AGRONEGÓCIOS
Pernambuco passa a integrar o sistema Mapa-Conecta
Pernambuco se junta aos estados de Sergipe, Rio Grande do Norte e Ceará, que aderiram ao protocolo de intenções para fortalecer a inovação nos sistemas agropecuários do estado, cujo objetivo estimular a formação de um ecossistema de pesquisa, desenvolvimento tecnológico, inovação e fomento a novos negócios em todas as cadeias agropecuárias. A iniciativa foi denominada Mapa-Conecta.
A assinatura do protocolo foi realizada entre o secretário de Inovação, Desenvolvimento Sustentável, Irrigação e Cooperativismo (SDI), Pedro Neto, a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, e os secretários de Desenvolvimento Agrário, Agricultura, Pecuária e Pesca (SDA), Cícero Moraes, e de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), Mauricélia Vidal, cujas pastas irão responder pela condução dos trabalhos, atuando na formação da Comissão Gestora Estadual Agropecuária.
Com duração de cinco anos, o protocolo de intenções prevê que o Mapa disponibilize cooperação técnica, mentoria e suporte ao desenvolvimento de empresas inovadoras.
O superintendente de Agricultura e Pecuária no estado de Pernambuco (SFA-PE), Flávio Sotero, destacou que a agricultura pernambucana tem várias experiências exitosas, graças à pesquisa e à tecnologia aplicadas ao campo, como no caso das frutas nos perímetros irrigados no Sertão do São Francisco. “Pernambuco tem vocação para a inovação e para o empreendedorismo, haja vista experiências bem-sucedidas, como a do Porto Digital, no Recife. Vamos agora canalizar nossos esforços ainda mais em favor do agronegócio, que é de suma importância para o PIB brasileiro”, disse ele.
Ocorreu ainda, na sede da SFA-PE, o plantio de mudas de Ipê-amarelo-Craibeira (Tabebuia aurea), árvore-símbolo de Brasília. Já para o Parque de Exposições do Cordeiro, foram escolhidas mudas de Baobá (Adansonia digitata), espécie que, embora africana, é muito comum no Recife.
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AGRONEGÓCIOS
Investigação expõe disputa com China e acende alerta no mercado brasileiro
A abertura de investigação pelo governo brasileiro sobre possível dumping nas importações de proteína de soja chinesa ocorre em paralelo a um cenário mais amplo de tensão comercial envolvendo o principal produto do agronegócio nacional: a soja em grão. Embora o foco formal da apuração seja um derivado específico, o movimento expõe o grau de sensibilidade da relação comercial entre Brasil e China, destino de mais de 70% das exportações brasileiras do complexo soja.
O Brasil embarca anualmente entre 95 milhões e 105 milhões de toneladas de soja em grão, dependendo da safra, consolidando-se como o maior exportador global. Desse total, a China absorve a maior parte, com compras que frequentemente superam 70 milhões de toneladas por ano. Trata-se de uma relação de alta dependência: para o Brasil, a China é o principal comprador; para os chineses, o Brasil é o principal fornecedor.
O problema é que esse fluxo não é livre de mecanismos de controle. A China opera com um sistema indireto de regulação das importações, baseado principalmente em licenças, controle de esmagamento e gestão de estoques estratégicos. Na prática, isso funciona como uma espécie de “cota informal”. O governo chinês pode reduzir ou ampliar o ritmo de compras ao liberar menos ou mais permissões para importadores e indústrias locais.
Esse mecanismo ficou evidente nos últimos ciclos. Em momentos de margens apertadas na indústria chinesa de esmagamento, quando o farelo e o óleo não compensam o custo da soja importada, o país desacelera as compras. O resultado é imediato: pressão sobre os prêmios nos portos brasileiros e maior volatilidade de preços.
Além disso, há um fator estrutural. A China vem buscando diversificar fornecedores e reduzir riscos geopolíticos. Mesmo com a forte dependência do Brasil, o país mantém canais ativos com os Estados Unidos e outros exportadores, utilizando o volume de compras como ferramenta de negociação comercial.
No caso específico da proteína de soja, produto industrializado voltado principalmente à alimentação humana, o impacto direto sobre o produtor rural tende a ser limitado. Ainda assim, a investigação conduzida pela Secretaria de Comércio Exterior, ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, sinaliza um endurecimento na política comercial brasileira em relação à China, ainda que pontual.
O processo analisa indícios de venda a preços abaixo do custo de produção, prática conhecida como dumping, no período entre julho de 2024 e junho de 2025. Caso seja confirmada, o Brasil pode aplicar tarifas adicionais por até cinco anos.
O ponto de atenção é que, embora tecnicamente restrita, qualquer medida nessa direção exige calibragem. A China é, de longe, o maior cliente da soja brasileira e um dos principais destinos de produtos do agronegócio como carne bovina e de frango. Movimentos comerciais, mesmo que setoriais, são acompanhados de perto pelo mercado.
Para o produtor, o cenário reforça um ponto central: o preço da soja no Brasil não depende apenas de oferta e demanda internas, mas de decisões estratégicas tomadas em Pequim. Ritmo de compras, gestão de estoques e margens da indústria chinesa seguem sendo os principais determinantes de curto prazo.
Na prática, a investigação atual não muda o fluxo da soja em grão, mas escancara a dependência brasileira de um único mercado e o grau de exposição a decisões comerciais externas.
Fonte: Pensar Agro
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