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EUA sinalizam isenção de tarifas para café e cacau, mas suco de laranja ainda corre risco

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O secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, indicou nesta terça-feira (29.07) que produtos agrícolas não cultivados em território norte-americano, como café e cacau, poderão ser isentos de tarifas em futuros acordos comerciais. A declaração foi feita durante entrevista à rede CNBC, e reacende a discussão sobre o impacto das tarifas de importação para países exportadores de commodities.

Segundo Lutnick, a política segue linha semelhante à adotada durante o primeiro governo de Donald Trump, que já havia negociado a redução a zero de tarifas sobre produtos como manga e abacaxi em acordos com países como Indonésia e União Europeia. “Se você cultiva algo que nós não cultivamos, isso pode custar zero”, disse o secretário, sugerindo que café e cacau possam seguir o mesmo caminho.

A luz no fim do túnel, entretanto, não atinge o suco de laranja brasileiro, apesar da dependencia dos EUA. A produção de suco de laranja deles está em declínio, com uma previsão de queda de 27,9% na safra de 2025, atingindo 80 mil toneladas, enquanto o Brasil, maior produtor mundial, espera um aumento de 8,8%, com 1,01 milhão de toneladas. Em abril, os EUA impuseram uma tarifa de 10% sobre o produto, e no início de julho anunciaram um novo aumento para 50%, a ser aplicado a partir de 1º de agosto.

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De acordo com a CitrusBR, entidade que representa os exportadores brasileiros, a redução no volume embarcado para os EUA no primeiro semestre de 2025 está mais ligada à quebra histórica da safra do que às tarifas. No ciclo 2024/25, a produção no cinturão citrícola de São Paulo e Minas Gerais foi de 228,5 milhões de caixas, queda de 24,8% em relação à safra anterior.

“A redução do volume embarcado aos EUA, por enquanto, tem a ver com a quebra da safra, e não propriamente com o tarifaço”, afirmou o diretor-executivo da CitrusBR, Ibiapaba Netto. Ainda assim, ele alerta que a tarifa de 50% será “muito difícil de absorver”, já que pode comprometer até 70% do preço final do produto nos EUA, inviabilizando as exportações.

Apesar da queda de 8,7% no volume exportado para os EUA entre janeiro e junho de 2025 (556 mil toneladas), o faturamento disparou 77,8% no período, chegando a US$ 654,7 milhões, impulsionado pela alta recorde do preço do suco na Bolsa de Nova York. No varejo americano, o galão de suco atingiu US$ 11,68 em julho, o maior valor desde 2001.

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O Brasil segue como maior fornecedor de suco de laranja aos EUA, respondendo por 70% do consumo do país. Mas o setor teme que a nova tarifa reduza drasticamente a competitividade do produto. A CitrusBR estima que o impacto das tarifas pode gerar prejuízos de até R$ 4,3 bilhões para a cadeia produtiva.

Enquanto a Europa continua sendo o principal destino do suco de laranja brasileiro — com 115,4 mil toneladas embarcadas no início da safra 2024/25 — os Estados Unidos, segundo maior mercado, registraram queda de quase 20% no volume importado no mesmo período. O cenário reforça o desafio do setor diante de uma combinação de fatores: safra reduzida, alta de preços e barreiras tarifárias cada vez mais duras.

Fonte: Pensar Agro

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Gripe aviária: barreira sanitária em Acorizal controla terceiro foco em MT

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JB News

por Nayara Cristina

 

Barreira sanitária em Acorizal controla foco de gripe aviária e impede avanço do vírus em Mato Grosso

O Governo de Mato Grosso, por meio do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT), concluiu na última sexta-feira, dia 22 de janeiro, as ações de enfrentamento, vigilância e educação sanitária após a confirmação de um foco do vírus da influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP) no município de Acorizal. O caso, identificado em uma propriedade rural com criação de aves domésticas de subsistência, é o terceiro registrado no estado nos últimos seis meses e mobilizou uma ampla força-tarefa para evitar a propagação da doença.

Durante seis dias de trabalhos ininterruptos, o espaço da Escola Municipal Amâncio Ramos serviu como base de coordenação das equipes técnicas, onde foram realizadas reuniões diárias de alinhamento e definição das estratégias de campo. Ao todo, 10 equipes atuaram simultaneamente, envolvendo vigilância ativa, instalação de barreira sanitária, erradicação do foco e coordenação das ações.

Como parte do protocolo sanitário, foram sacrificadas sanitariamente 339 aves e destruídos 282 ovos. Além disso, servidores do Indea realizaram visitas técnicas em 314 propriedades rurais localizadas em um raio de até 10 quilômetros do foco da doença, onde foram inspecionadas aproximadamente 7.253 aves. O objetivo foi identificar precocemente qualquer sinal de contaminação e orientar produtores rurais sobre medidas de prevenção e notificação imediata em caso de suspeita.

O coordenador de Defesa Sanitária Animal do Indea, João Marcelo Nespoli, destacou que as visitas realizadas — chamadas de vigilância ativa — tiveram papel fundamental não apenas na inspeção dos animais, mas também na educação sanitária dos produtores. Segundo ele, os criadores foram orientados a observar sinais de mortandade súbita, apatia ou alterações respiratórias nas aves e a comunicar imediatamente o instituto diante de qualquer suspeita da presença do vírus da influenza aviária.

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A propriedade onde foi confirmado o foco passou por rigorosos processos de limpeza e desinfecção, além da instalação de uma barreira sanitária na entrada do local, que permaneceu ativa durante todo o período de contenção e já foi desmontada após a conclusão das ações. A área entrou agora em vazio sanitário por 45 dias, período em que fica totalmente proibida a introdução de novas aves, conforme determina o protocolo nacional de defesa sanitária animal.

No total, a operação contou com a atuação de 31 servidores do Indea, sendo 15 médicos veterinários e 16 agentes fiscais estaduais. A força-tarefa também teve o apoio de dois médicos veterinários do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), que acompanharam de perto todas as etapas do processo. Profissionais de diversas unidades do instituto foram mobilizados, incluindo Cuiabá, Lucas do Rio Verde, Pontes e Lacerda, Cáceres, Rondonópolis e Barra do Bugres.

O diagnóstico da doença foi confirmado pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA), em Campinas, São Paulo, referência nacional na análise laboratorial de amostras de aves. A partir da confirmação, o Mapa emitiu alerta oficial ao Estado, acionando imediatamente os protocolos emergenciais de contenção. O órgão federal também comunicou a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) sobre a ocorrência da doença no território brasileiro, conforme exigido pelos acordos internacionais.

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Após a notificação, coube ao órgão estadual de defesa sanitária a execução, monitoramento e posterior encerramento das ações de controle do foco, garantindo que o vírus não se espalhasse para outras regiões do estado ou para sistemas de produção comercial.

De acordo com informações técnicas, os três casos de gripe aviária registrados em Mato Grosso nos últimos seis meses — em Campinápolis, Cuiabá e agora em Acorizal — tiveram a mesma forma de introdução do vírus: o contato de aves domésticas de subsistência com aves silvestres, especialmente patos selvagens conhecidos como “patúris”. Em todos os locais havia lagoas, áreas alagadas ou pontos de parada utilizados por aves migratórias, que acabaram transmitindo o vírus às criações domésticas.

Apesar do alerta, o Indea reforça que não há risco para a avicultura industrial nem para o consumo de carne de frango e ovos inspecionados. O caso de Acorizal, assim como os anteriores, foi rapidamente controlado graças à atuação imediata das barreiras sanitárias e ao trabalho integrado entre os governos estadual e federal.

Com o encerramento das ações e o cumprimento do vazio sanitário, Mato Grosso mantém o controle da situação e reforça sua capacidade de resposta frente a emergências sanitárias, garantindo a proteção da produção agropecuária e a segurança sanitária no estado.

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