EDUCAÇÃO
Programas de acesso ao ensino superior utilizam nota do Enem
O Ministério da Educação (MEC) desenvolve ações para garantir o acesso dos estudantes do ensino médio e técnico às instituições de educação superior. Iniciativas como o Programa Universidade para Todos (Prouni), que oferece bolsas de estudo em instituições privadas, e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), que garante juros baixos para os estudantes, têm permitido que mais jovens realizem o sonho de cursar uma graduação. Esses programas utilizam a nota do estudante no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), cujas inscrições se encerram nesta sexta-feira, 13 de junho.
Realizado pelo MEC, por meio do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o Enem é a principal porta de entrada para o ensino superior no Brasil. As inscrições podem ser feitas exclusivamente pela Página do Participante.
As provas do Enem serão aplicadas nos dias 9 e 16 de novembro, nas 27 unidades da Federação, exceto nas seguintes cidades do Pará: Belém, Ananindeua e Marituba, que o exame será aplicado em 30 de novembro e 7 de dezembro, excepcionalmente. A medida visa atender os públicos desses municípios, em razão dos impactos logísticos da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), que ocorrerá na capital paraense, no período da aplicação regular do exame.
Prouni – Criado há 20 anos, o Prouni oferece bolsas de estudo integrais (100%) e parciais (50%) para graduação em instituições privadas. Com mais de 3,5 milhões de estudantes beneficiados entre 2005 e 2025, sendo 2,5 milhões com bolsas integrais. Do total, a maioria é de mulheres (57%) e negros (55%). Atualmente, 651.390 estudantes contam com bolsas do Prouni para cursar o ensino superior. Eles estão matriculados em 1.856 instituições privadas de ensino superior.
Ao longo do tempo, muitas histórias de conquista e superação se realizam por meio do Prouni. A jornalista Jô Gomes entrou na primeira turma do Prouni. “Em 2005, passei em jornalismo na Universidade Católica de Brasília. Se eu não tivesse entrado no programa, naquele momento da minha vida, com a idade que eu estava, eu não sei onde eu estaria hoje”, contou.
A mesma percepção tem a estudante de pedagogia, Ruth Vieira. “Eu estava preocupada em como iria conseguir ingressar no ensino superior. O Prouni me salvou e me deu uma sensação de pertencimento ao ensino superior. Com certeza, se não fosse o Prouni, a minha história seria outra”, diz ela.
Para concorrer à bolsa integral, é preciso ter renda familiar bruta mensal de até um salário mínimo e meio por pessoa. Para a bolsa parcial, a renda familiar bruta mensal deve ser de até três salários mínimos por pessoa. Os candidatos também precisam atender a outras condições, como ter feito o ensino médio em escola pública ou ter sido bolsista em escola particular, entre outras. Além dos critérios socioeconômicos, é preciso ter feito o Enem nos últimos dois anos, ter nota média superior a 450 pontos e ter tirado acima de 0 na redação. As inscrições para a edição do segundo semestre de 2025 serão abertas em breve, e quem realizou as provas em 2023 ou 2024 pode participar.
Para se inscrever nos processos seletivos do Prouni de 2026, o estudante poderá utilizar as notas do Enem de 2025 ou 2024. Em todos os processos seletivos, o candidato pode optar por concorrer às bolsas destinadas à ampla concorrência ou às cotas para pessoas com deficiência (PCDs) e pessoas autodeclaradas indígenas, pardas ou pretas.
Fies – As notas do Enem também podem ser usadas para concorrer a vagas ofertadas para o ensino superior pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), que possibilita a estudantes de baixa renda cursar faculdades particulares por meio de financiamento, que começa a ser cobrado após a conclusão do curso.
Desde 2024, o Fies reserva vagas para candidatos autodeclarados pretos, pardos, indígenas e quilombolas, assim como para PCDs. Para participar, é preciso ter renda familiar mensal bruta por pessoa de até três salários mínimos.
A nova edição do programa, o Fies Social, reserva metade das vagas para estudantes com renda familiar por pessoa de até meio salário mínimo e inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico), com cadastro ativo. Com o Fies Social, é possível financiar até 100% do valor dos cursos, até o limite dos valores exigidos por tipo de curso. Para participar, o estudante precisa ter feito o Enem, qualquer edição desde 2010, obter nota média superior a 450 pontos e não zerar a redação.
Neste ano, são ofertadas mais de 112 mil vagas, em dois processos seletivos do Fies. O primeiro, para cursos com início das aulas no primeiro semestre, foi encerrado recentemente. O segundo será para aulas que têm início no segundo semestre.
Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações Secretaria de educação Superior (Sesu) e do Inep
Fonte: Ministério da Educação
EDUCAÇÃO
Piveta atribui crise da educação à Nova República, crítica pauta de gênero e aposta em mais escolas modelo cívico-militar em MT, VEJA O VÍDEO
JB News
por Nayara Cristina
A educação pública de Mato Grosso entrou novamente no centro do debate após declarações do governador em exercício Otaviano Piveta, que atribuiu a piora histórica do ensino no Brasil às transformações ocorridas a partir da Nova República e, especialmente, após o governo de Fernando Henrique Cardoso. Segundo ele, ao longo dos últimos 30 anos houve uma perda de valores fundamentais dentro das escolas, como disciplina, hierarquia e respeito, o que teria contribuído diretamente para a queda da qualidade educacional.
“Uma das causas da degradação do nosso sistema de educação ao longo dos últimos 30 anos. Depois da Nova República, aí é que começou a degringolar”, afirmou o governador, ao defender uma mudança de rumo no ensino público.
Apesar das críticas ao passado, os dados mais recentes mostram que Mato Grosso vem apresentando evolução nos indicadores educacionais. De acordo com o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2023, o estado alcançou nota 6,0 nos anos iniciais do ensino fundamental, 4,9 nos anos finais e 4,4 no ensino médio, evidenciando avanço principalmente nas etapas iniciais. O índice, que varia de 0 a 10, é o principal termômetro da qualidade do ensino no país e combina desempenho dos alunos com taxas de aprovação.
Na comparação nacional, Mato Grosso acompanha a média brasileira nos anos iniciais, mas ainda enfrenta desafios nas demais etapas, cenário semelhante ao restante do país. Ainda assim, o estado tem avançado em rankings mais amplos e já aparece entre os dez melhores do Brasil em educação, segundo levantamentos recentes, refletindo os investimentos e mudanças na gestão educacional.
A discussão ganhou força após a repercussão de vídeos que mostram brigas entre alunos em uma escola no bairro Tijucal, em Cuiabá. Questionado sobre o caso, Piveta afirmou que situações de violência devem ser enfrentadas com ação imediata das forças de segurança, mas também com medidas estruturais dentro das unidades escolares. “Se chamar a polícia, não demora para chegar”, disse.
Como resposta, o governo tem ampliado o modelo de escolas cívico-militares, que, segundo Piveta, já demonstrou resultados positivos em desempenho e organização. Ele afirmou que a unidade envolvida no episódio recente já foi convertida para esse modelo. “O que nós vamos fazer para coibir isso preventivamente é transformar nossas escolas em cívico-militar, para colocar disciplina, hierarquia e respeito”, declarou.
Durante a entrevista, o governador também criticou o que considera excesso de debates ideológicos dentro das escolas, incluindo temas relacionados a gênero, defendendo que o foco do ensino deve estar na aprendizagem e na formação acadêmica tradicional. A posição, no entanto, integra um debate mais amplo no país, onde especialistas defendem que temas como diversidade e respeito também fazem parte da formação educacional.
Entre avanços e desafios, Mato Grosso apresenta hoje um cenário de transição: enquanto melhora seus indicadores e sobe no ranking nacional, ainda enfrenta dificuldades principalmente no ensino médio e nos anos finais do fundamental. Nesse contexto, o governo aposta na disciplina e na expansão das escolas cívico-militares como caminho para consolidar os resultados e tentar reposicionar a educação pública do estado entre as melhores do Brasil.
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