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Câmara aprova projeto que dá alívio para produtores rurais endividados

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Os produtores rurais de todo o Brasil podem estar próximos de conseguir um importante fôlego financeiro. Foi aprovado na madrugada desta sexta-feira (18.07), pela Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei nº 5.122/2023, que trata da renegociação de dívidas do crédito rural com novas condições de pagamento, rebate, anistia e liquidação. O texto agora segue para votação no Senado.

O projeto prevê a criação de uma linha especial de crédito com prazos estendidos e juros mais baixos. A proposta contempla agricultores, pecuaristas, piscicultores, pescadores e produtores de camarão (carcinicultores) que foram afetados por secas, enchentes e outras perdas climáticas nos últimos cinco anos.

Entre os principais pontos da proposta estão:

  • Prazo de pagamento de até 15 anos, com até 3 anos de carência;

  • Juros anuais de 3,5% a 7,5%, conforme o porte do produtor;

  • Sem cobrança de multas, juros de mora ou honorários;

  • Sem restrições cadastrais para quem aderir ao programa;

  • Limite de crédito de R$ 10 milhões por produtor e R$ 50 milhões para cooperativas e fornecedores.

Segundo o relator do projeto, deputado Afonso Hamm, o objetivo é dar uma resposta concreta aos produtores que vêm sofrendo com perdas sucessivas. “No Rio Grande do Sul, tivemos cinco quebras de safra nos últimos seis anos. Não dá mais para esperar”, afirmou.

Os recursos para essa nova linha virão principalmente do Fundo Social, abastecido pela arrecadação do pré-sal. Também poderão ser utilizados recursos dos fundos constitucionais das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste (FNO, FNE e FCO), além do Fundo do Café (Funcafé).

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O texto aprovado não usa verbas do orçamento público tradicional, o que, segundo parlamentares e lideranças do agro, ajuda a driblar as resistências da equipe econômica do governo federal.

Carlos Joel da Silva, presidente da Fetag-RS, elogiou a proposta e afirmou que ela é viável do ponto de vista fiscal. “O recurso já existe, entra todo mês e não gera dívida nova. É uma saída justa para quem quer continuar produzindo”, destacou.

Apesar da forte mobilização de entidades gaúchas, como Fetag e Farsul, o projeto tem alcance nacional. Ele inclui municípios de diversas regiões que tiveram prejuízos climáticos severos nos últimos anos. Serão contempladas as cidades que decretaram estado de calamidade pública ou emergência em pelo menos dois anos entre 2020 e 2025, e que registraram perdas acima de 30% em duas ou mais safras.

De acordo com Antônio da Luz, economista-chefe da Farsul, quase metade dos municípios beneficiados estão no Nordeste. “Não é uma proposta feita apenas para o Sul, ela atende os Estados mais atingidos pelas adversidades climáticas, como Bahia, Ceará, Paraná e Mato Grosso do Sul”, explicou.

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Agora, o desafio é garantir que o Senado vote o projeto com rapidez e sem alterações. Segundo as lideranças rurais, qualquer modificação pode atrasar a sanção e a aplicação prática da medida. “Muitos produtores não vão plantar se o passivo não for resolvido”, alertou Carlos Joel.

O Movimento SOS Agro já articula presença em Brasília no início de agosto para pressionar os senadores. “Precisamos sensibilizar o Senado, como fizemos na Câmara. A hora é agora”, disse Graziela Camargo, coordenadora do movimento.

Com juros acessíveis e prazos mais longos, o projeto dá nova esperança para quem estava sem saída diante do acúmulo de dívidas. Além disso, o fato de permitir a participação de cooperativas e fornecedores de insumos amplia o alcance da medida.

Outro ponto importante: mesmo dívidas que não sejam oficialmente classificadas como crédito rural poderão ser incluídas, desde que o produtor comprove que os recursos foram usados na atividade agropecuária.

Se aprovado no Senado, o projeto segue para sanção do presidente da República. Paralelamente, o setor produtivo pressiona o governo para que a medida seja implementada rapidamente, com regulamentação clara e acesso facilitado às linhas de crédito.

“Temos um bom texto aprovado. Agora é preciso que o governo se engaje na execução. Sozinho, o projeto não caminha”, concluiu Gedeão Pereira, presidente da Farsul.

Fonte: Pensar Agro

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Investigação expõe disputa com China e acende alerta no mercado brasileiro

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A abertura de investigação pelo governo brasileiro sobre possível dumping nas importações de proteína de soja chinesa ocorre em paralelo a um cenário mais amplo de tensão comercial envolvendo o principal produto do agronegócio nacional: a soja em grão. Embora o foco formal da apuração seja um derivado específico, o movimento expõe o grau de sensibilidade da relação comercial entre Brasil e China, destino de mais de 70% das exportações brasileiras do complexo soja.

O Brasil embarca anualmente entre 95 milhões e 105 milhões de toneladas de soja em grão, dependendo da safra, consolidando-se como o maior exportador global. Desse total, a China absorve a maior parte, com compras que frequentemente superam 70 milhões de toneladas por ano. Trata-se de uma relação de alta dependência: para o Brasil, a China é o principal comprador; para os chineses, o Brasil é o principal fornecedor.

O problema é que esse fluxo não é livre de mecanismos de controle. A China opera com um sistema indireto de regulação das importações, baseado principalmente em licenças, controle de esmagamento e gestão de estoques estratégicos. Na prática, isso funciona como uma espécie de “cota informal”. O governo chinês pode reduzir ou ampliar o ritmo de compras ao liberar menos ou mais permissões para importadores e indústrias locais.

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Esse mecanismo ficou evidente nos últimos ciclos. Em momentos de margens apertadas na indústria chinesa de esmagamento, quando o farelo e o óleo não compensam o custo da soja importada, o país desacelera as compras. O resultado é imediato: pressão sobre os prêmios nos portos brasileiros e maior volatilidade de preços.

Além disso, há um fator estrutural. A China vem buscando diversificar fornecedores e reduzir riscos geopolíticos. Mesmo com a forte dependência do Brasil, o país mantém canais ativos com os Estados Unidos e outros exportadores, utilizando o volume de compras como ferramenta de negociação comercial.

No caso específico da proteína de soja, produto industrializado voltado principalmente à alimentação humana, o impacto direto sobre o produtor rural tende a ser limitado. Ainda assim, a investigação conduzida pela Secretaria de Comércio Exterior, ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, sinaliza um endurecimento na política comercial brasileira em relação à China, ainda que pontual.

O processo analisa indícios de venda a preços abaixo do custo de produção, prática conhecida como dumping, no período entre julho de 2024 e junho de 2025. Caso seja confirmada, o Brasil pode aplicar tarifas adicionais por até cinco anos.

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O ponto de atenção é que, embora tecnicamente restrita, qualquer medida nessa direção exige calibragem. A China é, de longe, o maior cliente da soja brasileira e um dos principais destinos de produtos do agronegócio como carne bovina e de frango. Movimentos comerciais, mesmo que setoriais, são acompanhados de perto pelo mercado.

Para o produtor, o cenário reforça um ponto central: o preço da soja no Brasil não depende apenas de oferta e demanda internas, mas de decisões estratégicas tomadas em Pequim. Ritmo de compras, gestão de estoques e margens da indústria chinesa seguem sendo os principais determinantes de curto prazo.

Na prática, a investigação atual não muda o fluxo da soja em grão, mas escancara a dependência brasileira de um único mercado e o grau de exposição a decisões comerciais externas.

Fonte: Pensar Agro

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