqui.

Informação à imprensa
[email protected]

Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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