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Brasil mantém 65% do território preservado, e produtores rurais respondem por 1/3 da área

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A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) apresentou no primeiro dia da 30ª Conferência do Clima das Nações Unidas (COP 30), um levantamento revelando que 65,6% do território brasileiro permanecem preservados: uma proporção que coloca o Brasil entre os países com maior cobertura de vegetação nativa do planeta.

Desse total, os imóveis rurais respondem por 29% da vegetação conservada, o equivalente a 246,6 milhões de hectares. Em outras palavras, para cada hectare dedicado à produção de alimentos, fibras e bioenergia, há 2,1 hectares mantidos em estado natural. O cálculo é resultado de uma integração de diversas bases oficiais, como o Cadastro Ambiental Rural (CAR), o Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural (SiCAR), o Serviço Florestal Brasileiro, o Ministério do Meio Ambiente, o MapBiomas, o Terraclass e o IBGE, com cruzamento de dados que elimina sobreposições.

Os números reforçam o papel do produtor rural como agente de preservação ambiental. De acordo com o estudo, 3,4% do território nacional estão protegidos por Áreas de Preservação Permanente (APPs) — margens de rios, encostas e topos de morro, por exemplo. Outras 17,9% estão dentro das propriedades sob regime de Reserva Legal, enquanto 7,7% são áreas com vegetação nativa excedente, ou seja, que poderiam ser legalmente abertas, mas permanecem intactas.

Essas áreas de excedente, destaca a Embrapa, tendem a ganhar valor nos próximos anos. O Código Florestal permite que produtores que mantêm vegetação além do exigido por lei possam negociar cotas de reserva ambiental com quem tem déficit. Assim, o que antes era apenas uma obrigação pode se transformar em ativo financeiro, fortalecendo a renda do campo e estimulando a conservação.

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O estudo também detalha a distribuição do território brasileiro conforme o uso. Hoje, 31,3% do país — cerca de 266,3 milhões de hectares — são ocupados por atividades agropecuárias. As pastagens representam 165,1 milhões de hectares (19,4% do território), as lavouras 91,9 milhões (10,8%) e a silvicultura 9,3 milhões (1,1%).

Segundo a Embrapa Territorial, o equilíbrio entre produção e preservação é um diferencial do Brasil. Nenhum outro país com dimensões continentais mantém dois terços de seu território cobertos por vegetação nativa enquanto sustenta uma das maiores produções agrícolas do mundo.

Na comparação com a edição de 2021, houve uma redução de 0,7% nas áreas conservadas — o equivalente a 595,7 mil hectares a menos. A Embrapa atribui essa variação a ajustes metodológicos e à adoção de imagens de satélite mais precisas, que permitem identificar os limites das propriedades e das áreas protegidas com maior exatidão.

Uma das principais mudanças foi a separação das Reservas Extrativistas (RESEX) e das Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do grupo de imóveis rurais, passando-as para uma nova categoria de “Unidades de Conservação de Uso Sustentável”. Essas unidades representam 6,5% do território nacional, cerca de 55,3 milhões de hectares.

Ainda assim, a instituição reconhece que parte da redução pode estar ligada à abertura de novas áreas produtivas, feita dentro dos parâmetros legais do Código Florestal. Ou seja, desmatamentos pontuais e controlados, voltados à expansão agropecuária regularizada.

A nova edição do levantamento trouxe pela primeira vez análises detalhadas dos biomas Cerrado e Amazônia. No Cerrado, o segundo maior bioma brasileiro, 52,2% da área total permanece conservada. Os produtores rurais são responsáveis por 34,7% dessa preservação, demonstrando que a produção e a conservação podem coexistir. O uso agropecuário no bioma está dividido entre 30% de pastagens, 14,2% de lavouras e 1,7% de silvicultura.

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Na Amazônia, a proporção de áreas preservadas é ainda maior: 83,7% de toda a região. Dentro das propriedades rurais, 27,4% da floresta está mantida intacta. As áreas de lavoura ocupam apenas 2% do território amazônico e as pastagens, 12,1%.

Os resultados divulgados na COP 30 reforçam um cenário em que o Brasil consegue conciliar alta produtividade agropecuária com ampla conservação ambiental. A agricultura nacional — frequentemente apontada como vilã nas discussões internacionais sobre desmatamento — se mostra, na prática, um dos pilares da preservação.

Com quase dois terços do território verde e um terço ocupado por atividades rurais, o país segue combinando segurança alimentar, geração de renda e compromisso ambiental. E para os produtores, a perspectiva é positiva: as áreas de vegetação nativa excedente, antes vistas apenas como restrição, tendem a ganhar valor econômico real, transformando o que era passivo em oportunidade.

Em tempos de cobrança global por sustentabilidade, os números apresentados pela Embrapa são um contraponto importante. Mostram que o campo brasileiro não é apenas o motor da economia, mas também o guardião de boa parte das florestas, cerrados e matas que ainda cobrem o país.

Fonte: Pensar Agro

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Gripe aviária: barreira sanitária em Acorizal controla terceiro foco em MT

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JB News

por Nayara Cristina

 

Barreira sanitária em Acorizal controla foco de gripe aviária e impede avanço do vírus em Mato Grosso

O Governo de Mato Grosso, por meio do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT), concluiu na última sexta-feira, dia 22 de janeiro, as ações de enfrentamento, vigilância e educação sanitária após a confirmação de um foco do vírus da influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP) no município de Acorizal. O caso, identificado em uma propriedade rural com criação de aves domésticas de subsistência, é o terceiro registrado no estado nos últimos seis meses e mobilizou uma ampla força-tarefa para evitar a propagação da doença.

Durante seis dias de trabalhos ininterruptos, o espaço da Escola Municipal Amâncio Ramos serviu como base de coordenação das equipes técnicas, onde foram realizadas reuniões diárias de alinhamento e definição das estratégias de campo. Ao todo, 10 equipes atuaram simultaneamente, envolvendo vigilância ativa, instalação de barreira sanitária, erradicação do foco e coordenação das ações.

Como parte do protocolo sanitário, foram sacrificadas sanitariamente 339 aves e destruídos 282 ovos. Além disso, servidores do Indea realizaram visitas técnicas em 314 propriedades rurais localizadas em um raio de até 10 quilômetros do foco da doença, onde foram inspecionadas aproximadamente 7.253 aves. O objetivo foi identificar precocemente qualquer sinal de contaminação e orientar produtores rurais sobre medidas de prevenção e notificação imediata em caso de suspeita.

O coordenador de Defesa Sanitária Animal do Indea, João Marcelo Nespoli, destacou que as visitas realizadas — chamadas de vigilância ativa — tiveram papel fundamental não apenas na inspeção dos animais, mas também na educação sanitária dos produtores. Segundo ele, os criadores foram orientados a observar sinais de mortandade súbita, apatia ou alterações respiratórias nas aves e a comunicar imediatamente o instituto diante de qualquer suspeita da presença do vírus da influenza aviária.

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A propriedade onde foi confirmado o foco passou por rigorosos processos de limpeza e desinfecção, além da instalação de uma barreira sanitária na entrada do local, que permaneceu ativa durante todo o período de contenção e já foi desmontada após a conclusão das ações. A área entrou agora em vazio sanitário por 45 dias, período em que fica totalmente proibida a introdução de novas aves, conforme determina o protocolo nacional de defesa sanitária animal.

No total, a operação contou com a atuação de 31 servidores do Indea, sendo 15 médicos veterinários e 16 agentes fiscais estaduais. A força-tarefa também teve o apoio de dois médicos veterinários do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), que acompanharam de perto todas as etapas do processo. Profissionais de diversas unidades do instituto foram mobilizados, incluindo Cuiabá, Lucas do Rio Verde, Pontes e Lacerda, Cáceres, Rondonópolis e Barra do Bugres.

O diagnóstico da doença foi confirmado pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA), em Campinas, São Paulo, referência nacional na análise laboratorial de amostras de aves. A partir da confirmação, o Mapa emitiu alerta oficial ao Estado, acionando imediatamente os protocolos emergenciais de contenção. O órgão federal também comunicou a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) sobre a ocorrência da doença no território brasileiro, conforme exigido pelos acordos internacionais.

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Após a notificação, coube ao órgão estadual de defesa sanitária a execução, monitoramento e posterior encerramento das ações de controle do foco, garantindo que o vírus não se espalhasse para outras regiões do estado ou para sistemas de produção comercial.

De acordo com informações técnicas, os três casos de gripe aviária registrados em Mato Grosso nos últimos seis meses — em Campinápolis, Cuiabá e agora em Acorizal — tiveram a mesma forma de introdução do vírus: o contato de aves domésticas de subsistência com aves silvestres, especialmente patos selvagens conhecidos como “patúris”. Em todos os locais havia lagoas, áreas alagadas ou pontos de parada utilizados por aves migratórias, que acabaram transmitindo o vírus às criações domésticas.

Apesar do alerta, o Indea reforça que não há risco para a avicultura industrial nem para o consumo de carne de frango e ovos inspecionados. O caso de Acorizal, assim como os anteriores, foi rapidamente controlado graças à atuação imediata das barreiras sanitárias e ao trabalho integrado entre os governos estadual e federal.

Com o encerramento das ações e o cumprimento do vazio sanitário, Mato Grosso mantém o controle da situação e reforça sua capacidade de resposta frente a emergências sanitárias, garantindo a proteção da produção agropecuária e a segurança sanitária no estado.

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