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Plantio do milho safrinha 25/26 avança com alerta de clima e pragas

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O Rio Grande do Sul iniciou o plantio da safra de milho 2025/2026, com 62% da área prevista de 785 mil hectares já semeada, segundo dados da Emater/RS-Ascar. As chuvas registradas entre domingo e segunda-feira (20 e 21.09) favoreceram o crescimento das lavouras recém-implantadas, mas também provocaram necessidade de replantio em áreas mal drenadas, elevando custos de produção.

Diferentemente de estados como Mato Grosso, Paraná e Goiás, onde a safrinha de milho é plantada logo após a colheita da soja e está praticamente concluída, no Rio Grande do Sul ainda se planta a primeira safra de milho, também chamada de milho primavera. O calendário gaúcho é definido pelas condições climáticas: invernos frios e períodos de chuva mais concentrados limitam a janela para o plantio da safrinha, tornando inviável seguir o mesmo ritmo do Centro-Oeste.

Essa diferença explica por que, enquanto o Brasil já está encerrando a colheita da safrinha, o RS ainda está em fase de semeadura. “O calendário gaúcho de milho é distinto. Nossa primeira safra começa no final do inverno e início da primavera, e a safrinha aqui representa apenas uma parcela limitada da produção total, diferente do que ocorre em outros estados”, explica a Emater/RS-Ascar.

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O avanço da semeadura foi acompanhado da adubação nitrogenada de cobertura, essencial para garantir produtividade. No entanto, o excesso de chuva trouxe desafios: solos rasos e mal drenados exigem replantio, aumentando o custo com sementes e mão de obra.

Além disso, o monitoramento de pragas segue sendo prioridade. Grilos, percevejos e a cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) são observados em lavouras recém-emergidas, com alguns produtores adotando aplicações conjuntas de inseticidas e herbicidas para reduzir despesas.

A produção média estimada para a safra 2025/2026 é de 7,37 toneladas por hectare, estável em relação à temporada anterior. A área plantada deve resultar em cerca de 5,79 milhões de toneladas, representando um crescimento de aproximadamente 9,5% em relação ao ciclo 2024/25.

A diferença nos ciclos de plantio e colheita entre RS e outras regiões brasileiras impacta diretamente o mercado: a produção gaúcha chega ao consumidor mais tarde, influenciando preços e contratos. Para os produtores, isso exige planejamento cuidadoso do manejo do solo, uso de insumos e monitoramento climático para minimizar riscos.

Em resumo, o Rio Grande do Sul não está atrasado — apenas segue um calendário adaptado às suas condições climáticas, que limita a expansão da safrinha e prioriza a primeira safra. Para os agricultores, compreender essa diferença é essencial para alinhar produção, custos e expectativas de mercado, garantindo o sucesso da safra mesmo diante de variabilidades climáticas e pressões econômicas.

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Fonte: Pensar Agro

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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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