Política Estadual
Sambistas cuiabanos são homenageados em sessão especial
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) realizou, nesta terça-feira (2), no Plenário das Deliberações Renê Barbour, sessão especial para homenagear personalidades do samba, por meio de moções de aplausos. A iniciativa foi do deputado Carlos Avallone (PSDB), que destacou o trabalho das principais escolas de samba de Cuiabá.
“Acredito que existam duas paixões nacionais: o futebol e o samba, que representam o Brasil de maneira exemplar, tanto no exterior quanto no próprio país, expressando a alegria, a esperança e a felicidade do povo brasileiro. Após a pandemia, tornou-se evidente a necessidade de valorizarmos esses aspectos”, afirmou ele.
De acordo com o parlamentar, “a saúde mental é impactada positivamente por ambientes e estilos de vida mais alegres e por uma melhor convivência social. O samba possui esse poder e, em Mato Grosso, particularmente em Cuiabá, temos uma história significativa com as escolas de samba”, destacou.
Avallone recordou ainda que, na universidade, há quatro décadas, participou dos desfiles das escolas de samba. “Lembro-me de escolas como Deixa Cair, Unidos do Araés, Tradição e muitas outras, que contribuíram enormemente para o samba e para as escolas de samba em Mato Grosso. Chegou o momento de reconhecer essa história, homenageando os protagonistas, muitos ainda em vida. Essa sessão especial na Assembleia visa registrar e celebrar essa trajetória”, falou o deputado.
“Promovemos uma festa memorável, aberta a todos os apreciadores do samba. Costumo dizer que o berço do samba em Cuiabá é o bairro Araés, onde resido. Homenagear o samba é, portanto, homenagear o Araés. Contamos com a presença de figuras como Dona Tereza, Alair, Pretinha, Nego e Gudo, entre outros, que dedicaram suas vidas ao samba em Mato Grosso”, declarou Avallone.
A sessão especial contou com apresentações de bateria e passistas, além de demonstrações de samba, criando um ambiente alegre e festivo, como o próprio samba.
“São pessoas que engrandecem o samba cuiabano, pessoas que, por meio da música, da resistência cultural e fortalecimento das tradições contribuem para a valorização da cultura popular de Cuiabá”, citou o deputado.
O presidente da Escola de Samba Unidos do Bairro Araés, Luiz Carlos Ferreira, foi um dos homenageados que recebeu moção de aplausos pelos trabalhos prestados ao samba mato-grossense.
“Essa homenagem é muito relevante para nós, amantes do samba, especialmente do samba da periferia. Ele se torna ainda mais significativo vindo de uma Casa Legislativa organizada e comprometida com suas ações. Para nós, sambistas, é extremamente importante”, lembrou Ferreira.
Para o sambista Marcelo Sá, o reconhecimento é a relevância em prol da música carnavalesca em Cuiabá. Ele citou a honraria recebida da Assembleia como um marco histórico para o samba.
“Este é um reconhecimento de grande valor, concedido em virtude da trajetória que construímos no universo do samba, especialmente neste dia tão significativo. É um reconhecimento ímpar, resultado da história que construímos, desde os nossos 12 anos na cidade, há mais de quarenta anos. Receber esta honraria simboliza a coroação de uma história que construímos ao longo do tempo. Além disso, a homenagem serve para fortalecer e demonstrar, às demais cidades do Mato Grosso, a vitalidade do samba em nossa região”, comentou ele.
A passista e rainha do Unidos do Araés, Bruna Santos, treina duas horas por dia e busca intercâmbio com escolas de samba do Rio de Janeiro para aperfeiçoar os exercícios.
“Sinto-me honrada e expressamente grata pelo convite. É com grande alegria que recebo esta primeira moção de aplausos. Agradeço imensamente tudo o que o samba me proporciona. Dedico cerca de duas horas diárias aos ensaios de samba, com frequência superior a três vezes por semana. Representar a Unidos do Araés tem um significado especial para mim, ainda mais considerando os treinos e a busca por aprimoramento no Rio de Janeiro”, complementou.
A vereadora Maria Avallone disse que a sessão foi um momento especial em reconhecimento para celebrar os sambistas da região. “É com grande satisfação que destaco a importância do samba como expressão da alegria, da tradição e da identidade do povo brasileiro, em especial de nossa comunidade. Sinto-me honrada e orgulhosa por esta homenagem promovida pela Assembleia Legislativa”, disse ela.
Confira os homenageados:
Adriano Márcio de Figueiredo Lopes
Alair Fernando das Neves
Amancio Conrado Faria
Ana Tereza de Arruda Silva
Anderson Rodrigues de Pinho
Antonio Marcos de Castro
Benedito Justino de Oliveira
Benedito Luiz Costa
Benedito Munir Gonçalves
Benilda Goncalves da Silva Castilho
Bruna de Souza Santos
Bruna Elianay de Campos
Camila Ferreira dos Santos
Celso César Silva
Celso Miguel Gonçalves
Ciene Conceição Guarim
Claudiney Ferreira dos Santos
Clemance de Almeida Saldanha
Cleyton Normando da Fonseca
Denilson Gonçalves
Dervande de Arruda Silva
Edinei Aparecido Pereira da Silva
Edineia Fátima Silva Costa
Edson Jonas da Costa
Eliete Alves dos Santos
Erielson dos Anjos da Costa Marques
Everaldo de Oliveira
Ewerton Aparecido Moreira Salgado
Francilene Figueiredo Costa
Gabriel Augusto de Moraes
Gercino Benedito da Silva
Irene Pálácio
Izzi Lima dos Santos
Jaciro dos Santos Silva
Jean Cleuber Figueiredo de Amorim
Jellian Paula da Silva Pires dos Anjos
Jonni Almeida da Cruz
Jose Benedito da Cruz
José Soares da Silva Neto
Laura Grace Figueiredo Pereira
Laureane Assunção Marques
Lineia Rodrigues do Nascimento
Lucivania Roque de Souza
Luiz Carlos Ferreira dos Santos
Marcelo Augusto Sa Costa Pinto
Marcos Antonio Costa
Maria Lenir Silva dos Santos
Mercenio Luciano Souza
Michelle Benedita Correa de Oliveira Gomes
Nayara Risia Cruz Santos
Oldecir Dário Guarim
Patricia Carla Pires
Raoni Ricci
Reginaldo Alves de Faria
Renata Cuiabá
Rito Fretes
Roniel Edson da Silva
Rosemeire Cristina da Silva
Selma da Glória Costa
Sonia Aparecida da Sila
Uilma Regina Gonçalves Castilho Krenzlin
Uir Hermagenes Gonçalves Castilho
Valdivino Alves dos Santos
Vilmar Castilho
Vinicius Marcelo de Lopes
Wagner Roberto Gomes Castilho
Washington Luiz Félix
Wildes Tadeu de Carvalho Junior
Caíque Loureiro
Rogério Sena da Silva
Mário César de Carvalho
João Pedro de Oliveira
Bernadete Maria Jesus da Cunha
Kimberly Kesse Costa
Paulo Roberto Carvalho
Alex Fernando Pinto Almeida
Pierre Jonathan Ribeiro Rodrigues
Thiago Benício Pinto
Thiago Silva dos Santos
Fonte: ALMT – MT
Política Estadual
CST da Saúde Indígena debate saúde mental e reforça construção de políticas integradas
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso realizou nesta quinta-feira (11) a segunda reunião da Câmara Setorial Temática da Saúde Indígena (CST). O encontro foi dedicado à saúde mental indígena, tema que tem demandado atenção crescente pela elevação dos casos de ansiedade, depressão e suicídio entre jovens de diferentes etnias. A presidente da CST, Paloma Veloso, explicou que a escolha da pauta partiu do monitoramento contínuo das demandas dos territórios. Segundo ela, o aumento dos índices de suicídio acendeu um alerta entre lideranças e equipes de saúde.
“A cada mês fazemos um levantamento das maiores urgências dentro das aldeias e hoje o índice de suicídio entre os nossos povos é muito alto. Diante disso, reunimos especialistas para entender os métodos de trabalho aplicados e identificar o que pode ser feito na média e alta complexidade para apoiar os territórios”, afirmou a presidente.
Paloma relatou ainda que a CST participou recentemente do primeiro encontro de saúde mental indígena dos jovens do povo Bóe, realizado Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) Cuiabá. “Foram três dias de vivência. Estar ali permitiu compreender a necessidade real de cada comunidade e pensar políticas públicas que gerem impacto positivo”, disse. Ela destacou que fatores como acesso ampliado à energia elétrica, ao uso de telas e às transformações externas têm afetado principalmente adolescentes e jovens, que muitas vezes não possuem preparo emocional para lidar com essas mudanças.
A reunião reuniu profissionais de diferentes Distritos Sanitários Especiais Indígenas, psicólogos, enfermeiros e representantes de instituições de saúde. A psicóloga Cátia Batista Inácio, do Dsei Xingu, detalhou como funciona o atendimento psicossocial nas aldeias. Ela explicou que o trabalho é integrado às equipes multiprofissionais e prioriza ações de promoção do bem-estar antes mesmo do tratamento de transtornos mentais. “Quando identificamos uma problemática, construímos estratégias e um plano terapêutico singular. Nos casos que exigem acompanhamento especializado, fazemos o encaminhamento para a rede, como os CAPS, e lutamos para garantir que o paciente consiga retorno, porque a continuidade é essencial”, afirmou. Cátia observa aumento de quadros de ansiedade e depressão associados ao uso excessivo de telas. “Criamos atividades educativas junto à comunidade para refletir sobre esses impactos”, completou.
Foto: Helder Faria
A enfermeira e presidente do Conselho Regional de Enfermagem (Coren-MT), Bruna Santiago, ressaltou a importância da formação adequada das equipes que atuam com povos indígenas. “A presença da enfermagem é fundamental em todas as localidades. Capacitar esses profissionais é indispensável para garantir cuidado seguro, sem interferência cultural e com respeito às especificidades de cada povo”, disse. Ela informou que o Coren tem ampliado ações de capacitação por meio do programa Coren Capacita e do futuro Capacita Tech. Bruna também apontou problemas estruturais encontrados em algumas regiões. “A fiscalização tem identificado situações que não deveriam existir, com ausência de condições adequadas de trabalho e ambientes que comprometem a assistência. Investir em pessoas e estrutura é essencial para melhorar o atendimento”, afirmou.
A psicóloga Nonoguari Comaecureudo Lima, do DSEI Cuiabá, reforçou que o atendimento à saúde mental indígena exige compreensão profunda das culturas e modos de vida de cada povo. Para ela, o trabalho não é apenas individual, mas coletivo e baseado no diálogo com lideranças, parteiras e pajés. “Eu atendo dez povos diferentes e não posso aplicar o mesmo método para todos. É preciso entender minimamente a cultura para saber se o sofrimento é psíquico ou espiritual. Por isso, a parceria com as lideranças é fundamental”, explicou. Nonoguari destacou que, apesar dos esforços das equipes, o sistema de saúde ainda não consegue incorporar plenamente as especificidades indígenas nos processos de regulação e atendimento. “É por isso que estamos aqui, reivindicando capacitações e um olhar diferenciado em toda a rede, desde a atenção básica até os serviços especializados. Compreender a cultura é essencial para não agravar o sofrimento do paciente”, concluiu.
A CST Saúde Indígena – Criada por iniciativa do deputado Max Russi e instalada em 2025, a CST atua para enfrentar desafios da atenção primária, média e alta complexidade, com foco em garantir atendimento digno e integrado entre governo federal, estado e municípios. A CST continuará reunindo profissionais e lideranças para consolidar propostas e encaminhar indicações à Mesa Diretora da Assembleia. O objetivo é fortalecer políticas de saúde mental, ampliar o diálogo institucional e reduzir desigualdades no acesso à assistência dos povos indígenas em Mato Grosso.
Fonte: ALMT – MT
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