Economia
Primeira semana de outubro registra salto no preço da cesta básica em Cuiabá
JB News
Depois de permanecer abaixo dos 700 reais por seis semanas, o valor da cesta básica registrou um salto no preço, de R$ 18,06, na primeira semana de outubro, fazendo com que o mantimento considerado essencial para a subsistência de uma família de até quatro pessoas passasse a custar R$ 717,43 contra os R$ 699,37, apurado na última semana de setembro.
Segundo o IPF-MT, a alta nesta primeira semana de outubro foi influenciada, principalmente, pela alta do preço da batata e do tomate, que registraram elevação de 17,80% e 27,89%, respectivamente.
A elevação no preço dos itens pode estar ligada à colheita, com o tomate sofrendo forte influência do clima, o que acaba por reduzir a quantidade do produto disponível no atacado mesmo caso acontece com a batata, que registra um valor médio de R$ 5,73 o quilo, o que não ocorre desde o mês de junho.
O diretor de Pesquisas do IPF-MT e superintendente da Fecomércio-MT, Igor Cunha, também destaca o fator climático para a forte variação nos preços dos produtos. “Esses dois itens possuem grande influência climática, e assim como no primeiro semestre do ano, podem estar aumentando o valor da cesta”.
No entanto, ele esclarece que “mesmo com a alta dessa semana, o valor da cesta básica está menor que o registrado em março desse ano, quando apresentava valor superior a R$ 719,00”.
Com relação aos produtos que apresentaram queda, o leite teve seu décimo recuo consecutivo no valor de 4,75% e de 17,36% no acumulado desde o início de agosto. A questão climática acaba por interferir positivamente na cadeia produtiva do leite, o que possibilita a maior oferta do produto nos mercados.
O Boletim da Cesta Básica é um produto do Instituto de Pesquisa e Análise da Fecomércio Mato Grosso (IPF-MT), divulgado semanalmente, que tem o propósito de informar a população sobre os custos de alimentação na capital do estado, dando suporte na tomada de decisão das famílias cuiabanas.
O Sistema S do Comércio, composto pela Fecomércio, Sesc, Senac e IPF em Mato Grosso, é presidido por José Wenceslau de Souza Júnior. A entidade é filiada à Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que está sob o comando de José Roberto Tadros
AGRONEGÓCIOS
“Fim do Fethab 2 reflete nos investimentos de infraestrutura, logística estabilidade econômica em MT” diz Max Russi ao citar momentos de contribuição e dificuldades do Agro, VEJA O VÍDEO
JB News
por Nayara Cristina
A decisão de encerrar a cobrança do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (FETHAB 2) a partir do próximo ano marca uma inflexão importante na política econômica de Mato Grosso e sinaliza um novo momento de maturidade fiscal e estrutural do estado. O tema ganhou força após articulações conduzidas pelo vice-governador Otaviano Pivetta junto à classe empresarial do agronegócio, em uma série de reuniões e diálogos diretos com lideranças do setor produtivo.
Nos bastidores, a sinalização de Pivetta foi clara: o Estado não pretende mais sustentar a infraestrutura com base em contribuições extraordinárias. A fala, segundo relatos de participantes dessas discussões, ocorreu em tom de segurança fiscal e confiança na capacidade atual de investimento do governo, indicando que Mato Grosso já atingiu um nível de organização que permite abrir mão do adicional do fundo sem comprometer obras e serviços.
Criado como mecanismo emergencial para financiar obras estruturantes, o adicional do FETHAB incidiu principalmente sobre a produção agropecuária e, ao longo dos últimos anos, movimentou cifras bilionárias. Embora os valores variem conforme a produção e o mercado, estimativas baseadas na arrecadação recente indicam que o fundo — especialmente em sua modalidade adicional — representa algo entre R$ 800 milhões e R$ 1 bilhão por ano.
Com o fim da cobrança, a renúncia fiscal projetada é significativa. Em um horizonte de três a quatro anos, o Estado pode deixar de arrecadar entre R$ 2,5 bilhões e R$ 3 bilhões, considerando um cenário conservador. Ainda assim, a avaliação interna do governo é de que o impacto é absorvível diante do equilíbrio das contas públicas e do avanço já consolidado na infraestrutura estadual.
A recepção por parte do setor produtivo foi, majoritariamente, positiva. Produtores e representantes do agronegócio interpretaram o posicionamento como um gesto de reconhecimento ao momento econômico enfrentado pelo campo, marcado por custos elevados, crédito mais restrito e margens pressionadas. Ao mesmo tempo, a medida foi vista como um reforço na previsibilidade e na segurança jurídica — fatores considerados estratégicos para novos investimentos.
Na avaliação do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Max Russi, o encerramento do FETHAB 2 reflete exatamente esse novo estágio vivido pelo estado. Segundo ele, não há perspectiva de que o tema avance no Legislativo sem uma iniciativa formal do Executivo.
“O projeto não deve sequer chegar à Assembleia para prorrogação. Esse debate só existiria se houvesse interesse do governo, e isso teria que acontecer ainda este ano”, afirmou.
Max Russi também destacou que a retirada do fundo dialoga com o atual cenário do setor agropecuário e com os avanços já alcançados na infraestrutura. Para o parlamentar, Mato Grosso conseguiu transformar os recursos arrecadados em obras concretas, como pavimentação de rodovias e estruturação de corredores logísticos, criando uma base sólida para sustentar o crescimento sem a necessidade de manter cobranças adicionais.
O fim do FETHAB 2, nesse contexto, consolida uma mudança de modelo: de um estado que dependia de fundos extraordinários para acelerar investimentos para outro que passa a operar com planejamento de longo prazo, equilíbrio fiscal e maior capacidade de atração de capital privado. O desafio, a partir de agora, será manter o ritmo de expansão da infraestrutura diante da renúncia bilionária, sem comprometer a competitividade que colocou Mato Grosso como protagonista do agronegócio nacional.
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