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Produtores rurais recorrem à recuperação judicial para não ficar de fora mercado

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Estiagem, dólar alto e demanda aquecida. As condições da safra 2020/2021 apontam riscos com relação à produtividade e, ao mesmo tempo, oportunidade de renda e lucratividade em decorrência da valorização dos grãos. Para quem tem dívidas, esta pode ser a chance de renegociar os passivos e voltar a ter renda.

O atraso nas chuvas este ano poderá comprometer a produção da soja e até mesmo do milho e com isso elevar ainda mais a demanda pelos grãos. Ou seja, a tendência é de produção apertada e margem elevada. O preço da soja na última semana superou R$ 170, 120% a mais do valor registrado no mesmo período do ano passado. O índice do milho também segue no mesmo ritmo, e a saca passou de R$ 28 para R$ 62, segundo levantamento do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea).

O que preocupa, entretanto, é que muitos produtores tiveram que reduzir o período de plantio e o processo que geralmente é feito em 40 dias, foi realizado em 20. Isso significa que na hora de colher também haverá menos espaço de tempo e consequentemente mais grãos prontos ao mesmo tempo. O presidente do Sindicato Rural de União do Sul, Diogo Molina, explica que as maiores preocupações, no momento, são com relação à armazenagem do grão e a perdas por excesso de umidade.

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“Haverá muita soja pronta ao mesmo tempo, com isso, pode faltar espaço nos armazéns e alguns produtores poderão perder parte da produção por não conseguir colher e descarregar. Fora isso, se tiver muita chuva no período, o grão perde qualidade”, explica Molina. Tudo isso também compromete o plantio do milho, que se atrasar, pega menos chuva e prejudica o desenvolvimento da espiga, reduzindo a produtividade.

Todos esses fatores podem se agravar se o produtor rural estiver endividado. De acordo com o advogado especialista em recuperação judicial, Antônio Frange Júnior, temendo perder a oportunidade de recuperar a renda neste período de valorização da lavoura, muitos produtores estão recorrendo ao recurso jurídico para se manterem ativo. “Temos excelentes oportunidades para a próxima safra, mas também muitos riscos devido às adversidades climáticas. Então, o produtor que possui dívidas, mas ainda é economicamente viável, está buscando a recuperação como forma de garantir sua permanência no mercado e voltar a ter lucratividade”.

Recentemente, uma decisão da Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) consolidou o direito dos produtores rurais que não possuem firma reconhecida há pelo menos dois anos de recorrerem à Lei 11.101/2005. Com isso, mais grupos ligados ao agronegócio estão vislumbrando a oportunidade de renegociar suas dívidas com segurança e sem risco de perderem seus bens.

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“A natureza comercial do produtor rural dispensa a formalização como é exigida nas atividades comerciais urbanas. Ao reconhecer isso, a Justiça tira este grupo empresarial da marginalidade da lei. O produtor volta a ter esperança de ver seu nome limpo e a continuidade de seus negócios”, afirma Antônio Frange.

Um pedido de recuperação judicial pode ser deferido em menos de um mês, quando bem fundamentado, e com isso o produtor pode dar início ao plano em 60 dias. “Ou seja, o produtor poderá iniciar a colheita já com a segurança jurídica que a recuperação proporciona, como juros estabilizados, blindagem de bens e prazos estendidos”, destaca o advogado Antônio Frange Júnior.

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AGRONEGÓCIOS

Nova onda do boi gordo atropela margens dos frigoríficos

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JB News

Com informações DBO

Indústria continuará a depender de animais confinados diante do atraso na entrada de lotes terminados a pasto e mercado fica na mão do pecuarista

A nova onda de valorizações nos preços do boi gordo parece ter assustado as indústrias frigoríficas. Nos últimos dois dias desta semana, os compradores praticamente saíram dos balcões dos negócios, sugerindo que as margens das indústrias já tenham chegado ao seu limite – algumas empresas passaram a operar no negativo, segundo avaliação da IHS Markit, sobretudo aquelas que atendem majoritariamente o mercado doméstico.

Nesta sexta-feira, repetindo o comportamento do dia anterior, o mercado físico da boiada gorda perdeu liquidez e, em algumas regiões do País, frigoríficos testam efetivação de novos negócios a preços abaixo das máximas vigentes, mesmo não possuindo escalas de abate longas, informa a IHS. Tal estratégia, porém, não surtiu efeito – pelo menos por enquanto as cotações seguem firmes, inclusive com o registro de altas em algumas regiões pecuárias.

Das 32 praças monitoradas pela Scot Consultoria, 15 apresentaram alta na cotação do boi gordo nesta sexta-feira. Em São Paulo a cotação do boi gordo estabilizou em R$290/@, preço bruto e à vista (ou R$ 289,50/@ com desconto do Senar e R$ 285,50/@ com desconto do Senar e Funrural), de acordo com dados da Scot. Para os machos que atendem os requisitos de exportação, principalmente os focados no mercado chinês, as ofertas de compra giram torno de R$ 300/@, valor bruto e à vista.

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Por sua vez, também na praça paulista, as fêmeas apresentaram variações positivas de 1,1% para a vaca e 0,7% para a novilha, na comparação dia a dia, o que significou aumento de R$ 3/@ e R$ 2/@, respectivamente, segundo a Scot.

Férias coletivas

“Há plantas que sinalizam férias coletivas e paralisação temporária diante da dificuldade na originação de gado”, relata a IHS Markit. Além disso, muitas unidades frigoríficas adotaram a estratégia de reduzir a capacidade de abate diante da escassez de oferta de boiada gorda no Brasil neste ano.

 

Por sua vez, os preços da carne bovina subiram timidamente nesta semana, o que sugere não ser suficiente para cobrir todos os custos das indústrias de carne. Na avaliação da IHS Markit, os frigoríficos devem ficar atentos aos fluxos de escoamento durante os próximos dias a fim para definir as suas estratégias daqui para frente.

“Resta saber como o pecuarista vai se adequar a essa mudança de tendência dos preços, uma vez que a oferta de gado terminado permanecerá ajustada nesta etapa de final de ano e o setor continuará a depender de animais confinados diante do atraso na entrada de lotes terminados a pasto em função de chuva tardia”, observa a consultoria.

Confira as cotações desta sexta-feira, 13 de novembro, segundo dados da IHS Markit:

SP-Noroeste:

boi a R$ 296/@ (prazo)
vaca a R$ 276/@ (prazo)

MS-Dourados:

boi a R$ 284/@ (à vista)
vaca a R$ 265/@ (à vista)

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MS-C. Grande:

boi a R$ 286/@ (prazo)
vaca a R$ 266/@  (prazo)

MS-Três Lagoas:

boi a R$ 283/@ (prazo)
vaca a R$ 262/@ (prazo)

MT-Cáceres:

boi a R$ 272/@ (prazo)
vaca a R$ 261@ (prazo)

MT-Tangará:

boi a R$ 272@ (prazo)
vaca a R$ 261/@ (prazo)

MT-B. Garças:

boi a R$ 276/@ (prazo)
vaca a R$ 263/@ (prazo)

MT-Cuiabá:

boi a R$ 276/@ (à vista)
vaca a R$ 264/@ (à vista)

MT-Colíder:

boi a R$ 266/@ (à vista)
vaca a R$ 256/@ (à vista)

GO-Goiânia:

boi a R$ 281/@ (prazo)
vaca R$ 271/@  (prazo)

GO-Sul:

boi a R$ 276/@ (prazo)
vaca a R$ 266/@ (prazo)

PR-Maringá:

boi a R$ 291/@ (à vista)
vaca a R$ 276/@  (à vista)

MG-Triângulo:

boi a R$ 286@ (prazo)
vaca a R$ 261/@ (prazo)

MG-B.H.:

boi a R$ 281/@ (prazo)
vaca a R$ 266/@ (prazo)

BA-F. Santana:

boi a R$ 281/@ (à vista)
vaca a R$ 266/@ (à vista)

RS-Porto Alegre:

boi a R$ 258/@ (à vista)
vaca a R$ 240/@ (à vista)

RS-Fronteira:

boi a R$ 258/@ (à vista)
vaca a R$ 240/@ (à vista)

PA-Marabá:

boi a R$ 278/@ (prazo)
vaca a R$ 268/@ (prazo)

PA-Redenção:

boi a R$ 273@ (prazo)
vaca a R$ 263/@ (prazo)

PA-Paragominas:

boi a R$ 273/@ (prazo)
vaca a R$ 265/@ (prazo)

TO-Araguaína:

boi a R$ 276/@ (prazo)
vaca a R$ 258@ (prazo)

TO-Gurupi:

boi a R$ 273/@ (à vista)
vaca a R$ 260/@ (à vista)

RO-Cacoal:

boi a R$ 261@ (à vista)
vaca a R$ 251/@ (à vista)

RJ-Campos:

boi a R$ 276/@ (prazo)
vaca a R$ 261/@ (prazo)

MA-Açailândia:

boi a R$ 266/@ (à vista)
vaca a R$ 251/@ (à vista)

 

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