OPINIÃO

Os prejuízos da Fake News

Por Bianca Botter Zanardi

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A circulação de Fake News, notícias falsas ou fraudulentas aptas a enganar o receptor e influenciar seu comportamento, traz prejuízos difíceis de mensurar. Na última semana a população de Cuiabá vivenciou os efeitos negativos da disseminação da desinformação.

No dia 24 de março circulou pelo WhatsApp um calendário falso de vacinação com datas nas quais seriam aplicadas as doses para todas as idades em Cuiabá. A mensagem direcionava para o portal oficial disponibilizado pela Prefeitura para o cadastro da vacinação.

Com o link oficial e a esperança da vacinação gerada por uma notícia falsa, o sistema recebeu uma enxurrada de acessos e teve problemas. O site, que costuma ter uma média diária de 15 mil visitas, recebeu mais de um milhão de acessos neste dia.

O caos provocado pela Fake News gerou aglomeração indevida no Centro de Eventos do Pantanal, que é o ponto de vacinação contra a covid-19. Muitas pessoas foram até o local na tentativa de se vacinar ou conseguir agendamento, motivadas pelas informações falsas que circularam naquele dia. Alguns agendamentos foram perdidos com a instabilidade do sistema e outras pessoas com hora marcada não conseguiram se vacinar.

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Além do tumulto no local de vacinação e congestionamento no portal eletrônico, a informação incorreta ainda repercute e precisa ser esclarecida. Também foi identificado ataque de hackers, o que gera ameaça aos dados públicos de segurança.

Diante dos prejuízos gerados, a Procuradoria-Geral do Município de Cuiabá acompanhou o registro do Boletim de Ocorrência, nesta quinta-feira (25), junto à Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Informáticos (DRCI) e a protocolização do Ofício nº 538/2021/GPEP direcionado ao delegado Ruy Guilherme Peral, da DRCI.

É possível punir a veiculação de notícias falsas quando ela é utilizada para cometer outra infração. No caso do calendário falso, foram denunciados o ataque de hackers, o uso indevido do logotipo de prefeitura e a perturbação da ordem e paz pública, diante da interrupção do serviço que trouxe prejuízo para coletividade e para o ente municipal que precisou destinar esforços para regularizar o sistema, organizar os locais de vacinação e refazer os cadastros.

É lamentável que tenhamos que dedicar tantos esforços para conter os efeitos da divulgação de Fake News em um período de dúvidas e de isolamento, em que as informações instantâneas ganham mais importância. A pandemia, por si só, já traz medo e insegurança. Não podemos disseminar mais incertezas.

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Desconfie de mensagens apelativas, com informações espetaculosas ou que fogem do comum. Sempre confira a informação em sites de confiança, de preferência os sites oficiais dos governos e organizações de saúde, como o site do Ministério da Saúde, da Secretaria Estadual de Saúde e da Prefeitura de Cuiabá. E jamais compartilhe informações que você não tem certeza que sejam verdadeiras. O desserviço pode trazer muitos prejuízos para você e sua cidade.

Bianca Botter Zanardi é jornalista e advogada, procuradora do município de Cuiabá, mestranda em Direito pela UFMT e diretora de relações institucionais da Uniproc. Contato: bianca.zanardi@cuiaba.mt.gov

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OPINIÃO

Racionalização de medicamentos em tempo de pandemia

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*Ednaldo Anthony Jesus e Silva

Desde que promulgada pelo Decreto Federal nº 10.212, de 30 de janeiro de 2020, o Regulamento Sanitário Internacional na qual versa a Declaração de Emergência em Saúde Pública de Importância Internacional pela Organização Mundial de Saúde, criou-se uma busca incansável e inenarrável no meio científico em descobrir um medicamento efetivo no combate à doença COVID-19.

Dois anos de pandemia já se passaram e inúmeras incertezas pairam sobre qual seja a melhor condução terapêutica apropriada no manejo clínico do paciente com a Síndrome Aguda do Desconforto Respiratório. São tantas alternativas “off label”, aquelas em que o tratamento não está descrito em bula técnica do produto, que levantam uma série de questionamentos no tocante ao monitoramento do perfil farmacoterapêutico e farmacovigilância de possíveis eventos adversos a medicamentos.

Neste cenário pandêmico, na qual nos deparamos com um Sistema de Saúde colapsado aliado à escassez de abastecimento devido a alta demanda de consumo, o farmacêutico hospitalar e clínico tem papel importantíssimo junto a equipe multiprofissional no controle do uso racional e efetivo de medicamentos.

Ações constantes e periódicas de revisão de protocolos de sepse, pneumonia, infecção de trato urinário, analgesia e sedação são algumas das inúmeras tarefas que o colega farmacêutico poderá propor para cobertura digna e eficaz da assistência à saúde ao paciente do SUS.

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Recentemente, um alerta catastrófico acendeu as chamas no cenário mundial e brasileiro, na qual começam a faltar itens fundamentais para recuperação a saúde do paciente COVID-19 positivo tais como antibióticos, anticoagulantes, drogas vasoativas, analgésicos, sedativos e bloqueadores neuromusculares e tantos outros, fazendo com que muitas sociedades científicas orientem da melhor maneira a aplicabilidade dos protocolos hospitalares institucionais. Como exemplo, temos o destaque da inclusão de anestésicos inalatórios (Óxido Nitroso, Desflurano, Isoflurano, Sevoflurano) pela Sociedade Brasileira de Anestesiologia devido a escassez dos agentes endovenosos pelo aumento do consumo para sedação em vigência da Covid-19, a Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA) recomenda aos profissionais que deem preferência aos anestésicos inalatórios e às técnicas anestésicas associadas a agentes adjuvantes durante a realização dos procedimentos anestésicos.

O trabalho deste importante profissional da saúde vai muito além dos holofotes televisivos e manchetes nos noticiários e mídias sociais, desde a pesquisa de uma nova molécula química nas Indústrias farmacêuticas de um medicamento, alguns ensaios clínicos de imunobiológicos até a resolução de problemas no tocante a substituição da farmacoterapia instituída pelo prescritor que muitas vezes não se encontra disponível nos estoques dos hospitais públicos e privados do país.

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“Sem medicamento não há saúde, sem farmacêutico não há medicamento e sem saúde não há esperança para a população. Consulte e valorize o farmacêutico, pois ele é um profissional indispensável à saúde pública brasileira e mundial”.  

*Ednaldo Anthony Jesus e Silva é farmacêutico Hospitalar e Clínico e conselheiro regional do CRF-MT. 

065 96392387 065 81100088

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