Tecnologia
Ciência para o desenvolvimento sustentavelmente da Amazônia Legal
“Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Sustentável na Amazônia Legal: Subsídios para políticas públicas baseadas em evidências”, foi tema de uma mesa-redonda realizada nesta segunda-feira, 13, na 77ª Reunião da SBPC , na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).
Com a participação de Adriana Badaró, coordenadora do Observatório de Ciência, Tecnologia e Inovação (OCTI); Sofia Daher, assessora técnica do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE); e os professores Mariano Macedo (UFPR), Rafael Pontes (UNIFAP) e Elton Freitas (UFS), discussão girou em torno do reconhecimento e dos desafios regionais, de como promover o desenvolvimento sustentável e alinhá-los à agenda nacional de inovação.
O que é a Amazônia Legal?
A Amazônia Legal é uma área de abrangência geopolítica que engloba 59% do território brasileiro, compreendendo nove estados — sete na Região Norte, um no Nordeste e um no Centro-Oeste: Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do Maranhão. Essa região foi definida pelo governo federal para fins de planejamento e implementação de políticas de desenvolvimento econômico e social.
Desafios e soluções
Foi a partir desses desafios que o CGEE desenvolveu um documento para subsidiar a formulação de políticas de ciência, tecnologia e inovação (CT&I) na Amazônia Legal. O foco é reconhecer as especificidades regionais, promover o desenvolvimento sustentável e alinhá-las à agenda nacional de inovação.
Principais desafios identificados:
• Fragilidade da governança: necessidade de estruturas territoriais eficazes, com conselhos e câmaras técnicas que integrem setor público, academia, empresas, povos tradicionais e organizações da sociedade civil.
• Financiamento limitado: recursos fragmentados e insuficientes dificultam a implementação de programas contínuos de pesquisa e inovação.
Eixos estratégicos propostos:
1. Governança e territorialização
• Estabelecer fóruns regionais integrados com instâncias permanentes (ex.: setores produtivos e monitoramento de políticas públicas).
• Criar uma secretaria executiva para coordenação regional contínua.
2. Fortalecimento de capacidade e infraestrutura
• Fomentar a integração entre ICTs (Instituições Cient no íficas e Tecnológicas) e o setor produtivo local.
• Investir em infraestrutura laboratorial, digital e em redes de pesquisa na região amazônica.
3. Monitoramento e avaliação
• Desenvolver um sistema robusto de acompanhamento de indicadores de CT&I e de seus impactos regionais.
4. Educação e formação
• Incentivar a qualificação, o treinamento técnico e a atração de jovens pesquisadores para atuação na região.
Debate
Sofia Daher, assessora técnica do CGEE, destacou a persistente discrepância entre a titularidade de mestrado e doutorado nas regiões brasileiras. O Sudeste lidera, seguido pelas regiões Sul, Nordeste e Centro-Oeste. No entanto, ao se analisar a curva de crescimento dos últimos anos, observa-se que a Região Norte é a que mais tem avançado. Ela também apontou a dificuldade de retenção desses profissionais formados na região, que muitas vezes são “exportados” para outras partes do país.
O professor Elton Freitas trouxe para o debate a aplicação do Índice de Complexidade Científica, métrica que mede o nível de diversidade e especialização das atividades científicas de uma região. Para Freitas, esse é um instrumento estratégico para apoiar o planejamento e a formulação de políticas públicas de CT&I, respeitando a diversidade do conhecimento, valorizando as vocações regionais e enfrentando as assimetrias territoriais.
Sua análise dialoga com as falas dos professores Mariano Macedo e Rafael Pontes. Para Mariano, “as regiões brasileiras não podem ser compreendidas de forma unidimensional. É preciso reconhecer as desigualdades regionais em múltiplas escalas de intervenção e orientar políticas que promovam o desenvolvimento territorial por meio de instrumentos adequados”.
Já Rafael Pontes destacou a complexidade de conciliar o desenvolvimento da região com a preservação do meio ambiente. Ele ressaltou que muitas das propostas para a Amazônia Legal partem de uma visão externa, ignorando a diversidade e os desafios particulares de cada estado. Para Pontes, “a Amazônia será legal quando a luta for para além da proteção e preservação da natureza, mas também pela melhoria da qualidade de vida de seus quase 30 milhões de habitantes”.
77ª Reunião Anual da SBPC
A 77ª Reunião Anual da SBPC vai até o próximo sábado, 19 de julho, na Universidade Federal Rural de Pernambuco. O evento é gratuito e aberto a todos os públicos.
Tecnologia
Projeto Entre Ciências seleciona seis propostas sobre sociobiodiversidade
Como cuidar melhor da floresta, da terra e da biodiversidade? Parte dessa resposta está no diálogo entre diferentes formas de conhecimento. Com o objetivo de fortalecer a participação de povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares na produção de conhecimento sobre a sociobiodiversidade, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) vai selecionar seis iniciativas para o projeto Entre Ciências: Territórios de Saber em Diálogo.
Foram avaliadas 60 propostas de arranjos de pesquisa colaborativa, envolvendo comunidades e academia, vindas de diferentes regiões da Amazônia e do Cerrado. Os trabalhos foram selecionados por uma comissão formada por especialistas e representantes das próprias comunidades, levando em conta não só critérios técnicos, mas também a diversidade dos territórios e protagonismo de mulheres, jovens e anciãos.
Projetos selecionados
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Associação dos Seringueiros do Seringal Cazumbá. Parceiro acadêmico: Instituto Federal do Acre (Ifac) — Campus Rio Branco;
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Associação Quilombo Kalunga. Parceiro acadêmico: Universidade de Brasília (UnB) – Programa de Mestrado Profissional em Sustentabilidade junto a Povos e Terras Tradicionais (Mespt) e Programa da Licenciatura em Educação do Campo (Ledoc);
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Organização Baniwa e Koripako — Nadzoeri. Parceiros acadêmicos: UnB, Universidade Federal Fluminense (UFF) e Universidade de São Paulo (USP);
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Associação de Mulheres Indígenas em Mutirão (Amim). Parceiro acadêmico: Instituto Federal do Amapá;
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Centro de Agricultura Alternativa Vicente Nica. Parceiro acadêmico: Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (IFNMG) — Campus Almenara;
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Coletivo Mulheres Retireiras do Araguaia. Parceiro acadêmico: Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), vinculado ao MCTI, e Instituto Juruá.
Com os novos arranjos selecionados, o projeto passa a apoiar oito experiências em diferentes territórios, ampliando uma rede que conecta ciência dos povos e comunidades com a ciência acadêmica, cultura e meio ambiente.
Para a secretária de Políticas e Programas Estratégicos do MCTI, Andrea Latgé, a iniciativa reforça a importância de integrar diferentes formas de conhecimento na produção científica. “O Entre Ciências mostra que o conhecimento também nasce nos territórios. Ao valorizar saberes de povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares, fortalecemos uma ciência mais diversa e conectada aos desafios do País”, destaca.
O Entre Ciências aposta em uma ideia simples e poderosa: quem vive nos territórios também produz conhecimento. O projeto fortalece o papel de povos indígenas e comunidades tradicionais na pesquisa sobre biodiversidade, em temas prioritários para o próprio território, incentivando a parceria com atores acadêmicos comprometidos e com respeito às diferentes formas de conhecimento.
Além do apoio aos projetos, a iniciativa oferece formação, bolsas para pesquisadores locais das comunidades, intercâmbios e suporte para a gestão de dados e informações produzidas pelas próprias comunidades.
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