Economia
Justiça de MT barra cobrança retroativa de ICMS sobre energia solar
JB News
Por Nayara Cristina
Uma importante decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) garantiu um alívio para os consumidores de energia solar no estado.
A desembargadora Nilza Maria Pôssas de Carvalho concedeu liminar suspendendo a cobrança retroativa de ICMS sobre a energia gerada por mini e microgeradores solares, atendendo a uma ação impetrada pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT).
O pedido partiu do deputado estadual Faissal Calil (Cidadania), que denunciou o descumprimento de decisões judiciais anteriores por parte da Energisa, concessionária de energia em Mato Grosso.
As cobranças do imposto, segundo o parlamentar, estavam sendo feitas de forma inconstitucional, ferindo o que já havia sido estabelecido judicialmente.
A medida foi tomada com base em uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF), protocolada pela ALMT.
A ação destacou que a cobrança do ICMS sobre a Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD), ligada à energia solar, havia sido considerada inconstitucional em 2022, com a Justiça determinando sua suspensão.
“Esta é mais uma vitória contra a Energisa, que insiste em cobrar algo que não é constitucional. Hoje, temos motivos para celebrar. Agradeço aos colegas da ALMT, pois juntos conseguimos mais uma vez proteger os direitos dos consumidores”, declarou Faissal Calil, ao comentar a decisão.
Com a liminar, milhares de consumidores que investiram em energia limpa e sustentável em Mato Grosso passam a contar com respaldo legal contra cobranças retroativas, fortalecendo a segurança jurídica do setor e incentivando a produção energética independente.
A decisão representa um passo importante na defesa dos direitos dos consumidores e na consolidação de políticas públicas voltadas à energia renovável no estado.
AGRONEGÓCIOS
“Fim do Fethab 2 reflete nos investimentos de infraestrutura, logística estabilidade econômica em MT” diz Max Russi ao citar momentos de contribuição e dificuldades do Agro, VEJA O VÍDEO
JB News
por Nayara Cristina
A decisão de encerrar a cobrança do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (FETHAB 2) a partir do próximo ano marca uma inflexão importante na política econômica de Mato Grosso e sinaliza um novo momento de maturidade fiscal e estrutural do estado. O tema ganhou força após articulações conduzidas pelo vice-governador Otaviano Pivetta junto à classe empresarial do agronegócio, em uma série de reuniões e diálogos diretos com lideranças do setor produtivo.
Nos bastidores, a sinalização de Pivetta foi clara: o Estado não pretende mais sustentar a infraestrutura com base em contribuições extraordinárias. A fala, segundo relatos de participantes dessas discussões, ocorreu em tom de segurança fiscal e confiança na capacidade atual de investimento do governo, indicando que Mato Grosso já atingiu um nível de organização que permite abrir mão do adicional do fundo sem comprometer obras e serviços.
Criado como mecanismo emergencial para financiar obras estruturantes, o adicional do FETHAB incidiu principalmente sobre a produção agropecuária e, ao longo dos últimos anos, movimentou cifras bilionárias. Embora os valores variem conforme a produção e o mercado, estimativas baseadas na arrecadação recente indicam que o fundo — especialmente em sua modalidade adicional — representa algo entre R$ 800 milhões e R$ 1 bilhão por ano.
Com o fim da cobrança, a renúncia fiscal projetada é significativa. Em um horizonte de três a quatro anos, o Estado pode deixar de arrecadar entre R$ 2,5 bilhões e R$ 3 bilhões, considerando um cenário conservador. Ainda assim, a avaliação interna do governo é de que o impacto é absorvível diante do equilíbrio das contas públicas e do avanço já consolidado na infraestrutura estadual.
A recepção por parte do setor produtivo foi, majoritariamente, positiva. Produtores e representantes do agronegócio interpretaram o posicionamento como um gesto de reconhecimento ao momento econômico enfrentado pelo campo, marcado por custos elevados, crédito mais restrito e margens pressionadas. Ao mesmo tempo, a medida foi vista como um reforço na previsibilidade e na segurança jurídica — fatores considerados estratégicos para novos investimentos.
Na avaliação do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Max Russi, o encerramento do FETHAB 2 reflete exatamente esse novo estágio vivido pelo estado. Segundo ele, não há perspectiva de que o tema avance no Legislativo sem uma iniciativa formal do Executivo.
“O projeto não deve sequer chegar à Assembleia para prorrogação. Esse debate só existiria se houvesse interesse do governo, e isso teria que acontecer ainda este ano”, afirmou.
Max Russi também destacou que a retirada do fundo dialoga com o atual cenário do setor agropecuário e com os avanços já alcançados na infraestrutura. Para o parlamentar, Mato Grosso conseguiu transformar os recursos arrecadados em obras concretas, como pavimentação de rodovias e estruturação de corredores logísticos, criando uma base sólida para sustentar o crescimento sem a necessidade de manter cobranças adicionais.
O fim do FETHAB 2, nesse contexto, consolida uma mudança de modelo: de um estado que dependia de fundos extraordinários para acelerar investimentos para outro que passa a operar com planejamento de longo prazo, equilíbrio fiscal e maior capacidade de atração de capital privado. O desafio, a partir de agora, será manter o ritmo de expansão da infraestrutura diante da renúncia bilionária, sem comprometer a competitividade que colocou Mato Grosso como protagonista do agronegócio nacional.
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