Destaque

Veto ao reajuste do TJ acende alerta no TCE: ‘Estado precisa parar de pensar só em obras e investir no ser humano’”

Publicados

em

JB News

Por Jota de Sá

 

VEJA O VÍDEO

O debate sobre os aumentos e a política salarial das instituições públicas de Mato Grosso ganhou novo capítulo após a manutenção, pela Assembleia Legislativa, do veto do governador Mauro Mendes ao reajuste de 6,8% para os servidores do Tribunal de Justiça. O tema reacendeu discussões internas entre os poderes e colocou no centro do debate a necessidade de rever prioridades no orçamento estadual, que hoje repassa percentuais fixos para órgãos como Tribunal de Justiça, Tribunal de Contas, Defensoria Pública, Ministério Público e Assembleia Legislativa.

Entre as vozes mais enfáticas está a do presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo, que vem alertando para o risco de um “desequilíbrio irreversível” entre investimentos em infraestrutura e a valorização do funcionalismo público. Para ele, a discussão não se limita ao TJ, mas atinge todas as instituições que compartilham o orçamento do Estado.

Sérgio Ricardo afirmou que o aumento pretendido pelo Judiciário tende a gerar efeito cascata, pressionando o orçamento de todos os poderes. “Quando surge um aumento para o Tribunal de Justiça, aí já se pensa no mesmo aumento para todas as outras instituições. Isso aumentaria R$ 2 bilhões na folha, no repasse de orçamento”, observou.

O presidente reforçou que a discussão não deve ser reduzida a números, mas à lógica de funcionamento do Estado. “Obras são importantes, mas que é preciso pensar também no funcionalismo público, na melhoria da qualidade de vida do funcionalismo público”, afirmou. Em sua avaliação, todo avanço administrativo, econômico e estrutural do governo depende diretamente dos servidores: “Nem o governo, nem o TCE, nem o TJ consegue se desenvolver e prestar um bom serviço à população se não for através do funcionalismo público.”

Leia Também:  Max defende independência da ALMT em relação ao governo e afirma que irá escutar deputados

Em fala contundente, Sérgio Ricardo lançou uma pergunta que repercutiu entre representantes de diversos poderes:

“São 20% de investimentos em obras. Será que não dá para pensar em diminuir o investimento em obras e investir no humano, no trabalhador, no servidor, naquele que está ali se dedicando ao Estado?”

Segundo ele, repensar a proporção de recursos destinados às obras de infraestrutura — que hoje incluem hospitais, estradas e grandes equipamentos públicos — não significa abandonar investimentos, mas reequilibrar prioridades. “Olha, nós estamos construindo hospitais, milhares de quilômetros de asfalto, mas eu entendo também que quem faz o Estado é o servidor”, destacou.

Sérgio Ricardo classificou como “possível e necessário” que o Governo do Estado e todas as instituições discutam conjuntamente um novo modelo de equilíbrio entre investimentos físicos e valorização salarial.

“É totalmente possível e necessário. Vale a pena discutir melhor isso com todas as instituições. Entendo que nunca antes, que eu me lembre, as instituições de poderes estiveram conversando tanto”, afirmou.

Leia Também:  Max Russi afasta possibilidade de CPI dos consignados e propõe mudanças legislativas

Na semana passada, líderes de vários órgãos — Tribunal de Contas, Tribunal de Justiça, Assembleia Legislativa, Ministério Público e Defensoria — iniciaram uma rodada de encontros para tratar das desigualdades salariais entre classes, dos efeitos do veto ao reajuste e do futuro das carreiras estaduais. O presidente do TCE confirmou que novas reuniões serão realizadas.

“Todas as instituições de poder têm que discutir as desigualdades do Estado, as desigualdades das classes, dos servidores, da questão salarial. Tudo isso é possível e necessário”, concluiu.

O debate promete se intensificar nas próximas semanas, especialmente porque o orçamento de 2026 já está em análise no Tribunal de Contas antes de seguir para votação final na Assembleia Legislativa. Enquanto o governo mantém a defesa de que aumentos acima da capacidade orçamentária comprometeriam as finanças públicas, parte das instituições pressiona por uma redistribuição das prioridades, colocando o servidor no centro das decisões estruturantes.

A discussão está aberta — e, desta vez, com peso político e social suficiente para mexer na espinha dorsal do planejamento estadual.

COMENTE ABAIXO:

Destaque

Lei Federal que impede reajustes de servidores públicos ainda está em vigor

Publicados

em

Por

PROIBIÇÃO

JB News

 

O Governo de Mato Grosso está impedido legalmente de conceder qualquer tipo de reajuste ou revisão salarial, referente aos períodos de 2020 e 2021, em decorrência da Lei Federal 173/2020, que está em vigor desde a pandemia da Covid-19.

O pedido dos sindicatos estaduais considera a Revisão Geral Anual (RGA) dos anos de 2017 a 2025. No entanto há um equívoco nesse período, pois de acordo com levantamento feito, em 2017e 2018, a revisão foi concedida integralmente conforme estabelecido em lei.

Já no ano de 2019, o Tribunal de Contas do Estado vetou a concessão da RGA, apontando que o Estado estava muito acima do limite legal das Leis de Responsabilidade Fiscal (LRF) Federal e Estadual, que é de 49%. Naquele ano, a despesa estava em 56,5%.

Durante os anos de 2020 e 2021, a lei federal também proibiu qualquer tipo de revisão, ficando o estado impedido de conceder a recomposição, conforme o inciso I do artigo 8° da Lei 173/2020. Além disso, o Supremo Tribunal Federal (STF) já considerou que a legislação é constitucional.

Leia Também:  MT está crescendo muito e tem um governo dedicado a melhorar essas relações econômicas”, afirma embaixador da Argentina

Desde 2022, com o fim da pandemia, o governo concedeu a RGA integral estabelecida em lei e os servidores receberam as recomposições salariais no mês de janeiro. Ou seja, o estado vem cumprindo com o que está estabelecido em lei.

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

CUIABÁ

VÁRZEA GRANDE

POLÍTICA

POLICIAL

MAIS LIDAS DA SEMANA