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Ministro Roberto Barroso destaca a importância da educação e do diálogo em momentos de tensões políticas no Brasil “Quem pensa diferente não é inimigo”

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Ministro Barroso diz que quem pensa diferente não é inimigo, é parceiro e defende diálogo, valores e educação em visita a Cuiabá*

Em entrevista à imprensa nesta segunda-feira 18 em Cuiabá, o ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), destacou a importância da educação e do diálogo em um momento de tensões políticas no Brasil.

Durante a agenda em Cuiabá, Mato Grosso, Barroso explicou que suas visitas a estados têm incluído encontros com magistrados e, principalmente, conversas com alunos de escolas públicas de ensino médio.

“Eu tenho visitado quase todo o país e tenho uma agenda que inclui conversar com o presidente do Tribunal do Estado. Geralmente, converso com os juízes na parte da tarde e, de manhã, visito uma escola pública de ensino médio para ter uma conversa, fazer uma exposição com os alunos, com os jovens. É um discurso puramente motivacional, sem nenhuma conotação política, em que eu falo dos valores, como ser bom, ter integridade, ter idealismo, conhecimento, o desejo de progredir, e converso um pouco sobre o mundo. É uma energia muito bacana e eu tenho muito prazer em fazer isso. Eu considero que a educação, sobretudo a educação básica, é a coisa mais importante na vida de um país. Eu sou professor há muitos anos e esse é um dos bons momentos da minha vida, de falar para jovens que estão num momento importante da sua formação”, afirmou.

Questionado sobre a relevância da iniciativa em um período de ataques e questionamentos ao Judiciário, Barroso ressaltou que é preciso recuperar a civilidade e o respeito às diferenças.

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“A vida é feita de liberdade de expressão, de cidadania, que eu procuro compartilhar com os estudantes em todos os lugares que visito. A vida é plural, as pessoas têm pontos diferentes de observação, a vida comporta críticas, elogios. O que nós precisamos recuperar, e eu sempre insisto, é a civilidade, a capacidade de as pessoas que pensam de maneira diferente poderem conviver com respeito e consideração. Como eu disse hoje, quem pensa diferente de mim não é meu inimigo, é meu parceiro na construção de uma sociedade aberta, de uma sociedade plural. O pensamento único só existe em ditaduras.”

O ministro ponderou que o problema atual não é a polarização de ideias, mas a intolerância. “Ideias diferentes sempre vão existir. O que aconteceu de novidade no mundo foi a intolerância, o extremismo, a incapacidade de aceitar o outro que pensa diferente. A democracia tem lugar para liberais, tem lugar para conservadores, tem lugar para progressistas, tem lugar para todo mundo que se disponha a jogar pelas regras do jogo. Parte das regras do jogo na democracia é ter respeito e consideração por todas as pessoas.”

Indagado sobre o início do projeto em Cuiabá, em um estado identificado como mais alinhado à direita, Barroso respondeu:

“Eu não divido a vida entre direita e esquerda, eu divido a vida entre pessoas íntegras, pessoas competentes e pessoas de bom caráter. Portanto, para mim não faz diferença se a maior parte da população é mais liberal, mais conservadora. O que eu acho que é importante é a vida ser feita de valores. A existência de pontos de vista divergentes faz parte da vida e, eu diria, é desejável. Bastar-se a si mesmo é a maior solidão, escreveu Vinícius de Moraes. Portanto, não tem essa história de direita e esquerda na minha visão de mundo. Tem a minha visão de mundo de respeito a valores, como integridade, caráter e competência. Começou aqui em Cuiabá porque a ideia amadureceu mais recentemente e conseguimos finalmente formatá-la.”

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Barroso também elogiou a importância econômica do estado e defendeu o equilíbrio entre produção agrícola e preservação ambiental.

“Eu tenho muito prazer de estar aqui. O Mato Grosso é uma das locomotivas do Brasil hoje em termos econômicos, talvez o maior produtor de soja do país. O agronegócio tem um papel muito importante e eu, aliás, defendo que não existe esse antagonismo que artificialmente se procura criar entre agronegócio e proteção ambiental. O agronegócio legítimo depende da proteção ambiental. O país precisa do agronegócio para ter desenvolvimento, e o agronegócio precisa de um meio ambiente, precisa dos mil voadores que vêm da Amazônia. Essas dualidades artificialmente criadas, nós precisamos desfazer.”

Por fim, o ministro defendeu a construção de pontes entre diferentes visões.

“A gente precisa desfazer esses muros que se criaram na sociedade brasileira e, embora seja um lugar comum, nós temos que construir pontes. Pontes entre pessoas que pensam diferente, mas que podem ter uma agenda comum para o Brasil, que inclui educação, desenvolvimento, erradicação da pobreza, investimentos em ciência e tecnologia. Não importa se você é liberal, progressista ou conservador, a educação é muito importante para todo mundo. Eu não sou um militante dessas dualidades extremas.”

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TJMT suspende desocupação em condomínios em Cuiabá após pedido da ALMT

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Medida atende solicitação da Assembleia Legislativa e prevê análise técnica do caso

POR VÂNIA COSTA / SECRETARIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL •  17 DE ABRIL DE 2026 ÀS 14:55:00  •  24 Acessos

 

Foto: Natália Nogg/Assessoria de Gabinete

Em resposta ao pedido encaminhado pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) nesta sexta-feira (17), a Corregedoria-Geral da Justiça do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) decidiu suspender a medida de desocupação e determinou o encaminhamento do processo à Comissão Regional de Soluções Fundiárias para análise técnica do caso envolvendo famílias que residem nos condomínios Villas das Minas e Villas das Lavras do Sutil I e II, em Cuiabá. A decisão do Judiciário ocorreu após solicitação formal da Assembleia, diante da preocupação com os impactos sociais da medida.

A decisão considera que o caso apresenta potencial impacto social relevante, especialmente diante da possibilidade de cumprimento de medida de imissão na posse envolvendo famílias em situação de vulnerabilidade, e reforça a necessidade de adoção de etapas preparatórias antes de qualquer decisão de desocupação coletiva.

“Recebemos uma decisão muito importante da Corregedoria do Tribunal de Justiça, que representa uma vitória significativa para as famílias dos condomínios Minas e Lavras do Sutil. Ainda não vencemos a guerra, mas conquistamos uma batalha importante, que traz tranquilidade aos moradores que estavam vivendo momentos de angústia. Quero agradecer à Procuradoria da Assembleia e ao Poder Judiciário pela sensibilidade em olhar para essa situação. Esse resultado é fruto de um trabalho conjunto. Agora, vamos continuar dialogando e trabalhando para construir uma solução justa e definitiva para essas famílias. Contem com a Assembleia Legislativa, porque estaremos ao lado de vocês”, comemorou o deputado estadual Max Russi (Podemos), presidente da Assembleia Legislativa.

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O procurador da Assembleia Legislativa, Ricardo Riva, explicou que a decisão da Corregedoria do Tribunal de Justiça foi resultado direto do pedido formal apresentado pela Casa, que apontou a necessidade de cumprimento de etapas legais e sociais antes da execução da medida de desocupação.

Segundo ele, a Assembleia solicitou a suspensão da imissão na posse justamente para garantir que o processo observe as exigências previstas na legislação e nas normas que tratam de conflitos fundiários coletivos.

“A Assembleia oficiou a Corregedoria do Tribunal pedindo a suspensão do cumprimento da imissão na posse, ou seja, da retirada das famílias dos apartamentos, porque existem etapas legais e sociais que precisam ser cumpridas antes de qualquer desocupação coletiva. A decisão da Corregedoria foi tomada a partir dessa solicitação e determinou o encaminhamento do processo à Comissão Regional de Soluções Fundiárias para análise técnica do caso”, explicou o procurador.

Ricardo Riva destacou ainda que a medida busca assegurar que qualquer decisão judicial seja precedida de avaliação técnica e de diálogo institucional, garantindo segurança jurídica e proteção às famílias envolvidas.

O pedido da ALMT – No documento encaminhado ao Judiciário, o presidente Max Russi alerta que o cumprimento da ordem de imissão na posse, decorrente de um processo de falência iniciado em 2003, pode resultar na retirada imediata de moradores de suas residências sem que haja medidas adequadas de acolhimento social às famílias afetadas. O ofício destaca que a execução da decisão, da forma como está prevista, pode gerar consequências sociais graves, especialmente para pessoas em situação de vulnerabilidade.

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A Assembleia também argumenta que a condução do processo deve observar normas e diretrizes que tratam da proteção de direitos humanos e da mediação de conflitos. Entre os dispositivos citados estão o Provimento nº 23/2023 do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, a Resolução nº 510 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e orientações do Supremo Tribunal Federal (STF), que estabelecem que desocupações coletivas precisam ser precedidas de diálogo entre as partes e da definição de estratégias de atendimento às famílias atingidas.

De acordo com o documento, essas normas determinam que, antes da execução de despejos coletivos, sejam realizadas reuniões preparatórias e elaborados planos de ação que considerem a situação social dos moradores, garantindo alternativas de acolhimento e encaminhamento a programas habitacionais ou de assistência social, sempre que necessário.

Visita aos condomínios – Na noite de quinta-feira (16), Russi esteve pessoalmente nos residenciais para ouvir os moradores e acompanhar de perto a situação. Durante a visita, o parlamentar conversou com os condôminos e manifestou preocupação com a possibilidade de retirada imediata das pessoas de suas casas, destacando o clima de insegurança e aflição vivido pelos moradores. A presença do deputado no local ocorreu após relatos de que centenas de famílias temem perder suas moradias em razão de decisão judicial.

 

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